O atleticano na Alemanha de novo

 

Cristiano de Oliveira

 

 

 

Saudações, Alvinópolis que começa eleição pra prefeito um ano e meio antes.

 

(pode abrir seu coração aqui pro tio: todo mundo xinga política, mas eleição pra prefeito em Alvi é igual Copa do Mundo, é ou não é?)

 

Meu povo amigo, essa é a coluna de número 24 de Cristiano no Alvinews. Significa que estou completando dois anos de falazada aqui nesse nobre website. Eu sinceramente espero que esteja agradando. A todas as quatro pessoas que ainda lêem isso aqui (eram cinco, mas mãe largou), o meu muito obrigado pela preferência de sintonia, e o meu muito obrigado ao Juninho pelo espaço. Eu não sei se a primeira vez que fui a Alvinópolis foi em 1993 ou 1994 (quem souber ao certo, favor me avisar), mas sei que desde então, a cidade sempre me acolheu muito bem, e poder me comunicar com toda a turma alvinopolense através dessa coluna é um prazer muito grande. E isso sem falar no orgulho de participar do Alvinews, um site que eu conheço desde que ainda era só idéia na cabeça do Juninho.

 

E o Galo? Eu estou ouvindo de tudo aqui, já que essa terra tem brasileiro de todo canto do país. E estou realmente chegando à triste conclusão de que ninguém respeita o time do Galo mais. Mas atenção: eu falei do time. A torcida ainda é respeitada. É interessante, mas na televisão, torcedor paulista sempre parece muito fanático, muito doido... Mas quando eles chegam aqui no meio dos mineiros pra debater futebol, são sempre os primeiros a mudar de assunto. Não têm argumento e se cansam rapidinho, além de só saberem do futebol da própria cidade. É mais uma invenção da televisão, que tem mesmo esse costume de fazer as coisas de São Paulo parecerem 10 vezes maiores do que realmente são. Mas em todo caso, o Galo está matando todo mundo do coração. Se for contar a quantidade de foguete molhado que o time já lançou, acho que estamos na Apolo 570. Réver pedindo pelo amor de Deus pra ir pro banco e não vai. Serginho a cada dia incrementa o açougue e faz cada falta pior que a outra. A gente fica esperando o dia em que ele vai morder a orelha de alguém em campo. E Caio e Patrick querem substituir os imortais Nilson Sergipano e Baiano na memória do torcedor. Fora o Mancine, que foi pra BH só pra abrir lanchonete. Enxada mesmo, ele não quer. Ê Galo... Vamos botar fé no Seu Cuca e ver no que dá.

 

Um pequeno parêntesis:

 

Tem coisas que só no Canadá o camarada vê. O sorveteiro aqui roda pela cidade de caminhão, tocando uma musiquinha pra alertar a vizinhança de que está chegando. É uma versão modernizada daqueles vendedores de algodão-doce que passavam com uma buzina. Quando junta menino correndo atrás, ele para pra vender.

 

Pois é. Acabou de passar agora, na minha rua, um sorveteiro com o caminhão tocando lambada. E pode, um trem desses? Os meninos correndo atrás, e o caminhão à frente sapecando Kaoma no alto-falante. Pra quem dizia que aqui não tem trio elétrico...

 

 

Voltamos à programação normal

 

Meus amigos, a bandeira do Galo partiu novamente pelo mundo, e sua aparição foi registrada em mais lugares desse mundo afora. Em nome do Projeto MIDÁ O GALO DE PRATA - Momentos Inesquecíveis Do Atleticano Objetivando Galo de Prata -, Cristiano quebrou a banca (não tem dinheiro nem pra ônibus mais, está saindo mais cedo pra ir a pé e mastigando gelo de copo de Coca em restaurante), fez um esforço medonho, andou debaixo de sol, andou até dentro de catacumba, mas continuou levando a bandeira do Galo até onde nenhuma outra ousou chegar.

 

Assim sendo, estarei registrando os momentos dessa viagem nas próximas colunas aqui no Alvinews, daqui até... Sei lá até quando, eu vou é enrolar muito pra ver se dura até o Natal, pois a passagem foi muito cara e eu tenho que fazer o assunto render pra compensar.

 

Mas como já é costume, a viagem precisa começar na Alemanha, com um momento de paz, reflexão e equilíbrio: o desafio alimentar das comidas gigantes no Waldgeist, que visitei pela terceira vez. Realmente, é preciso muita paz no coração pra chegar até lá, pois é no meio do mato; é preciso muita reflexão na hora de ler o cardápio, pois um pedido errado pode levar a fotos vergonhosas de derrota, como as minhas em 2007; e é preciso muito equilíbrio pra conseguir sair da mesa depois do jantar e caminhar até o carro.

