Saudações, Alvinópolis do
Carnaval do Xixi.
Pelo visto, a principal
atração do Carnaval de Alvinópolis desse ano foi o povo
fazendo xixi nas portas das casas. Carnaval Globexiga?
Era só o que me faltava... Mas nós, do Comitê Leleco
Prefeito 2016 – Coligação Vamos Renovar e Vamos Rebolar,
já estamos tomando nota disso tudo e já temos a solução.
Prefeito Leleco vai fechar um acordo com a Minas Arena
para administrar a distribuição de bebidas no Carnaval.
Como em lugar administrado pela Minas Arena não tem nada
pra beber, pronto! Não tem xixi.
Pois é, eis aqui minha
primeira participação no Alvinews esse ano. Mês passado
eu perdi o bonde. Mas foi até bom, pois deu pra colocar
em prática uma parte da Metodologia de Marketing do
Professor MC Pelé. Eu, como estudioso da obra do saudoso
flanelinha MC Pelé em seus shows pelo interior, tomei
nota da metodologia utilizada. São dois itens
principais:
- MC Pelé só tinha três ou
quatro músicas. Enrolava o quanto podia pra não acabar o
show, mas ainda assim acabava cedo. Aí saía do palco, e
bastava uma pessoa – uminha só - pedir bis que ele já
voltava pra cantar “Olha Que Menina Linda” pela milésima
vez.
- MC Pelé se apresentava
sozinho, com CD de playback ao fundo. Então, quando o
palco era muito grande, ele convidava pessoas da plateia
pra subir e se alinhar atrás dele, cobrindo o palco
inteiro. Ficava aquele monte de gente fazendo fundo
enquanto ele ensinava todo mundo a dançar “A Zumbizeira”.
Resultado brilhante: mesmo
quem já estava doido pra ir embora, acabava ficando só
pra ver o amigo que subiu no palco pagar mico dançando
“I Love Sogra”.
Portanto, o primeiro item
se aplica à minha situação: aproveitei o fracasso total
de ter perdido a data de entrega da coluna pra ver se
alguém dava a minha falta. Assim que perguntaram por
onde eu andava, já voltei na hora.
Bom, ano novo, resenha
esportiva nova: desde que me entendo por gente, quando
um time manda embora 15 caras e traz outros 15, a
imprensa repete 800 vezes a palavra “barca”, “olha a
barca”, “não pode trazer barca”... Tudo bem que o
Cruzeiro não trouxe uma barca composta por Curê, Bilu,
Alfinete, Catanha, Márcio Mixirica, Nilson Sergipano,
Leandro, Ataliba, Walker... Mas ainda assim, saíram 250
e vieram 270. E ninguém na imprensa nunca falou em
“barca boa” ou “barca ruim”. Barca era barca, e recebia
sempre repúdio de todos os jornalistas. Mas pelo visto,
tá dando certo no Cruzeiro. E agora, quem vai falar o
quê?
E no Galo, que história
mal contada foi aquela do Kalil baixando a cabeça pro
Aécio, aceitando todas as condições pra jogar o clássico
no Mineirão, e nunca mais tocando no assunto pra
explicar o que houve, a não ser pra dizer “não culpem o
nosso querido senador”? Ficou muito esquisito.
E quanto à cereja do bolo,
eu não sei. Pra mim, seria o Barcos. Tardelli, depois
desse tempo todo, é incógnita de novo. Mas se o negócio
é bolo, nós vacilamos, pois mandamos embora uma parte
fundamental de qualquer bolo. Não tinha cereja, mas
Escudero era a vela: podia botar fogo nele à vontade que
ele continuava parado até que o tirassem dali.
Voltando ao assunto
Carnaval: sempre que você tiver uma crise de vontade de
reclamar do Brasil, lembre-se de que tudo nessa vida
possui prós e contras, inclusive o país onde a gente
mora. E dentre os prós, anote um aí por minha conta: são
pouquíssimos os povos do mundo que têm um feriado de 4
dias e meio fora do Natal. E se você acha que isso não
conta como pró, então larga a geladinha do Maurão e vem
pra cá: venha acordar 6h30 da manhã na segunda e
terça-feira de Carnaval pra ir trabalhar, com um breu
danado lá fora (no inverno, o sol só sai lá pras 8) e
-12 graus por cima. É igual vulcão: só é bonito em foto.
A tragédia já começa na
sexta-feira de Carnaval. No meio da tarde, o Facebook já
começa a apontar uma queda no número de postagens dos
amigos que moram no Brasil. Aparece um do tipo “Botando
o pé na estrada”, outro do tipo “O izopô já tá lotado,
as muié já evém, até quarta-feira se Deus quisé!” , e
depois é só silêncio. Quando chega a noite, os únicos
posts que acho no meu Facebook são: “Ê neve da
peste...” - “Limpando a calçada pois um cara já
escorregou ali e disse que vai me processar” - “Tá tão
frio que eu tô cuspindo granizo”.
