SOBRE O SOM
O pessoal
do som pisou na bola. Mandaram técnicos despreparados para
esse tipo de evento e pouco dispostos a ouvir sugestões. Em
uma das apresentações que presenciava, me dirigi ao técnico
e pedi atenção para a voz do intérprete, cuja voz estava com
volume muito alto, chegando a machucar os tímpanos. Ele não
levou em consideração e nem respondeu às minhas ponderações.
Na hora de
contratar o som, o ideal é obter mais informações sobre os
técnicos que irão trabalhar
na
sonoplastia para evitar esse tipo de problemas.
Pra piorar,
o som influenciou até no resultado do festival, pois os
prejudicados, por mais que os jurados relevem, acabaram
ficando inseguros no palco, perdendo pontos preciosos. Por
exemplo, na apresentação da banda Fator Alma, o som estava
muito ruim. A guitarra estava tão alta que escondeu o resto
da banda. A bateria parecia que nem estava microfonada. Com
isso, o vocalista acabou gritando para compensar o volume
da guitarra. Pra completar, a guitarra estaca desafinada,
esse já um erro imperdoável da banda. Mas eles tem crédito.
SOBRE OS ETERNOS VENCEDORES
Quando
Michael Schumacher estava na fórmula 1, todos reclamavam que
tava sem graça, pois ela ganhava tudo.
Schumacher
vivia o paradoxo de ser o melhor e de ser considerado chato
por causa disso.
Gil Damata
e Zé Beto são espécies de Schumachers dos festivais.
Eles ganham
pra todo lado, pois são bons mesmo.
No caso do
nosso festival, devíamos nos sentir honrados de receber
esses caras, que muito no dignifica.
SOBRE O ARGENTINO “MARCELO MENDEZ”
Quando
olhamos para o mapa e observamos de onde vem os
participantes do festival, nos deparamos com competidores
que vem de Salvador, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de
Aracajú, Belém do Pará e de centenas de cidades do interior
de Minas.
Neste
festival, tivemos um que veio da Argentina, mais
precisamente do bairro de Quilmes, em Buenos Aires, bairro
que deu origem a famosa cerveja Quilmes, patrocinadora
oficial da camisa do River Plate.
Marcelo é
violonista de formação clássica, concertista, arranjador,
tendo trabalhado com grandes nomes da música portenha.
Recentemente, lançou 2 cds, com registros de estúdio, que
vinha colecionando há algum tempo. O resultado é um estudo
sobre tangos, milongas e outros ritmos e estilos nativos e
até contemporâneos.
Interessante observar que muitas dessas canções ficaram
conhecidas no Brasil através dos famosos cantores do Rádio.
O WORKSHOP
Marcelo
trouxe um material em audiovisual para apresentar para o
público no Workshop sobre as
história da música argentina, sobre suas técnicas e outras
curiosidades culturais.
Houve um
atraso na montagem do som, mas o principal problema viria a
seguir : o telão que o Ronilson
arranjou
para exibir o audiovisual não foi compatível com o note book
e não foi possível exibir o audio-visual.
Marcelo
ficou nervoso, mas falei pra ele que improvisaríamos uma
entrevista e que eu explicaria direitinho para o público
sobre o acontecido e assim fizemos.
Fizemos um
bate papo, onde falamos das diferenças culturais Brasil
Argentina, sobre os vários estilos musicais de seu
país, influências, e entre uma prosa ou outra, ele tocava
uma música e demonstrava sua técnica apurada.
Depois
abrimos o microfone para as perguntas das pessoas e para
pedidos de música, inclusive do menino bom da orelha,
Ilderaldo, herdeiro e mestre do Prú Tchá.
O SHOW DO MARCELO MENDEZ À NOITE
Imaginei
que o show do Marcelo seria no intervalo, entre as
apresentações e soma das notas para indicar as finalistas de
domingo. Quando cheguei à praça, me disseram que o Marcelo
já estava no palco para seu show e queria que eu fizesse a
apresentação.
Fui pego de
surpresa. Pedi um tempo para tomar pelo menos um conhaque e
lá estava eu no palco apresentando o show do Marcelo. Me
perdoem pelo improviso. Não sou um apresentador. Mas alguém
tinha de fazer essa ponte. Espero que tenham gostado.
SOBRE AS HOMENAGENS
Foi
emocionante ver o sr José Araújo cantando e sendo
acompanhado pelo violão bem harmonizado do meu mano Rogério.
A música de
Alvinópolis começou lá atrás.
É uma
espécie de academia informal.
O choro
Guarani talvez seja nossa referência mais antiga.
Temos
também de considerar o congado que já toca suas músicas há
uns 300 anos.
Foi bacana
ver pai, o sr Tony anemia recebendo o troféu pelo meu tio
Tutúia.
Foi bacana
também ver a Záza recebendo pelo meu tio Babucho.
Como dizia
o velho político, eu tenho pé de grilo.
