UM ATLETICANO NO CARNAVAL DE ALVINÓPOLIS

A BANDEIRA DO GALO CHEGA ONDE TUDO COMEÇOU

 

Cristiano de Oliveira

 

Na foto em frente ao Ninho da Águia estão Zé Maria, Fefê, Cristiano e Nicole.

A festa da bandeira no Ninho.

 

Saudações, Alvinópolis, terra do carnaval na baixada

 

Hoje eu preciso fazer um intervalo nas histórias estrangeiras da bandeira do Galo para registrar o grande momento nacional da minha rota, que coroou todo o trabalho de 2009:  a chegada da viajada bandeira do Galo a Alvinópolis para o Carnaval 2010.

 

Pra começar, nada podia ter me deixado mais feliz do que os comentários positivos que escutei sobre os meus textos. Muito obrigado a todos que dedicaram um pouco do seu tempo pra conversar comigo e falar alguma coisa legal. Eu escrevo voluntariamente tanto aqui quanto no jornal da comunidade brasileira em Toronto, dá um trabalho do cão, mas a cada elogio a bateria da gente recarrega. Obrigado com força.

 

Esse Carnaval foi inesquecível por vários motivos. Fora o fato de que foi enorme, lotado, divertido demais e cheio de blocos legais, eu ainda enchi o balaio de produtos Dona Zita pra incrementar meus churrascos pelo Canadá afora (ééé, cês acham que eu não valho uma ficha de telefone, mas meu churrasco faz sucesso com a gringaiada, viu? E agora com sal grosso temperado Dona Zita, esse povo vai endoidar), e ainda consegui uma nova companheira de viagem: uma camisa do Alvinopolense, que agora vai acompanhar a bandeira do Galo nas viagens pelo mundo afora. O meu muito obrigado ao Magela e aos diretores do  clube, há anos eu queria uma daquela.

 

E como todo lugar que a bandeira visita recebe uma boa análise nesta coluna, e como Alvinópolis não fica atrás de lugar nenhum desse mundo, segura aí porque hoje o assunto é a cidade-carinho.

 

Em primeiro lugar, estou muito encucado com um negócio. Desde o Carnaval que uma coisa não me sai da cabeça, e eu preciso compartilhar com vocês. Não consigo parar de pensar nisso, não consigo pensar em outra coisa, então vou ter que falar. Lá vai:

 

Reboleixon, Reboleixon

Rebolei Xon Xon, Reboleixon

Vai no Reboleixon

 

Ave Maria, tocou só 970 vezes. Vou ter que escutar Jane e Herondy cantando “Não se Vá” um dia inteiro pra tirar essa música da cabeça.

 

Carnaval 2010 - Bloco Ninho da Àguia organizado pelo Ângelo Hosken

 

Bom, qualquer visita a Alvinópolis começa pelo Ninho da Águia, sua cerveja gelada e tudo aquilo que só acontece ali. E no Carnaval o bar enche e fica mais engraçado, embora isso deixe todo mundo preocupado com a saúde de Ciloca, que fica estressado com a confusão. Nem tive coragem de pegar cerveja em meu nome, botei tudo na conta do Juninho, com medo de levar um golpe de osso de frango.  Sei lá, vai que ele fica tenso comigo e a casa cai. Bom, se bem que, pelo que eu conheço do telhado do Ninho da Águia, acho que a casa já caiu faz é tempo.

(Aliás, o mais legal foi a abertura de contas. Enquanto Zé Maria manda anotar cerveja pro “cara de Monlevade” - tinha 200 deles no bar -, a conta de um cara que usava aparelho de audição lia “Surdo: uma lingüiça e duas cervejas”.)

 

Um boato terrível circulou nesse Carnaval: disseram que Leleco fora vetado do desfile da escola de samba. Eu só vi uma escola e lá ele realmente não estava. O povo ficou indignado, afinal Leleco é uma lenda viva. Foi ele que um dia ensinou o povo a dançar a Eguinha Pocotó do alto de um carro alegórico. Bom, ele sumiu durante o Carnaval inteiro, mas na terça-feira descontou: tomou banho de biquíni no chuveiro às portas do Ninho da Águia. Sinceramente, acho que nem a Princesa Diana já foi tão fotografada debaixo de um chuveiro. Até fiquei com medo de ele montar em uma charrete para fugir dos paparazzi e sofrer um acidente no Gaspar (dizem que já houve uma batida de charrete lá, não é?).

 

Vaninho também compareceu, fazendo uma força tremenda pra se equilibrar naquele sapato de salto, e com uma bermuda tão bamba que não deixava cofrinho, deixava um caixa eletrônico de fora. Cabia moeda, nota, cheque, titulo ao portador, transferência em formulário de 3 vias, ouro em barra... Ou até uma colher de arroz, que segundo consta, foi realmente o que quase acabou caindo lá.

 

Em frente ao Ary, mais uma parada da bandeira. Na foto, Juninho, Pião, Allan, Cristiano, Christiano (DJ Faria), Sukinha.

 

E no meio de tanta andança atrás de bloco, caminhão-pipa e pela baixada afora, uma hora o elemento precisa parar para visitar o sanitário e exorcizar a cervejada. Fim de noite, calcanhar mais estourado que joelho de Ronaldinho, e Cristiano voa para o banheiro do Bar Alvinópolis, que já estava fechando. Dois segundos após entrar, a faxineira soca a vassoura lá dentro pra me cutucar e grita: “Vão bora, meu filho, porque hoje eu peguei às 6”. Acredite, juventude, efetuar a operação gritando “peraê, peraê” e escapando daquele cabo não foi fácil. E sem reclamar, pois afinal, quem sou eu pra reclamar com alguém que pega às 6 da tarde em plena terça-feira de Carnaval?

 

Bom, e ainda teve muita coisa, mas agora eu já voltei pro Canadá e nesse momento estou inclusive matando serviço pra escrever isso aqui. uma neve de lascar descendo hoje, e eu estou ficando sistemático aqui, lembrando de tanta coisa boa e dando aquela saudade... Nem sei como é que ainda estou conseguindo fazer um texto bem humorado, hoje eu mais pra obituário. Bom, mas vou voltar ao trabalho e começar a longa espera até o próximo carnaval onde, se Deus quiser, reencontrarei todos vocês.

 

Obrigado por mais esse Carnaval, Alvinópolis.

E obrigado Ana, Magela, Juninho e Nicole por me receberem e ainda encararem a triste tarefa de me alimentar.

 

Apita Antônio Barcelos Filho (que eu inclusive não encontrei dessa vez):

Errrrrrrrrrrrrrgue os braços.

 

Cristiano de Oliveira é mineiro de BH, residente em Toronto no Canadá.

Já visitou Alvinópolis inúmeras vezes.

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