Mas o que mais acontece
entre emigrantes brasileiros é o cara vir pra cá, levar
um trem na asa e não ter coragem de admitir. Aí é
sexta-feira de Carnaval, o cara tá entrincheirado em
casa, neve descendo com raça, a janela de casa parecendo
carrinho de pipoqueiro, com aqueles negocim branco lá
fora voando pra cima e pra baixo e se estourando no
vidro, um frio do cão, nada pra fazer, todo mundo
hibernando dentro de casa... Mas notícia do cara é só
“Tá lindo lá fora. Tá uma delícia. Tomando vinho e vendo
a neve... Adoro!” Adora nada! Deixe de enganar o povo!
(e aproveite e deixe de falar “adoro!” que pega mal
demais). A turma no Brasil tem quase 5 dias de feriado
pra tomar cerveja na rua. Nós temos zero dias pra tomar
esse raio desse vinho socado dentro de casa. Nós
perdemos e acabou! Não adianta querer disfarçar, pois
essa rôia nossa é de domínio público. É a mesma coisa
que Ney Matogrosso tentar esconder os cabelos do peito.
Mas como já é tradição, no
sábado pelo menos uma brasileira aqui organiza uma
festona de Carnaval. O lugar era enorme, mas longe que
só. Como aqui nem todo mundo tem carro (com seguro
obrigatório a 400 reais por mês, quem aguenta encarar?
Eu não. Tô há dez anos sem carro), a organização
disponibilizou quatro ônibus escolares saindo do Centro
pra levar o povo pra festa, ó que joia. A bateria de
escola de samba em que eu toco foi contratada pra se
apresentar lá, e a passagem de som era na sexta à noite.
Ah tá bom... Caiu uma tempestade de neve que se você
abrisse a boca no meio da rua, em dois segundos parecia
que tinha raspado fundo de congelador com o dente. Era
ônibus encalhando no meio da rua, carro derrapando...
Cancelamos a passagem de som e consequentemente a
cerveja depois. Fui pra casa dormir. Aí cê já vê o naipe
do meu Carnaval.
No dia seguinte, de cada
10 que chegavam à festa, 5 estavam com cara de acabado.
A conversa era a mesma: “Passei o dia limpando neve. Tô
guentando não...” Isso é uma afronta à Convenção de
Genebra: o cara, ao invés de 4 dias, tem 6 horas de
Carnaval no ano (o horário da festa era das 20h às 2 da
manhã) e ainda passa o dia agarrado na pá. Chega lá já
pregado, doido pra aproveitar tudo no pouco tempo que
tem, cerveja a R$ 10 a latinha... Pra completar, começa
a correr uma polêmica: no fundo do palco, uma bandeira
com o Cristo Redentor pintado sorrindo, e ao lado de
cada mão dele, um pôster com uma bundona bem vermelha,
bem endiabrada. Parecia que ele tava apresentando as
bundas e achando bom. É pólem na hora, o fuxico começou
a correr.
Não encontrei amigo nenhum
enquanto tocava a banda baiana que abriu a noite. Assim
que o show deles acabou e saí correndo pra pegar o
surdão e ir pro palco, não deu outra: encontrei amigo,
conhecido, atleticano, cruzeirense, 380 elementos
altamente embriagados querendo me dar abraço... E surdão
que é bom, nada. Parecia Paz de Cristo na hora da missa,
tamanha a quantidade de gente pra cumprimentar. Um dos
que estava altamente mais ou menos de gólo agarrou meu
braço e falou assim: “Ó... Ó só essa! Prestenção! Ó, ó,
ó...” E me arrastando pelo braço, chegou perto de uma
menina que estava de costas pra gente e deu-lhe uma
lambida no ombro!! E eu ali, quase que de braço dado com
o cara, servindo de plateia do lambedor, sem acreditar
no tamanho da furada que tinha conseguido arranjar. A
menina virou o cão! Os amigos dela foram juntando em
volta, e a bateria armando pra entrar no palco sem
surdão, o Cristo Redentor lá, rindo pra mim, e eu no
meio daquela roda de cara revoltado ao lado do doidão
que só conseguia rir... Não havia dúvida: apesar da
neve, da distância e do preço da cerveja, ainda assim a
minha amiga RÔIA conseguiu chegar ao baile. Isso é que é
prestigiar o brasileiro.
Dois outros retardatários
da bateria passaram por ali e me carregaram, para minha
salvação. Fizemos o show, deu mais cinco minutos e a luz
acendeu. Todo mundo correu pra fazer fila pra pegar o
escolar de volta pro Centro. Enquanto eu carregava os
instrumentos pro furgão da banda e o frio torrava meus
dedos, olhei no meio da neve e tive uma visão: a neve se
abriu, e do meio dela surgiu um bigode. A neve se abriu
ainda mais, e surgiu o dono do bigode. Era o Zé Geraldo,
que apareceu pra mim cantando o Hino da Rôia: “Tudo isso
acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos
poooooooombos”.
E atenção, gente honesta!
Na próxima edição, a bandeira viajante do Galo está de
volta! Fiquem de olho, pois ela vai cair matando, e
provavelmente vai quebrar um recorde.
Apita Antônio Barcelos
Filho, “errrrrrgue os braços”!
Cristiano de Oliveira é mineiro de BH, residente em Toronto
no Canadá. Já visitou Alvinópolis inúmeras vezes.
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