Trabalhe melhor

 

Max Gehringer

 

 

 

A matemática do sucesso

NÃO HÁ QUEM NÃO QUEIRA SER UM SUCESSO NA VIDA.
FAZENDO UMA rápida pesquisa na Internet, eu descobri que há nada menos que 72 milhões de sites com a palavra “sucesso”. É verdade que há bem mais sites com a palavra “sexo” - nada menos que 332 milhões. Ou seja, para cada pessoa querendo sucesso, há cinco querendo sexo. Podemos então deduzir que pelo menos a continuidade da raça humana em nosso planeta já está garantida, com sucesso ou sem sucesso. Em compensação, a palavra felicidade aparece apenas em 10 milhões de sites, o que significa que, para cada pessoa que quer apenas ser feliz, existem sete que querem ser um sucesso. Então, sucesso é importante. A questão é como ter sucesso. Mas, de novo, a Internet dá uma pista. Dos 72 milhões de sites com a palavra sucesso, nada menos que 12 milhões têm a expressão “os passos para o sucesso”. Quer dizer, existem milhões de receitas que mostram como chegar ao sucesso, passo a passo. Desses sites, a grande maioria está concentrada em poucos passos. Dois, três ou quatro passos para o sucesso. A medida que os passos aumentam, a quantidade de sites diminui. Há, por exemplo, milhões de sites que ensinam como ter sucesso em três ou quatro passos, mas existem apenas 600 sites que mostram como chegar lá em 14 passos. E tudo isso nos Lesa a duas conclusões. A primeira é aquilo que todo mundo já sabe - na Internet pode se achar quase tudo, para descobrir quase nada. E a segunda conclusão é aquilo que a gente sempre desconfiou: a humanidade de modo geral, é ambiciosa, mas é preguiçosa. Todo mundo quer ser um sucesso, mas poucos estão dispostos a caminhar muito para consegui-lo.

 


 

O engraçado e o engraçadinho

BOM HUMOR, TODO MUNDO SABE, É FUNDAMENTAL PARA CRIAR UM bom ambiente de trabalho. Mas existe uma enorme diferença entre o humor que diverte e o humor que ofende. Eu senti isso na pele, já no meu primeiro emprego. Eu trabalhava numa fábrica. Uns 70% dos funcionários usavam macacões, e o resto se vestia como bem entendia. Um dia, a Direção da empresa resolveu implantar um programa de padronização. E decidiu que quem não usasse macacões passaria a usar jalecos. Todos os jalecos eram de cor cinza, mas os graus hierárquicos seriam diferenciados pela gola. Os chefes teriam gola vermelha, os supervisores teriam gola azul, os encarregados teriam gola verde. Eu era apontador de produção e usaria o jaleco com a gola mais humilde, a amarela. A idéia parecia boa, mas o festival de cores logo se transformou num festival de vaidades. Os chefes se sentiram mais chefes, começaram a falar mais alto, e sempre apontavam para a própria gola quando davam uma ordem. Já a minha turma foi apelidada de “os amarelinhos”. Ou seja, quando alguém com uma gola mais vistosa nos desse uma bronca, nós tínhamos que amarelar. Insatisfeito, para não dizer irritado, eu reagi de modo bem-humorado. Coloquei no quadro de avisos da fábrica um cartaz que dizia: “Se a cor da gola fosse sinal de prestígio, o palhaço seria dono do circo”. O pessoal que usava macacão morreu de rir e os amarelinhos adoraram. Só que os chefes, supervisores e encarregados não gostaram. Eu levei uma suspensão e escapei de ser demitido por muito pouco. Só muito tempo depois eu fui entender que minha frase, por mais bem-humorada que fosse, era também cáustica, ofensiva e inoportuna. Essa é a regra básica para a utilização do bom humor. O engraçado é respeitado, mas o engraçadinho é punido.