 

 

 

Depois da vitória incontestável em 2009 contra a linguiça de 600g com batatinha, molho e chopp de meio litro, decidi tentar mais uma vez a liga máxima. A mesma que tentei e me lasquei em 2007: o desafio do Schnitzel.

 

 

 

Schnitzel é um bifão de porco à milanesa, muito gostoso com um limãozinho, geralmente servido com um molho extra, mas que costuma vir meio engordurado e por isso fica meio difícil de descer. Eu pedi um Halb Schwein, que significa “meio porco”, que é a terceira categoria de indecência alimentar: é um Schnitzel de 500g com batatinha e molho, e é lógico, meu canecão de meio litro de Fanta sabor cevada. Em 2007, primeira vez em que fui lá, resolvi tentar a segunda categoria de imoralidade alimentar: o Ganze Schwein (“porco inteiro”), que são dois Schnitzels de 500g cada, totalizando um quilo de bife de porco à milanesa.

 

E aí a turma pergunta: e qual é a primeira categoria? Qual é o ponto mais repugnante da comilança segundo os padrões locais? Pois eu respondo: é um Schnitzel de 2,35kg com batatinha e molho. São 27,90 euros, e sinceramente, eu nunca nem vi o que é. Não tive nem coragem de pedir pra ver, pois acho que deve ser perigoso o bife morder a gente. Quando li aquilo no cardápio, lembrei-me do porco à paraguaia que o pai de Dante fez uma vez. Nunca mais esqueci a cena: era tão grande que eu via a hora do porco ficar em pé e ir embora.

 

 Bom, mas fui lá encarar meu bifão, e pela primeira vez honrando a camisa do Alvinopolense. Só que cometi um erro crasso na hora do pedido: escolhi o que vinha com molho de ervas. O molho era exatamente um iogurte de couve. Era até interessante, mas já no começo do combate, começou a desarticular o meu time. Rapidinho, o negócio começa a fazer peso, e aí vai misturando com a gordurança da fritura do Schnitzel, e mais a batatinha frita... O estado do camarada não fica lá muito bom. Mas eu sou um atleta bem preparado, um jogador de muita raça e muita técnica, e consegui levar adiante.

 

 

 

Mas bem perto do final, a algumas poucas garfadas da vitória, eu simplesmente não aguentava mais mexer. Eu olhava aquele negócio e o estômago rodava parecendo máquina de lavar roupa. A carne também não era lá a maior delícia, ao contrário da linguiça de dois anos atrás, que era espetacular, e aí não teve raça nem amor que salvasse. Desisti faltando bem pouquinho. Se houver uma camisa alvinegra no varal durante uma chuva de carne de porco, o atleticano torce por um sal de fruta.

 

Mas ó, não faz hora comigo não, porque eu cheguei perto. Sério, devo ter parado em 450g, viu? Portanto, ainda há esperança. Hei de retornar e vencer outra vez. Não adianta demitir o treinador, o negócio é o compromisso da equipe: todos os órgãos do meu corpo já fizeram um pacto pela vitória e vão ficar em concentração até o próximo desafio. E eles prometem aumentar a carga de treinamento, portanto abra o olho: amanhã, a caixa de areia pode ser a geladeira da sua casa.

 

Fora isso, alguns detalhes adicionais sobre essa primeira parada na região de Frankfurt:

 

- O Eintracht Frankfurt está encarando a segunda divisão esse ano. Caiu junto com o St. Pauli, que é um dos times mais populares da Alemanha, embora seja rato de segundona. A torcida do Eintracht não está nem aí pra divisão: no jogo de abertura, botou 3 mil torcedores no campo do adversário. É time de fanático também. E para minha alegria, apesar de utilizarem historicamente as cores vermelha e preta, agora lançaram um uniforme três que é preto e branco. Assim que o preço cair, eu vou ter que garantir o meu. No momento, 60 euros é fora de cogitação. Nessa dureza em que eu estou, não dou isso aí nem na camisa de Dinho Homem-Raça, ex-lateral do Galo. Não pago 60 euros nem na concha acústica do gramofone de Mário de Castro.

 

- Achei que era só no Canadá, mas pelo visto, na Alemanha o povo também não se incomoda muito de assoar o nariz na mesa. É um negócio que me perturba ao extremo. Pó, pensa comigo: cê tá lá, jantando, bem tranqüilo, e de repente tem que ouvir a sinfonia que anuncia o nascimento de 380 melecas?

 

Bom, então chega, pois eu estou atolado de coisa pra fazer. Depois de viagem, o déficit é bravo e eu tenho que cobri-lo. Na próxima edição, a bandeira vai a Berlim.

 

Apita Antônio Barcelos Filho, errrrrrrrrrrrgue os braços!!

 

Cristiano de Oliveira é mineiro de BH, residente em Toronto no Canadá. Já visitou Alvinópolis inúmeras vezes.

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