Saudações, Alvinópolis da academia na praça.
Ô ideia boa. Mas como sempre, já virou motivo de bate-boca
também. Aliás, tudo que envolve a praça dá bate-boca, é incrível. É por isso
que nós vamos apoiar a plataforma da candidata que vai revolucionar
Alvinópolis.
Seja Alvinopolense ou Industrial, ou até mesmo Pinga
Rato.
A onda agora é Érica Dominato.
Aqui não tem bagunça, esculhambação ou desacato.
Prefeita é Érica Dominato.
Tenho certeza que ela vai escutar minha sugestão: proponho a
instalação de 630 banheiras de hidromassagem na Praça São Sebastião,
transformando Alvinópolis em estação de águas. É o "Projeto Caxambópolis:
Adeus, Caxambu, Bem-vinda, Alvinópolis". E mais a criação de um serviço de
vans saindo a cada dez minutos de lá para o Maurão, pois afinal, ficar enfiado
em uma banheira quente sem tomar uma cerveja não será bem visto pelo público e
turistas.
E o futebol? Enquanto Celso Roth arma o time no esquema
460-3-2, no Galo a Escola de Artes Dramáticas Nettus Berolius arrumou mais um
aluno: basta você soprar o Bernard que ele já está rolando no chão pedindo
falta. Aprendeu bem com Berola. Com isso, juiz pra marcar pênalti pro Galo a
partir de agora, só se houver verificação de porte de arma de fogo por parte da
zaga.
Bom, repassadas as notícias do dia, vamos então a mais uma
etapa do meu projeto MIDÁ O Galo de Prata (Momentos Inesquecíveis Do Atleticano
Objetivando Galo de Prata). A bandeira viajante chegou a mais um vilarejo desse
mundo afora. Dessa vez, uma curta viagem à pequena corrutela de Nova York. E
como já é de costume, além das fotos que comporão um dia a galeria da bandeira
do Galo, trago também pra vocês as minhas observações em uma matéria de antiturismo.
Sabe o que é isso? Não sabe não, porque fui eu que inventei. É o seguinte:
matéria de turismo, eles falam que tudo é lindo. A ideia é dizer "amigo
leitor, eu fiquei deslumbrado, maravilhado, é demais, só cê vendo...". A
minha matéria é de antiturismo, porque ela quer dizer: "amigo leitor, eu
não devia nunca ter saído de casa. Fique aí que você ganha mais."
Pois é, lá estava eu em Nova York, que é mais ou menos 987
mil vezes maior que Toronto e mais interessante. Pra você entender a situação:
se Nova York fosse São Paulo, Toronto seria Sem Peixe, portanto eu já estava
perdido com 10 minutos de presença na cidade. Como eram só três dias, decidi
ficar só na área central, a ilha de Manhattan, e reservei um hotel em Chelsea.
Cheguei lá estranhando a ausência total de rôia até aquele momento, deixei as
malas e fui dar uma volta no bairro. Aí comecei a notar uma bandeira de
arco-íris ali, outra aqui... Entrei num bar que parecia muito animado, e quando
eu já estava bem lá no meio da muvuca é que percebi que só tinha homem lá
dentro. Tinha fortão, magrinho, de terno, de bermuda... abraçado, de mão
dada...... Quando eu vi um sósia de Leleco, respirei fundo e me tranquilizei: não
estou doente, a rôia continua me seguindo do mesmo jeito de sempre.
Ô terra da cerveja ruim! Malt 90 naquela cidade é champanhe.
Tomei uma tal de Brooklyn Lager que me deu saudade de tomar Kaiser quente
jogando pif-paf com meu pai. E não adianta vir pro meu lado com essa moda nova
de degustador, dizendo que ela tem "notas cítricas", ou coisa do
gênero. "Nota cítrica", naquilo ali, só se foi causada por um matuto
chupando laranja em cima do tonel que deixa cair o bagaço lá dentro.
Honestamente, vinho já dá trabalho demais com esse papo de degustação, e minhas
cachaças aqui já vão pelo mesmo caminho. Cerveja é uma bebida pra todos, uma
bebida que prega a igualdade de classes, então vamos deixá-la fora disso e
mantê-la com apenas duas denominações: boa e ruim. Vá lá: gelada e quente
também pode.
