Trabalhe melhor

 

Max Gehringer

 

 

A paixão e os números


EU CONVIVI COM DOIS GERENTES QUE COMPARTILHAVAM DA MESMA visão sobre os negócios da empresa. Mas eles tinham comportamentos opostos. Um deles era movido pela paixão. Era comovente ouvir aquele gerente defender seus pontos de vista. Ele se inflamava ao falar e, depois de cinco minutos de argumentação, convencia qualquer platéia. Já o outro gerente não tinha um pingo dessa paixão, mas tinha algo que o primeiro não tinha. Números. Nem bem o gerente apaixonado tinha terminado de falar, o gerente numérico abria uma planilha e passava cinco minutos mencionando dados concretos. Obviamente, um não gostava do outro. As vezes, um ganhava a discussão. Outras vezes, o outro ganhava.
Demorou anos para ambos compreenderem que eles não eram adversários. Eram aliados. Quando os dois finalmente se juntaram, tudo ficou mais simples. Um providenciava os números, e o outro os defendia com paixão. Separados, eles provocavam conflitos. Juntos, convenciam qualquer um. No trabalho, paixão é fundamental. Mas só ela não resolve. Paixão é uma palavra que, em sua origem, significava sofrimento. É por isso que a Paixão de Jesus ganhou esse nome. Não é porque Jesus amou, é porque ele sofreu. Pelo mesmo motivo, nas empresas quem só tem paixão sofre, porque pode ser desmentido pelos números. E quem só tem números não apaixona ninguém, porque é monótono. Alexandre, o Grande, fazia belos discursos para seus soldados antes das batalhas. Sempre terminava falando de bravura, de coragem e de paixão. Mas sempre começava o discurso mencionando que seu exército tinha milhares de homens a mais que o exército inimigo. Como Alexandre, o Grande, provou, com paixão é possível conquistar o mundo. Desde que essa paixão seja sustentada por números confiáveis.

 

 


A arte de negociar


NAS EMPRESAS, FALA-SE MUITO SOBRE AS CARACTERÍSTICAS DO LÍDER. E essa discussão sobre a liderança acaba deixando em segundo plano uma característica vital para o desenvolvimento de qualquer carreira - a do negociador. Porque, se nem todos os funcionários vão chegar a líderes, pelo menos no organograma, todos, sem exceção, precisam ser negociadores. Negociar é o que as pessoas mais fazem, todos os dias, embora muitas nem se dêem conta disso. A maioria entende negociação como uma reunião formal com fornecedores ou com clientes, mas pedir um simples favor para um colega de trabalho também é uma negociação. Um levantamento de dados, por exemplo. Ou a solicitação para que um relatório seja apressado. E as pessoas que não conseguem o que pedem sempre acabam achando que o colega é lento, ou incompetente, ou está fazendo corpo mole. A negociação interna tem três regrinhas bem simples. A primeira é descobrir a melhor maneira de fazer a abordagem. Tem gente que não gosta de quem fala alto, tem gente que não gosta de quem fica enrolando para pedir alguma coisa, e tem gente que não gosta de quem chega e já vai pedindo. A segunda é tentar mostrar para
a outra pessoa que benefícios ela terá se fizer o favor solicitado. Porque, todos nós somos mais ou menos iguais nessa hora: por que vamos parar as coisas importantes que estamos fazendo, só para atender a algum apressadinho? E a terceira é elogiar a pessoa que fez o favor - para os colegas ou para o chefe dela. Essa é a maior garantia de que a pessoa estará receptiva da próxima vez. Todos os dias, um funcionário normal faz, no mínimo, vinte negociações internas. E, em mais da metade dos casos, não se preparou adequadamente para negociar e acaba não conseguindo o que quer. Na administração da própria carreira, a liderança é uma boa qualidade. Mas a arte de saber negociar é mais que isso: é uma necessidade.

 


 

O esforço é ótimo, mas o que vale é a estratégia.


MUITA GENTE VIVE PERGUNTANDO POR QUE, SE EU ME ESFORÇO tanto e se me esforço muito mais do que a maioria de meus colegas, tenho menos sucesso do que eles? E a resposta é: exatamente porque você se esforça tanto. Essa resposta não é minha, é de Felix Paturi, um engenheiro que criou o Princípio de Paturi, há mais de 30 anos. Segundo Paturi, o sucesso é inversamente proporcional ao esforço que alguém faz para consegui-lo. Um dos exemplos mais comuns disso, diz Paturi, já vem desde o berço. Um bebê quer engatinhar do quarto até a cozinha, onde está sua mãe. Mas o bebê logo percebe que o esforço para conseguir completar o trajeto vai ser muito grande. E aí o bebê simplesmente pára, senta e chora. E a mãe vem correndo da cozinha para carregá-lo até lá. Ou seja, o sucesso da operação não dependeu do esforço, mas da estratégia. No caso, o choro. O mesmo princípio vale para as pessoas de sucesso. Em vez de despenderem um enorme esforço, elas encontram pessoas que se esforçam por elas, enquanto ficam planejando os próximos esforços. É por isso que Presidentes e Diretores não são as pessoas que mais trabalham numa empresa. Eles nunca estão suados, ou despenteados, ou ofegantes. Generais que lutavam à frente de seus exércitos, e durante a batalha se comportavam como se fossem soldados, desapareceram há quase oito séculos. Eles foram substituídos pelos generais estrategistas, que talvez nem soubessem empunhar direito uma espada e não tinham resistência física para agüentar meia hora de batalha. Não que esforço, hoje em dia, seja uma coisa negativa. Muito pelo contrário. Esforço é ótimo. Mais que ótimo, é vital. Mas o que vale, mesmo, é a estratégia. Como previa Felix Paturi, o sucesso nas empresas será cada vez menos uma questão de força. E cada vez mais uma questão de jeito.

 

Do livro " O melhor de Max Gehringer na CBN - Volume 1".

Se quiser saber tudo sobre carreira, currículo, comportamento e liderança, adquira o livro.

Um livro que vale a pena ter em casa para consultar sempre.

 

Colunas anteriores