Um atleticano na Alemanha

Parte 2

 

Cristiano Oliveira

 

 

 

Após ser Campeão do Gelo na final contra a linguiça de 600g, Cristiano para pra dar uma descansada... no rodízio.

 

 

Saudações, Alvinópolis do cemitério-Mineirão

 

(quer saber o que é um cemitério-Mineirão? Visite Alvinópolis e você verá)

 

Resumo do capítulo anterior: Tonho da Lua bebe e mexe com Raquel pensando que é Rutinha. Tieta vai caçar ipisilone duplo com Osnar, mas a Perpétua descobre. Cristiano chega à Alemanha para uma parada gastronômica e revive o título de Campeão do Gelo ao derrotar a linguiça de 600g com batatinha e chope de meio litro.

 

Pois é, mais um episódio na minha longa batalha pela conquista do Galo de Prata. Por falar em Tonho da Lua, Marcos Frota também ganhou Galo de Prata. E cadê o meu? Mas tenho que Kalil ainda vai se lembrar de mim. Enquanto isso, eu fico satisfeito se ele contratar uns 8 ou 9 zagueiros pro time, porque com Welton Felipe e Werley, sinto muito, massaudade de Hélio Pescara e Luiz Eduardo. (detalhe: Hélio Pescara, segundo consta, era lateral de origem. Mas foi imortalizado por seu futebol es-pe-ta-cu-lar na zaga).

 

Falando em futebol, uma curiosidade que eu esqueci de contar: muita gente de Munique não vai com a cara do Bayern, mas todo o resto da Alemanha simpatiza com o time. E a Alemanha também tem o seu América, aquele time que joga a terceira divisão e todo mundo torce por ele. É o St. Pauli, de Hamburgo, que joga a terceirona, não ganha nada há 500 anos, mas cujo nome aparece em toda discussão de futebol. É interessante, o país inteiro parece que torce por ele.

 

 

 

Bom, após conquistar esse novo título de Campeão do Gelo para o Galo, eu resolvi descansar. Encarar comida gigantetrabalho demais, então no dia seguinte à minha vitória contra a linguiça monstro, eu preferi fazer um relaxamento: encarei um humilde rodízio (essa históriame lembrando a formatura de Dante em Ouro Preto, com essa comidaria toda. faltou Tetega tocando o clássicoPão Virado” ao violão – acho que a música fala de umbom virado”, mas a gente ouviu “pão virado” e até hoje ri demais da música).

 

Mas é sério, abriu um rodízio brasileiro por e eu fui convocado pra servir de guia e levar os alemães para conhecê-lo. Afinal, a gente imaginou que, como acontece muito na América do Norte, havia grandes chances de ninguém falar alemão no restaurante, português. Rá! Tá bom! Ao chegar , não havia NENHUM brasileiro trabalhando. Ninguém nem falava português (depois descobri que a dona é portuguesa, mas foi ). Pedi Skol, pois sei que na Alemanha tem, e eu estava seco numa Skol (no Canadá tem Brahma long-neck e custa 5 dólares). A garçonete (que era turca) disse que estava em falta, mas tinha Brahma. Mandei descer assim mesmo. Afinal, patriota é isso : vai na terra da cerveja e toma Brahma. Tem que ser um novo Tiradentes.

 

O rodízio era tipicamente alemão: as carnes vêm depois que todo mundo acabou a salada. Pois é, eles têm o costume de nunca misturar salada com pratos quentes. que ninguém me avisou. E eu , com uma fatia de tomate e molho rosé no prato, esperando a carne chegar. Quando chegou ( veio depois que eu comi o tomate e trocaram meu prato), era um pedacinho bem simplório, no espeto que passava a cada 600 horas. Mas estava até boa.

 

Duro mesmo foi a música. Tocaram a discografia completa do É o Tchan durante o jantar. Ô errada... Meu amigo e minha amiga, o que é que você responde quando uma senhora estrangeira pergunta a você o que significa “Desce, ordinária.” e “Baba, Ali, baba.”? Tragédia anunciada, como diria o Estado de Minas. Eu travei e me embolei, dando a pior resposta que eu podia: “Não sei não, mas tem forévis no meio.”

 

E ao fim do jantar, o tiro de misericórdia. A garçonete turca oferece um digestivo tipicamente brasileiro pra alemãozada toda: Caninha 51! Ôu, isso é contra a Convenção de Genebra! 51 pura é de uso exclusivo das forças armadas. É usado pra furar lataria de tanque. Se Bin Laden descobre a 51, ele amarra quatro garrafas na cintura de cada soldado, dá um cigarro Arizona a cada um deles e manda todos pro Pentágono. Vai sobrar a guarita. Pedi pelo amor de Deus pra ninguém tomar, mandei comer pudim que era melhor.

 

E assim encerrou-se minha visita à Alemanha. A próxima parada é a França. Oitocentas mil roubadas pela frente, mas a bandeira do Galo passeou pela Champs-Elysée. Aguardem.

 

 

Apita Antônio Barcelos Filho: Errrrrrrrrgue os braços!

 

Cristiano de Oliveira é mineiro de BH, residente em Toronto no Canadá. Já visitou Alvinópolis inúmeras vezes.

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