Quer ver brasileiro em Nova York? Vá fazer compras. Quer
passar longe de brasileiro? Vá a um museu. No Metropolitan Museum of Art
lotado, só contei dois casais de brasileiros. É triste, mas dentro de nós ainda
mora aquele mesmo índio que entregou o ouro ao Cabral em troca de um espelho e
um pente. E não importa se o espelho de hoje em dia é Apple ou Android. O
negócio não é usar, o negócio é comprar. Se vai precisar mesmo daquilo, isso se
vê depois, a turma quer é encher o balaio primeiro pra depois pensar na
utilidade. É duro. Eu não comprei absolutamente nada nessa viagem. Aliás, só
visitei uma loja: a de M&M. Lembra do M&M, aqueles chocolatinhos que
parecem o Confeti de antigamente? Essa loja eu até parei pra ver, mas era um
trem tão bobo que eu fui embora sem nem comprar o chocolate. Tem torneira de
M&M, cada uma de uma cor, aí cê pega um saco e vai enchendo. E qual é a
graça disso? Se pudesse fazer como em desenho animado, que o cara abre a
torneira de chocolate e bota a boca embaixo, aí eu queria experimentar. Mas
qual é a graça de encher um saco com 700 chocolatinhos de cores diferentes, todos
com o mesmo gosto? Vá ordenhar vaca que é muito mais interessante. E uma
enxadinha, será que alguém quer?
Estacionar um carro em Nova York deve ser pior que parto de
porco-espinho. Era domingo de manhã e não tinha uma vaga sequer na área. Se não
bastasse a falta de vagas, ler a placa de estacionamento é como ler um
contrato. A proibição de estacionamento ocorre em determinados horários de
determinados dias, então vem a lista de horários na placa. Eu ia morrer na fila
dupla tentando ler a placa e conferindo meu relógio pra ver se já podia
estacionar. Mas se bem que isso é menos terrível do que Toronto: aqui, essa
mesma plaquinha cheia de horários e dias fica no meio do cruzamento, dizendo
quando você pode virar à esquerda. Será que dá confusão? Ah, não dá não. Num
país onde o sinal abre sempre pros dois lados ao mesmo tempo e onde todo mundo
pode virar à direita com o sinal fechado, isso aí é só um amendoim no meio da
paçoca.
Bin Laden manda lembrança: batendo perna pelas ruas, vi dois
abrigos antibombas. Sério, são prédios normais, mas com entradas separadas onde
você vê uma plaquinha com aquele símbolo de radioatividade. Lógico que são
muito mais antigos que o Bin Laden, mas americano só pensa no inimigo da vez.
Já notou que os EUA nunca viveram sem a sombra de um suposto inimigo? Já foram
nazistas, vietnamitas, coreanos, russos, iraquianos, Al-Kaeda... resolve com
um, já bota outro no lugar. O importante é ter um perigo rondando. No dia que
os americanos não tiverem um inimigo, eles vão declarar guerra a quem coça a
orelha com o dedo mindinho, ou que usa saia godê, ou que chupa chiclete
Babalu...
E também andando pelas ruas, vi a invenção do século: o saco
de lixo com repelente antirrato. O povo larga o saco no chão e o rato passa
longe. É a melhor invenção que eu já vi desde o Racumin à prova d'água. Amigos
e amigas, se vocês não têm rato em casa, agradeçam todos os dias por morarem aí
no primeiro mundo. O inverno aqui entope a casa do cidadão de rato. A minha, não
mais, pois eu esgotei o estoque de Rodilon (é o nome do novo Racumin à prova
d'água) da Casa do Fazendeiro aí em BH e cheguei aqui em casa batendo tarrafa
com ele. Parecia que tava jogando milho pra pombo. Não ficou um. O último que
eu vi, em compensação, deve ter sido enviado por Bin Laden. Veio pra quebrar
mesmo: fiz uma lasanha, deixei esfriando em cima do fogão e ao voltar, peguei o
coisa-ruim bem em cima dela, aquele rabão espalhado em cima do meu queijo
torradinho... Ele fugiu e nunca mais voltou, mas eu ainda fiquei duas horas
olhando praquela lasanha linda, "como ou não como?" Quase chorando,
joguei no lixo. Vó não deixava a gente largar nem arroz sobrando no prato
quando almoçávamos na casa dela, imagina jogar uma lasanha inteira no lixo? Ah,
mas nesse dia, Rodilon matou até por asfixia. Saí semeando aquilo pela casa,
foram bem uns cinco pacotim. Meu senso ecológico foi pro brejo: àquela altura,
se eu tivesse até barra de césio, jogava pros ratos. Nunca mais vieram nem
falar oi.
Tá vendo só como foi uma viagem altamente interessante? Foi tão
boa que eu mudei de assunto pra falar de rato. Não nasci pra fazer turismo
mesmo não.
Mês que vem eu termino a história (provavelmente falando de
guaxinim que dá em lata de lixo).