Como conquistar um emprego

Parte 7

 

Max Gehringer

 

 

A importância dos Genivais

 

AS EMPRESAS ESTÃO CHEIAS DE FUNCIONÁRIOS QUE SÃO MUITO MAIS importantes do que aparentam ser. Eu aprendi isso há muitos anos, quando fazia parte de um comitê de empresas que fabricavam produtos derivados de

tomate. Todo ano, nós tínhamos que nos reunir com o sindicato dos produtores de tomate para discutir o preço a ser pago pela safra seguinte. Só tinha um problema. Os produtores eram todos japoneses. E só conversavam entre eles em japonês. E a gente não entendia bulhufas do que eles estavam falando. Então, lá íamos nós, cinco diretores de cinco empresas para a reunião. Quem nos levava era um motorista chamado (Genival. Moreno, baixinho, e sempre com aquela cara de quem tinha acabado de acordar. Aí, a gente entrava na reunião e oferecia um preço. E os japoneses pediam o triplo. E começava aquela discussão. E os japoneses, confabulando entre eles, em japonês. E o Genival, que não tinha o que fazer, ficava ali cochilando, sentado perto da porta, fora da mesa de reunião. Depois de duas ou três horas de negociação, nosso grupo pedia licença e saía da sala para confabular. E aí o Genival falava: “Por um real eles fecham o acordo”. Porque o Genival falava japonês. E os japoneses não sabiam. Então, a gente voltava para a sala e fechava o acordo. Não sei quanto dinheiro nós economizamos pelo fato de ter o Genival conosco, mas foi um monte. Ano após ano, os japoneses do sindicato nunca deram nenhuma importância ao Genival. Mas de todos nós ali na reunião, cinco imponentes diretores e um humilde motorista, o Genival era, de longe, o mais importante. Hoje, as empresas estão cheias de Genivais, mas a maioria delas não se preocupa em fazer o óbvio - descobrir e aproveitar o que cada funcionário pode oferecer de melhor.

 

 

Como lidar com os mentirosos

 

NA VIDA PROFISSIONAL, TODOS NÓS FICAMOS CONHECENDO VÁRIOS tipos de mentirosos. Desde os que contam mentirinhas inocentes em entrevistas, até os que contam mentiras enormes para prejudicar os colegas. Mas há um tipo de mentiroso que nem sempre avaliamos com o devido cuidado. É o mentiroso compulsivo. Ao contrário dos mentirosos normais, que mentem deliberadamente, o mentiroso compulsivo acredita na própria mentira. A mentira compulsiva é um distúrbio, como é, por exemplo, a cleptomania, em que a pessoa rouba sem a noção de que está roubando. Do mesmo modo, o mentiroso compulsivo perde a consciência para o fato de estar mentindo. Ele não mente nem para se beneficiar, nem mente para prejudicar alguém. Ele mente porque mente. Estudos científicos revelam que o cérebro de um mentiroso compulsivo é diferente dos cérebros das pessoas normais. Suas mentiras são tão elaboradas e tão cheias de detalhes, que dão a impressão de serem mais verdadeiras do que a própria verdade. Se você trabalha em uma empresa que tem cem funcionários, é bastante provável que um deles seja um mentiroso compulsivo. Eu encontrei alguns durante a minha carreira. E vi suas mentiras causarem grandes estragos, para a empresa e para os colegas. Mas, no primeiro momento, era quase impossível não acreditar nas histórias que os compulsivos contavam, porque elas eram tão minuciosas, que faziam mais sentido do que a própria realidade. Só há uma maneira de descobrir um mentiroso compulsivo. É fazer a ele perguntas sobre pequenas coisas, que só a gente sabe. Como o mentiroso compulsivo não consegue evitar a mentira, ele vai responder dando detalhes que nós sabemos que são falsos. De certa forma, o mentiroso compulsivo é o melhor dos mentirosos. Mas, nem por isso, é menos perigoso.