 

 

As formas de encarar um trabalho

EMBORA EU NÃO SEJA DO RAMO, TIVE A OPORTUNIDADE DE PARTICIPAR de um Congresso brasileiro que reuniu técnicos de laboratório clínico. Um pessoal especializado em análises. E, lá pelas tantas, eu me vi fazendo parte de um grupo no qual havia vários técnicos especialistas em exames de fezes. Com certeza, esse não é o assunto mais apropriado para uma conversa após o jantar, mas o assunto acabou girando em torno daquela atividade que, no mínimo, não cheira bem. E percebi que existiam três opiniões bem diferentes entre os especialistas em exames de fezes ali presentes. Um deles foi claro e direto e disse que seu trabalho era todo dia aquela mesma eme. Um outro foi mais científico e disse que sua tarefa consistia em análises parasitológicas em equipamentos de última geração tecnológica. Mas foi o terceiro que mais me chamou a atenção. Ele disse que sua função era muito nobre, porque dela dependia a prevenção e o tratamento de doenças em seres humanos. Incrível, eu pensei comigo, enquanto traçava um pudim. A mesma atividade, e três visões diferentes. Exatamente a mesma coisa que acontece com qualquer função em qualquer empresa. Tem gente que prefere enxergar só o lado negativo daquilo que faz. Tem gente que gosta de florear. E tem gente que vê o trabalho que faz como parte de um objetivo muito maior e muito mais importante. A experiência mostra que as pessoas do primeiro tipo, os que só reclamam, vão ficar fazendo o mesmo trabalho a vida inteira. As pessoas do tipo dois, as mais científicas, viram chefes dos que só reclamam. Mas são os que enxergam mais à frente que se tornam chefes das outras duas. Qualquer função pode cheirar mal. E a decisão que cada funcionário deve tomar em relação a seu trabalho é bem simples: ou avaliá-lo usando o cérebro, ou usando apenas o nariz.


 

 

Demonstrar o monstro


TODOS NÓS PASSAMOS BOA PARTE DE NOSSO TEMPO TENTANDO demonstrar alguma coisa para alguém. Nosso ouvinte Tiago, por exemplo, é um demonstrador de sistemas. Ele trabalha para uma empresa que produz programas de computador que vão ajudar a melhorar a produtividade de outras empresas. Só que, como relata o Tiago, as pessoas para quem ele demonstra o sistema ficam meio assustadas, meio ressabiadas e até com receio de fazer perguntas. No fim, o Tiago diz que a maioria de suas demonstrações resulta em nada e ele fica frustrado. E vive se perguntando se a sua maneira de demonstrar é que estaria errada. Caro Tiago, existe uma maneira interessante de você entender o que se passa na cabeça das pessoas quando você, ou qualquer profissional, faz uma demonstração. O verbo demonstrar veio do latim e se divide em duas palavras. O “de” inicial significa “tirar”. E o “monstrar” é um verbo latino que se traduz como “aquilo que se vê”. Como você sabe, a maioria das pessoas costuma ver as novidades e, principalmente, os problemas, de uma maneira exagerada. E quase todos nós tendemos a enxergar complicações onde elas não existem. Por isso, não é de estranhar que o verbo latino monstrar tenha dado origem a outra palavra bem conhecida: monstro. Desde sempre, as pessoas imaginam que estão cercadas por monstros. Há mil anos, esse monstro era um dragão. Hoje, pode ser um sistema de computador. O que o bom demonstrador faz é o que a própria palavra demonstração diz: tirar da cabeça das pessoas o monstro que elas pensam que estão enxergando. E a melhor maneira de você fazer isso é visualizando o seu programa de computador como um monstro. Ou seja, não explique o que você vê, explique o que as pessoas pensam que estão vendo. Evite termos técnicos e seja solidário com a ignorância dos usuários. Enquanto eles acreditarem que o monstro existe, você não estará demonstrando. Estará só aumentando o tamanho do monstro.

 

Do livro " O melhor de Max Gehringer na CBN - Volume 1".

Se quiser saber tudo sobre carreira, currículo, comportamento e liderança, adquira o livro.

Um livro que vale a pena ter em casa para consultar sempre.

 

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