Relacionamento, uma porta para o emprego

 

Max Gehringer

 

 

 

Você se lembra de mim?

 

UMA EXPERIÊNCIA MUITO DESAGRADÁVEL QUE TODOS NÓS PASSAMOS de vez em quando é alguém chegar no meio do nada e perguntar: “Você está lembrado de mim?”. Porque, nove em dez vezes, a gente não tem a mínima ideia de quem seja aquela pessoa. E ela lá, olhando pra nós. E nós ali, disfarçando. E nove em dez vezes, a gente dá a resposta errada: “Claro que lembro”.

E aí fica tentando adivinhar ou conseguir alguma pista. O erro, numa situação dessas, não é de quem não lembra do nome, é de quem fez a pergunta. Assim como qualquer produto gasta rios de dinheiro para consolidar uma marca, um profissional tem que estar preocupado, desde o primeiro dia em que começa a trabalhar, em consolidar o seu nome. Nosso nome é nossa primeira marca registrada. Se nós não conseguimos fazer com que as pessoas lembrem do nosso nome, como podemos querer que elas lembrem dos nossos resultados? No Evangelho de São João está escrito que a primeira providência que Jesus de Nazaré tomou ao iniciar sua vida pública foi a de fazer o povo acreditar em seu nome, Os milagres vieram depois. Nas empresas é a mesma coisa: a construção de uma carreira tem que começar pela construção de um nome. As pessoas mais bem-sucedidas que eu conheço, aquelas de quem eu me lembro bem do nome, sempre começam qualquer conversa dizendo o próprio nome, mesmo que isso já não seja mais necessário, porque todo mundo sabe o nome delas. Essas pessoas têm um nome porque são bem-sucedidas ou são bem-sucedidas porque tem um nome? É claro que todas elas começaram pelo mais fácil, repetindo o nome até que ele ficasse bem grudado na memória de quem interessava.

Depois é que veio o sucesso.., e os milagres.

 

 

 

A política dentro das empresas

 

A REVISTA EXAME PUBLICOU UMA PESQUISA INTERESSANTE. A PERGUNTA era: “Você faz política corporativa para ter sucesso em sua carreira profissional?”. E o resultado foi um empate técnico. 49% responderam que não. E 51% que sim. E não é difícil concluir que aqueles que responderam não enxergam a política dentro da empresa como algo condenável, que só serve para beneficiar os mais espertos em detrimento dos melhores. Já os que responderam “sim” entendem que saber costurar alianças e divulgar bons resultados é uma estratégia pessoal muito importante, desde que feita com ética. Minha experiência em empresas me mostrou que as pessoas que dedicam parte de seu tempo a fazer política corporativa acabam, de fato, conseguindo mais promoções e melhores salários. O problema dos que não concordam com essa atitude talvez esteja na própria palavra “política”. Ela tem, hoje em dia, graças aos esforços de nossos parlamentares, uma conotação extremamente negativa. De modo geral, nossos políticos perderam a confiança do povo. Ninguém acredita mais neles. Seus discursos são vazios. Eles são vistos como aproveitadores, sempre dispostos a botar no próprio bolso um dinheiro que poderia estar sendo usado em educação e em obras sociais. Por isso, muitos funcionários acreditam, e com razão, que ser chamado de “um bom político” dentro da empresa parece mais uma crítica do que um elogio. A verdade é que, com raríssimas exceções, todos somos políticos. As vezes, temos que engolir alguns sapos, outras vezes temos que falar alto para sermos ouvidos, ou fazer propaganda de nossas boas virtudes. No mundo corporativo, a questão não é se a política é boa ou ruim. A questão é que ela existe e sempre existirá. Hoje, 49% dos funcionários estão vendo a política na empresa como uma ameaça que precisa ser combatida. E 51%, como uma oportunidade que pode ser aproveitada. Qual lado está certo? A decisão, democraticamente, é de cada um.

 

 

 

Pequenos cuidados

 

SUBIR NA VIDA PROFISSIONAL É UMA QUESTÃO DE DETALHES. POR exemplo, o mau hálito. Eu não conheço nenhum diretor ou presidente de empresa que tenha mau hálito, e acho que o motivo é simples: quem tem mau hálito já é barrado na porta do baile corporativo. É claro que ninguém vai ser dispensado de uma empresa só porque tem mau hálito, mas eu já vi muita carreira desacelerar por causa disso. Conversar com alguém com mau hálito é uma das experiências mais penosas que existem, porque quem tem mau hálito tem também aquela mania de falar bem pertinho da cara da gente. Aí, numa conversa, quem sente aquele bafo dá um passo para trás. E o sujeito com mau hálito dá um passo para frente. Cinco minutos depois, os dois já estão a 20 metros de onde começaram à conversar. Agora, uma notícia muito importante: todo mundo tem mau hálito, O que varia é o grau de intensidade. A boa notícia é que existe um teste prático para medir o mau hálito, que não requer prática nem habilidade. É o seguinte. Coloque a língua para fora da boca, o mais possível. Mais um pouco. Isso. Agora, dê uma lambida no pulso com a parte posterior da língua, aquela que fica na garganta quando a boca está fechada. Agora conte devagarinho até cinco. E cheire o pulso a dez centímetros de distância. Sentiu? Pois esse é o mesmo cheiro que as pessoas sentem quando falam com você. Mas não se preocupe, há várias maneiras de resolver o problema facilmente, e a melhor delas não é passar a vida mascando chiclete. É consultar um dentista ou um otorrino. A carreira vai agradecer, e os colegas também. Ah, um último lembrete: nunca faça o teste da língua na frente da secretária da Diretoria, porque ela pode pensar que é

assédio sexual.

 

 

Do livro " O melhor de Max Gehringer na CBN - Volume 1".

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Um livro que vale a pena ter em casa para consultar sempre.

 

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