 

 

A cara e o perfil da empresa

 

VAMOS FALAR UM POUCO DE CIRURGIA PLÁSTICA. Ao CONTRARIO DO que muita gente imagina, um cirurgião plástico não tem esse nome porque usa materiais artificiais, como o silicone e o colágeno, para aumentar bustos e lábios. A palavra plástica já era usada nas cirurgias corretivas antes mesmo da invenção dos plásticos. Em grego, plastikós significa “moldar”. E tudo começou

por causa das guerras. Soldados voltavam para casa sem queixo e sem nariz, e era necessário remodelar o rosto das vítimas. É claro que, assim que os cirurgiões aprenderam as técnicas de reconstrução, não demorou muito para a necessidade ser substituída pela vaidade. Afinar o nariz e aumentar os seios, mesmo que isso não fosse necessário, passou a ser importante para pessoas que queriam parecer mais bonitas, ou aparentar menos idade. Como bem se sabe, a enorme maioria das pessoas, homens ou mulheres, não é agraciada pela natureza com rostos ou corpos perfeitos. A cirurgia plástica caiu do céu para resolver essa situação. Pelo menos, para aqueles privilegiados que podem pagar. Essas pessoas são, então, moldadas. E se tornam, vistas por fora, diferentes do que eram. No mercado de trabalho, a regra é a mesma. Não, nenhuma empresa está exigindo que seus funcionários apliquem botox na testa. Mas as empresas estão exigindo que eles se amoldem a um perfil. Um perfil padronizado de como falar, de como se vestir, de como se comportar. Evidentemente, os autênticos são os que mais sofrem. E os que se amoldam ao perfil são os que têm mais futuro. Estamos vivendo a época do funcionário plástico. E, quando alguém acusa o funcionário plástico de ser artificial, ele reage igualzinho a alguém que fez uma operação plástica. Ou seja, nega. O mundo corporativo não pertence mais a quem é o que sempre foi e tem sempre a mesma cara. Pertence aos que amoldam seu perfil e ficam parecidos com o que a empresa quer que eles sejam.

 

 

 

Dependendo da situação, somos todos líderes

 

TODOS NÓS JÁ OUVIMOS A EXPRESSÃO “NESTA VIDA HÁ LÍDERES E HÁ seguidores”. E creio que todos concordamos que há mais seguidores do que líderes, porque um líder sempre tem mais que um seguidor. É claro que todo seguidor tem a ambição de se tornar um líder, e a pergunta é: o que se deve fazer para isso acontecer? Na verdade, a resposta é tão simples que parece complexa. Liderança nada mais é do que a capacidade de influenciar um grupo. Um líder tem ambição, energia, vontade de liderar, autoconfiança e conhecimento. Coisas que a maioria das pessoas acha que tem, e tem mesmo. Cada um de nós é um líder em potencial. A parte difícil é saber como passar da teoria à prática. Há duas semanas, eu vi uma empresa fazer uma demonstração prática disso. Ela levou seus funcionários para a beira de um rio, que tinha uma correnteza forte, e botou cinco funcionários, escolhidos ao acaso, dentro de um barco. Cada um ganhou um remo e aí o barco foi solto na correnteza. O objetivo era levar o barco até a linha de chegada, cem metros adiante. A primeira reação foi de pânico, mas não demorou nem dez segundos para que um dos cinco começasse a orientar os outros quatro, coordenando o ritmo das remadas e cuidando para que o barco não virasse nem atolasse na margem do rio. Esse era o líder? Sem dúvida. Só que, quando o barco atingiu a linha de chegada, a empresa tirou do barco o líder e fez os quatro seguidores voltarem ao ponto de partida. E soltou o barco de novo. Aí veio a surpresa: um dos quatro imediatamente assumiu a posição de líder. Ë o barco chegou de novo a seu destino. Aí, saiu do barco o segundo líder e ficaram os três seguidores. E o barco fez o percurso novamente, sem afundar, porque um dos três liderou os

outros dois. Liderança, o exercício mostrou, todos ali tinham. E a lição era simples: quando a situação aperta, o líder sempre aparece. Só que, enquanto a maioria fica pensando no que precisa aprender para se tornar um líder, uns poucos já saem liderando. Na teoria, todos somos líderes. Na prática, o líder é o que aproveita antes a oportunidade de ser líder.

 

Do livro " O melhor de Max Gehringer na CBN - Volume 1".

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