1º Bienal Internacional do Graffiti

 

O Alvinews teve o prazer de visitar a 1º Bienal Internacional do Graffiti, realizada na Serraria Souza Pinto, amplo espaço cultural situado bem debaixo do Viaduto de Santa Teresa, onde a mais contundente mostra de arte da capital de Minas Gerais foi realizada.

Fomos convidados pelo Rui Santana, artista plástico, curador e realizador da bienal  para conhecer mais de perto esta arte que cresce a cada dia.

Ele nos contou um pouco da história do grafite(graffiti em inglês) que saiu da marginalidade para se tornar uma arte que cresce a cada dia, com cursos nas principais faculdades de Belo Horizonte.

 

Abaixo você verá alguns dos principais trabalhos expostos na Bienal e que poderão nos mostrar um pouquinho desse grande evento.

Desde já os nossos agradecimentos ao Rui Santana pela oportunidade.

Alguns trechos de um artigo do Estado de Minas estão citados abaixo.

As fotos são todas de autoria deste site.

Espero que vocês gostem.

Saudações Alvinopolenses.

Gjunior.

 

São dezenas de obras monumentais, vibrantes, de batimento urbano e impactante força visual. Realizadas, especialmente para o evento, por artistas brasileiros e de outros países.

Os nomes dos artistas se parecem muito com os nomes de DJs – Hyper, Acme, Lance, Dninja, Trampo, entre outros, que pintam sozinhos ou em duplas e equipes, como se estivessem se divertindo, dançando hip hop, andando de skate, ou outras manifestações culturais.

E por diversão – adoram arte como gostam de hip-hop e skate, por sinal, berços também da manifestação que abraçaram. E que, de spray na mão, realizaram uma façanha: levaram a pintura para as ruas, fazendo com que seja de todos a arte que era de poucos.

Em vários países do mundo, principalmente os grandes centros, muitas obras de grande porte são pintadas por grafiteiros, mostrando que se pode misturar a arte ao contraste das grandes obras de concreto sem vida.

"É gente de talento, que não vem de elites econômicas, culturais ou religiosas, mas das periferias abandonadas e que, rompendo estruturas acadêmicas, correndo o risco de ser tida como marginal, está fazendo arte com soluções estéticas extremamente novas e com conteúdo ético", afirma Rui Santana (foto abaixo), artista plástico, curador e idealizador da bienal.

Há mais de uma década ele anda às voltas com oficinas e divulgação do pessoal que conheceu por meio do projeto Arena da Cultura.

A programação principal foi dividida em quatro mostras:

 

Módulo histórico, história do grafite desde a pré-história até os dias de hoje;

Diálogos híbridos, obras que são produto de parceria entre artistas acadêmicos e grafiteiros;

 

A grande arte, o grafite como arte contemporânea;

 

e Arte de rua, objetos e derivações, grafites sobre carros, camas, máquinas, objetos eletrônicos etc.

 


Várias palestras foram realizadas  quem quis conhecer o universo de onde emerge o grafite, com destaque para  "Arte marginal e nova estética" e "O grafite como identidade dos séculos 20 e 21". Ambas parte de seminário cujo tema são as relações entre grafite, criatividade e cidadania.

Vários shows também aconteceram, ampliando o diálogo do grafite com outras linguagens.


Para o curador, o que está explícito ou implícito no grafite são questões não discutidas do cotidiano: "A desumanidade da nossa sociedade, os dramas do abandono, o descaso com a autopreservação, a necessidade de consciência ecológica planetária, questões que foram colocadas diretamente na rua, sem pedido de autorização a ninguém". E vai além: "O grafite é o primeiro movimento mundial da história da arte. Ele tem dimensão planetária, porque vem movido por grande força criativa". Rui identifica neste elemento a energia que vaza todas as barreiras. Trata-se, segundo ele, de proposta que praticamente promove o renascimento da pintura depois do hiato criado pela ênfase da produção recente em instalações e na arte conceitual.

"É algo muito original", avisa. E que introduz nova técnica (o uso do spray), rompe com suporte tradicional (a tela) e trabalha em escalas urbanas.

 

"É prática que dialoga com as vanguardas, com a modernidade, carregada de flashes de vários movimentos artísticos", completa, citando, como exemplo, a pop-art, o expressionismo, o abstracionismo, o futurismo e o hiper-realismo. O hábito de criações em equipe é "quase contramão do individualismo", praticado por gente que cresceu e adora computadores.

 



DIVERSIDADE

O paulista Binho Ribeiro tem 37 anos, 24 deles dedicados ao grafite. É também curador da bienal. Já grafitou em vários países, edita revista especializada sobre o assunto, e tem grife de roupas chamada 3º Mundo. Como ele explica, na seleção dos participantes priorizou-se a diversidade de estilos e representação geograficamente ampla. Valorizaram-se, ainda, lideranças regionais do movimento, de modo que possam levar a experiência mineira para onde atuam. "A Bienal de Grafite é oportunidade de ver, num único lugar, arte que existe por toda a cidade. E de conhecer os artistas", acrescenta. Com relação à produção brasileira, conta que ela tem "improviso, liberdade de técnicas e estilos próprios", elementos que chamam a atenção de olhares estrangeiros.

O futuro do grafite?

"Crescer, conquistando mais e novos espaços. E respeito de adolescentes que descobrem a função pessoal e social da arte", conclui.

 



"A Bienal é demarcação do território e dos valores da arte urbana e do grafite e reunião de várias culturas. É oportunidade de a sociedade conhecer melhor o que fazemos. O grafite talvez seja a última manifestação expressiva da arte contemporânea. É arte bonita de ser vista. Vai ser, ainda, oportunidade de conhecer os grafiteiros, que são artistas meio invisíveis, já que ninguém os vê pintando".
Lance e Rivas (DF)

 



"A importância da Bienal é reunir grafiteiros de todas as partes do Brasil, criando oportunidade de nos conhecermos e lutar pela nossa arte. O bonito do grafite é poder expressar o sentimento da maneira que você quiser, poder pintar com os amigos. Alguns têm mensagens políticas, de protesto. A minha é: 'Espalhar amor e energia positiva no mundo'".
Waleska Nomura (SP)

 

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Saudações Alvinopolenses.