SOBRE O FESTIVAL DA MÚSICA EM 2008

 

Por Marcos Martino

www.marcosmartino.blogspot.com

 

 

 

 

SOBRE O SOM

 

O pessoal do som pisou na bola.  Mandaram técnicos despreparados para esse tipo de evento e pouco dispostos a ouvir sugestões. Em uma das apresentações que presenciava, me dirigi ao técnico e pedi atenção para a voz do intérprete, cuja voz estava com volume muito alto, chegando a machucar os tímpanos. Ele não levou em consideração e nem respondeu às minhas ponderações.

Na hora de contratar o som, o ideal é obter mais informações sobre os técnicos que irão trabalhar

na sonoplastia para evitar esse tipo de problemas.

Pra piorar, o som influenciou até no resultado do festival, pois os prejudicados, por mais que os jurados relevem, acabaram ficando inseguros no palco, perdendo  pontos preciosos. Por exemplo, na apresentação da banda Fator Alma, o som estava muito ruim. A guitarra estava tão alta que escondeu o resto da banda. A bateria parecia que nem estava microfonada. Com isso, o vocalista  acabou gritando para compensar o volume da guitarra. Pra completar, a guitarra estaca desafinada, esse já um erro imperdoável da banda. Mas eles tem crédito.

 

SOBRE OS ETERNOS VENCEDORES

 

Quando Michael Schumacher estava na fórmula 1, todos reclamavam que tava sem graça, pois ela ganhava tudo.

Schumacher vivia o paradoxo de ser o melhor e de ser considerado chato por causa disso.

Gil Damata e Zé Beto são espécies de Schumachers dos festivais.

Eles ganham pra todo lado, pois são bons mesmo.

No caso do nosso festival, devíamos nos sentir honrados de receber esses caras, que muito no dignifica.

 

SOBRE O ARGENTINO “MARCELO MENDEZ”

 

Quando olhamos para o mapa e observamos de onde vem os participantes do festival, nos deparamos com competidores que vem de Salvador, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Aracajú, Belém do Pará e de centenas de cidades do interior de Minas.

Neste festival, tivemos um que veio da Argentina, mais precisamente do bairro de Quilmes, em Buenos Aires, bairro que deu origem a famosa cerveja Quilmes, patrocinadora oficial da camisa do River Plate.

Marcelo é violonista de formação clássica, concertista, arranjador, tendo trabalhado com grandes nomes da música portenha.

Recentemente, lançou 2 cds, com registros de estúdio, que vinha colecionando há algum tempo. O resultado é um estudo sobre tangos, milongas e outros ritmos e estilos nativos e até contemporâneos.

Interessante observar que muitas dessas canções ficaram conhecidas no Brasil através dos famosos cantores do Rádio.

 

O WORKSHOP

 

Marcelo trouxe um material em audiovisual para apresentar para o público no Workshop sobre as história da música argentina, sobre suas técnicas e outras curiosidades culturais.

Houve um atraso na montagem do som, mas o principal problema viria a seguir : o telão que o Ronilson

arranjou para exibir o audiovisual não foi compatível com o note book e não foi possível exibir o audio-visual.

Marcelo ficou nervoso, mas falei pra ele que improvisaríamos uma entrevista e que eu explicaria direitinho para o público sobre o acontecido e assim fizemos.

Fizemos um bate papo, onde falamos das diferenças culturais Brasil Argentina, sobre os vários estilos musicais de seu país, influências, e entre uma prosa ou outra, ele tocava uma música e demonstrava sua técnica apurada.

Depois abrimos o microfone para as perguntas das pessoas e para pedidos de música, inclusive do menino bom da orelha, Ilderaldo, herdeiro e mestre do Prú Tchá.

 

O SHOW DO MARCELO MENDEZ À NOITE

 

Imaginei que o show do Marcelo seria no intervalo, entre as apresentações e soma das notas para indicar as finalistas de domingo. Quando cheguei à praça, me disseram que o Marcelo já estava no palco para seu show e queria que eu fizesse a apresentação.

Fui pego de surpresa. Pedi um tempo para tomar pelo menos um conhaque e lá estava eu no palco apresentando o show do Marcelo. Me perdoem pelo improviso. Não sou um apresentador. Mas alguém tinha de fazer essa ponte. Espero que tenham gostado.

 

SOBRE AS HOMENAGENS

 

Foi emocionante ver o sr José Araújo cantando e sendo acompanhado pelo violão bem harmonizado do meu mano Rogério.

A música de Alvinópolis começou lá atrás.

É uma espécie de academia informal.

O choro Guarani talvez seja nossa referência mais antiga.

Temos também de considerar o congado que já toca suas músicas há uns 300 anos.

Foi bacana ver pai, o sr Tony anemia recebendo o troféu pelo meu tio Tutúia.

Foi bacana também ver a Záza recebendo pelo meu tio Babucho.

Como dizia o velho político, eu tenho pé de grilo.

