O ATLETICANO DE VOLTA AO BRASIL

 

Cristiano de Oliveira

 

 

 

 

Um intervalo na viagem à República Tcheca pra avisar que eu cheguei vivo.

 

Saudações, Alvinópolis do Circo Lesco Lesco.

 

Pra dar inspiração, estou aqui escutando “O Sonho do Barnabé”, que na voz e violão do saudoso Tetêga virou “O Pão Virado”. Ê tempo bom.

 

Por falar nisso, aqui vai um pedido aos amigos de Alvinópolis: eu coleciono discos de vinil, e tudo que eu preciso de rock e MPB, uma hora eu acho. Mas o fato é que sou altamente eclético, e tem uma coisa que tá difícil conseguir: completar minha coleção de discos do Manhoso. Sabe o Manhoso, aquele do gato Tico e do Só Capim Canela? Pois é, as músicas do Manhoso me fazem rir desde que eu era pequeno, e eu venho há anos tentando completar a discografia dele, mas faltam dois discos, um se chama Criando Cobras e o outro Feijão Tumim. Se alguém tiver e quiser vender, eu tô comprando.

 

Pois é, jovens, aqui estou eu, transmitindo do Brasil, na alegria incontida de poder estar em casa, perturbando a paz do cachorro, tomando Original gelada e fuçando na geladeira de mãe. Vai parecer bobagem, mas cê não sabe a alegria que é pra mim poder encostar em um botão no rádio e já pegar futebol na Itatiaia. Lá eu tenho que conectar internet - e cada vez que a conexão cai, eu quase passo mal - ou então pegar pela internet no telefone, que cê paga por megabyte usado. De toda forma, pra ouvir uma pequena Turma do Bate Bola é um sufoco danado. Bom, é uma pena que essa facilidade toda, no momento, só me sirva pra escutar Copa Itatiaia de futebol amador, mas não reclamo de nada. Se tiver Roberto Abras tomando Cavalo Branco, pra mim já está bom.

 

Dureza mesmo foi pra chegar aqui. Resolvi experimentar o novo vôo Toronto-Miami-Belo Horizonte. A agência me jurou que o vôo Miami-BH era direto, e como sempre, o rapazola foi obrigado a pagar à vista. Não existe parcelamento no Canadá. Que jóia, né? Pois quando cheguei a Miami, fui pegar o bilhete de embarque, e no próprio guichê estava escrito “Miami-Rio”. Que roubada. O vôo não só parou no Rio, como passei três horas preso na sala de embarque do Galeão esperando pra embarcar de novo. Após embarcar, o piloto explicou que o atraso foi causado por problemas com bagagem.

 

 

Foi aí que pensei na bobagem que tinha feito: quem é o doido que pega vôo de Miami pro Brasil uma semana antes do Natal? Aquilo é o Paraguai Express! Uma muambada que não acaba mais. O povo devia escovar dente com controle de Playstation, porque só dava videogame nas bagagens de mão. Tablet era igual passaporte, todo mundo tinha que ter um. Tinha gente que trazia tantos, que dava pra fazer uma sanfona com eles. Pelo menos os passageiros são menos barulhentos que os do vôo Toronto-São Paulo, que sempre vem lotado de estudantes de inglês que vão e voltam sem falar nem “hello” direito, e de crianças, já que brasileiro vai pro Canadá e começa a procriar igual coelho, aí tem que trazer a tropa toda no avião pra visitar a avó. Sério, eu vou ficar rico no dia que passar a vender DRAMIN na sala de embarque. Bom, só sei que no vôo de Miami pro Rio dá pra dormir melhor. Isso se um home theatre não desabar do bagageiro em cima de você.

 

Outra encrenca foi a franquia de bagagem de mão. Ela é de 10 kg no vôo Toronto-Miami, mas quando cheguei a Miami, o pessoal da TAM barrou: máximo 5 kg. O correto seria que a franquia do primeiro trecho fosse respeitada no segundo, mas a turma da TAM em Miami pelo visto já não agüenta mais ver tanto brasileiro e já manda todo mundo se lascar logo de uma vez. A mulher acabou com a minha raça: ela me deixou seguir com a mochila, mas disse que funcionários com balanças portáteis estariam na sala de embarque conferindo bagagens de mão, e a minha certamente seria recolhida lá. Gelei a espinha: a mochila continha meu laptop, câmera, roupas de inverno (que usei antes de embarcar em Toronto), backups de computador de 7 anos pra cá... O tipo de coisa que, se você despacha e extravia, está lascado de acordo. Foi dando a hora de embarcar, e eu desorientado, pensando em como ia fazer pra passar com a mochila.

 

 

Resultado: em plena sala de embarque do aeroporto de Miami, no meio do verão, um calor de lascar o cano e faltar corrente na bobina... Lá estava o bonitão de touca, cachecol, dois casacos, 500 revistas e livros debaixo do braço, e os bolsos como se eu tivesse roubado o baleiro da escola, com 300 miudezas dentro. A mochila chegou aos 5 kg, mas eu mesmo devia estar pesando uns 200. Embarquei sem problemas, a mochila passou, mas passei a viagem inteira catando chave, fone de ouvido, pen drive, caneta e até aquele bafômetro que eu levei pra Alvinópolis uma vez, que iam caindo dos bolsos a cada vez que eu virava pra tentar dormir.

 

Jovens, eu infelizmente vou ter que encerrar mais cedo hoje. Eu ainda tenho a parte final da viagem a Praga pra contar, mas hoje não vai dar, e por isso peço desculpa a vocês. Além dos compromissos familiares que a gente sempre tem quando volta pra casa, eu ainda recebi uma tonelada de serviço pra fazer (passaram o ano inteiro me mandando só mixaria. Justo agora que eu tô cercado de Bohemia gelada, eles resolvem me mandar serviço, ó que rôia). Então a gente fica por aqui, e em fevereiro eu volto ao normal, já que estarei de volta a Toronto, debaixo de -25 graus (temperatura esperada), tomando Budweiser quente e rindo sozinho da errada em que eu fui me enfiar.

 

 

Apita Antônio Barcelos Filho, errrrrrrrrrrrgue os braços!!!

 

Cristiano de Oliveira é mineiro de BH, residente em Toronto no Canadá. Já visitou Alvinópolis inúmeras vezes.

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