Foi bacana
ver também neguinho, Ilderaldo, Edmundo, Ana Therezinha,
Marcelo XUXA, velhos guerreiros da música e da cultura.
JÁ POSSO MORRER
Mas minha
maior emoção estava por vir.
Primeiro,
me levaram ao palco para receber um troféu pelos serviços
prestados à música e à cultura.
Depois,
prepararam uma grande surpresa: uma apresentação da banda de
música da cidade, executando a música INTERIOR, de minha
autoria.
Foi muito
bacana. Na hora até pensei : já posso morrer!
Depois, Ana
Therezinha, ao lado do meu velho amigo cruzeirense Edmundo,
pegou o microfone para sugerir a que a música se tornasse
hino da cidade. Logicamente, ficaria honrado. Me deram o
microfone de bate pronto para dizer o que eu acho. De bate
pronto também respondi que pra mim seria uma honra, mas que
essa decisão caberia a coletividade.
SOBRE O FUTURO e SOBRE O PASSADO
Penso o
seguinte. Festival tem de ser tipo desfile de escola de
samba no carnaval. Terminou um e começa o outro.
O negócio é
avaliar todos os itens, os erros e acertos, consertar o que
ta dando errado e melhorar em tudo.
Este ano
tivemos muitos problemas sim, mas tivemos um clima muito
positivo, que reputo á formação de uma rede de pessoas
apaixonadas pela cultura, que trabalharam de forma integrada
e principalmente à presença da minha eterna professora, Dona
Mariângela, que conseguiu cativar a todos com a sua presença
iluminada.
SOBRE DONA MARIÂNGELA
Pra mim não
é difícil falar dessa mulher. Pra vocês terem uma idéia,
nos nossos tempos de serenata, quando saíamos pra tocar sob
as janelas das meninas, sempre parávamos naquela casa da rua
nova. Só que ali acontecia diferente. Mariângela abria a
porta, sempre sorridente e dizia: ta frio ai fora...vem
tocar cá dentro. E nós aceitávamos o convite de bom grado.
Repolês também nos recebia com um sorriso. Sempre havia
também alguns comes e bebes e também uma cachaça peruana que
se chamava Prisco...acho que era isso mesmo. Pois bem. Há
muitos anos não tínhamos oportunidade de conviver e eis que
tive a oportunidade de trabalhar com ela. Logo eu que fui
seu aluno e que tanto aprendi. Aproveito para corrigir um
erro. No meu CD Serenata, homenageei várias pessoas que me
influenciaram e omiti o nome daquela, que provavelmente
tenha aberto a minha cabeça para a criatividade, para a
possibilidade de fazer minhas próprias músicas.
SOBRE OS CRÍTICOS
Todas as
críticas procedem, pois vem de pontos de vista variados,
muitas vezes com algum ressentimento, o que é normal.
Realmente, alguns competidores foram prejudicados e tem
razão em reclamar. É como perder um jogo com juiz roubando.
Espero que a comissão permaneça unida e até que promova
outras ações culturais, pois a cidade carece. Como foi dito
por alguém no mural, nosso povo não sabe nem se comportar em
eventos do gênero. Gostaria também que avaliassem melhor o
sistema antigo, de distribuição de prêmios decrescentes até
o décimo lugar. Foi uma forma criada para contemplar a todos
os classificados. Avaliem também sobre o prêmio especial
para o gênero pop rock, pelo número de bandas que temos e
por atrair o público jovem.
MUITA ALEGRIA...E ALGUMAS DECEPÇÕES
Posso dizer
que foi um dos melhores finais de semana meus em anos.
Infelizmente, tive de vir embora logo depois das homenagens,
por causa de compromissos profissionais em Belo Horizonte.
Muitos que não sabiam disso, imaginaram se tratar de algum
estrelismo de minha parte, pois o pessoal do Verde Terra
subiu ao palco no final e eu não estava presente.
Infelizmente, ninguém tratou de informar sobre a minha
partida e para muitos ficou a impressão de que eu não havia
subido ao palco, por causa de dinheiro. Pelo meu esforço em
prol do festival, quando me falaram sobre isso, fiquei
chateado, afinal, acho que dei minha quota de participação.
Quem quiser, que pergunte à Mariângela ou ao Marcelo Xuxa. A
questão é que aqui mesmo no mural, Morets havia até sugerido
que o festival contratasse um show meu, mas entendo a
dificuldade do festival em arranjar dinheiro pois já estive
na organização várias vezes. Infelizmente, a falta de
sensibilidade dos nossos empresários é imensa e até mesmo
alguns
bares que se beneficiaram diretamente do evento, na hora H
se negaram a cumprir com o combinado. Vocês nem imaginam as
dificuldades. Quanto a fazer um show meu na cidade, eu tava
doido para viabilizar o lançamento do meu disco SERENATA,
totalmente inspirado em Alvinópolis, mas embora tenha
procurado algumas pessoas, não encontrei ninguém que se
interessasse em me ajudar a promovê-lo. Assim, enfiei minha
viola no saco e continuei a minha vida.