Foi bacana ver também neguinho, Ilderaldo, Edmundo, Ana Therezinha, Marcelo XUXA, velhos guerreiros da música e da cultura.

 

JÁ POSSO MORRER

 

Mas minha maior emoção estava por vir.

Primeiro, me levaram ao palco para receber um troféu pelos serviços prestados à música e à cultura.

Depois, prepararam uma grande surpresa: uma apresentação da banda de música da cidade, executando a música INTERIOR, de minha autoria.

Foi muito bacana. Na hora até pensei : já posso morrer!

Depois, Ana Therezinha, ao lado do meu velho amigo cruzeirense Edmundo, pegou o microfone para sugerir a que a música se tornasse hino da cidade. Logicamente, ficaria honrado. Me deram o microfone de bate pronto para dizer o que eu acho. De bate pronto também respondi que pra mim seria uma honra, mas que essa decisão caberia a coletividade.

 

SOBRE O FUTURO e SOBRE O PASSADO

 

Penso o seguinte. Festival tem de ser tipo desfile de escola de samba no carnaval. Terminou um e começa o outro.

O negócio é avaliar todos os itens, os erros e acertos, consertar o que ta dando errado e melhorar em tudo.

Este ano tivemos muitos problemas sim, mas tivemos um clima muito positivo, que reputo á formação de uma rede de pessoas apaixonadas pela cultura, que trabalharam de forma integrada e principalmente à presença da minha eterna professora, Dona Mariângela, que conseguiu cativar a todos com a sua presença iluminada.

 

SOBRE DONA MARIÂNGELA

 

Pra mim não é difícil  falar dessa mulher. Pra vocês terem uma idéia, nos nossos tempos de serenata, quando saíamos pra tocar sob as janelas das meninas, sempre parávamos naquela casa da rua nova. Só que ali acontecia diferente. Mariângela abria a porta, sempre sorridente e dizia: ta frio ai fora...vem tocar cá dentro. E nós aceitávamos o convite de bom grado. Repolês também nos recebia com um sorriso. Sempre havia também alguns comes e bebes e também uma cachaça peruana que se chamava Prisco...acho que era isso mesmo. Pois bem. Há muitos anos não tínhamos oportunidade de conviver e eis que tive a oportunidade de trabalhar com ela. Logo eu que fui seu aluno e que tanto aprendi. Aproveito para corrigir um erro. No meu CD Serenata, homenageei várias pessoas que me influenciaram e omiti o nome daquela, que provavelmente tenha aberto a minha cabeça para a criatividade, para a possibilidade de fazer minhas próprias músicas.

 

SOBRE OS CRÍTICOS

 

Todas as críticas procedem, pois vem de pontos de vista variados, muitas vezes com algum ressentimento, o que é normal. Realmente, alguns competidores foram prejudicados e tem razão em reclamar. É como perder um jogo com juiz roubando. Espero que a comissão permaneça unida e até que promova outras ações culturais, pois a cidade carece. Como foi dito por alguém no mural, nosso povo não sabe nem se comportar em eventos do gênero. Gostaria também que avaliassem melhor o sistema antigo, de distribuição de prêmios decrescentes até o décimo lugar. Foi uma forma criada para contemplar a todos os classificados. Avaliem também sobre o prêmio especial para o gênero pop rock, pelo número de bandas que temos e por atrair o público jovem.

 

 

 MUITA ALEGRIA...E ALGUMAS DECEPÇÕES

 

Posso dizer que foi um dos melhores finais de semana meus em anos. Infelizmente, tive de vir embora logo depois das homenagens, por causa de compromissos profissionais em Belo Horizonte. Muitos que não sabiam disso, imaginaram se tratar de algum estrelismo de minha parte, pois o pessoal do Verde Terra subiu ao palco no final e eu não estava presente. Infelizmente, ninguém tratou de informar sobre a minha partida e para muitos ficou a impressão de que eu não havia subido ao palco, por causa de dinheiro. Pelo meu esforço em prol do festival, quando me falaram sobre isso, fiquei chateado, afinal, acho que dei minha quota de participação. Quem quiser, que pergunte à Mariângela ou ao Marcelo Xuxa. A questão é que aqui mesmo no mural, Morets havia até sugerido que o festival contratasse um show meu, mas entendo a dificuldade do festival em arranjar dinheiro pois já estive na organização várias vezes. Infelizmente, a falta de sensibilidade dos nossos empresários é imensa e até mesmo

alguns bares que se beneficiaram diretamente do evento, na hora H se negaram a cumprir com o combinado. Vocês nem imaginam as dificuldades. Quanto a fazer um show meu na cidade, eu tava doido para viabilizar o lançamento do meu disco SERENATA, totalmente inspirado em Alvinópolis, mas embora tenha procurado algumas pessoas, não encontrei ninguém que se interessasse em me ajudar a promovê-lo. Assim, enfiei minha viola no saco e continuei a minha vida.