UM ATLETICANO NA FRANÇA – Parte I

 

O Casamento na Normandia

 

 

 

Saudações, Alvinópolis abençoada por Nossa Senhora do Rosário.

 

Aproveito o dia da padroeira para pedir que ela abençoe sempre essa terra boa.

 

Bom, então, resumo do capítulo anterior: Heleninha toma 500 cachaças e troca a Corega de Odete Roitman por um tubo de Araldite. A turma da Mel sobe o morro pra comprar droga e consegue, levando 50kg de Murilo Benício puro pra casa. Cristiano quebra todos os recordes de exagero alimentar na Alemanha e segue rolando até a França.

 

Pois é, gente boa, fui levando a bandeira do Galo para mais um passeio. A gente faz as coisas de coração, sem nunca pensar em receber nada em troca, por isso não quero um tostão sequer de ninguém. Mas se o Kalil tiver em casa um Galo de Prata velho que ele não usa mais, a gente aceita de coração. É a campanha do agasalho do coração atleticano.

 

Então tá. Saí da Alemanha em direção a Beuzeville, na Normandia, região da França onde eu tinha um casamento pra comparecer de um pessoal que eu nem conhecia. Fui informado de que o casamento seria em um castelo. É lógico que, na mesma hora, lembrei de Ronaldinho casando no castelo com aquela moça da bocona, cujo nome eu esqueci. Preparei terno, gravata, e fui com . Mas o atrás começou antes de sair. A informação também dizia que os convidados poderiam dormir no castelo. Gozado, Ronaldinho não tinha mencionado isso.

 

quando eu cheguei que aprendi como funciona o esquema: a França tem mais castelo do que o Brasil tem dupla sertaneja. A manutenção de um bichão daqueles é uma fortuna. Pra poder bancar, os proprietários alugam pra eventos, colônia de férias de criança, etc. Resultado: alugar castelo na França é como alugar salão de festas no Brasil. Os noivos não eram os milionários que o inocente aqui pensou. Muito pelo contrário, a coisa virou de Real Madrid pra Pinga Rato: logo notei que a recepção não tinha buffet, a família da noiva que tinha feito a comida, e não havia UM garçom sequer. Disseram-me que garçom é caro demais, então é normal que os próprios convidados se revezem pra servir mesas, retirar louça suja, e tudo o mais. A matemática na cabeça agiu rápido: se os convidados franceses estão recolhendo os pratos e servindo salgado, é bom eu correr, porque pro convidado brasileiro é bem capaz de darem um rodo sem borracha e um litro de Pinho Sol.

 

Na hora do jantar, eu tive que fazer um trabalho psicológico: tudo bem, não tem buffet do Ronaldinho, não tem banda nem baile, não tem uisquinho doze anos... Não foi bem o esperado pra um casamento em um castelo.  Mas casamento é casamento, então é longa vida aos noivos e queixo no peito, queixo no ombro, bola no gol e me arrume um copo e um prato, por gentileza.

 

 

Mas não seria assim tão fácil. Quando eu chego na área externa do castelo, onde o jantar aconteceria, qual não foi minha surpresa ao ver o prato principal fumaçando pesado bem à minha frente? Um churrascão de porco numa churrasqueira enorme sem chaminé e no meio de um quiosque coberto. Sabe barraca de batatinha em exposição agropecuária? Que quando o cara bota batatinha pra fritar, você vê as pernas dele no meio da fumaça? Pois a churrasqueira estava exatamente assim. E eu na fila, tentando pegar um lombinho no meio do fumacê. Ô tristeza, meu terno novinho, 800 prestações na Klus do Pátio Savassi... Pelo cheiro, parecia é que tinha sido comprado por 3 Tickets Restaurante no trailer do Renato Burguer.

 

E foi assim, cheirando a chapa de bar do Mineirão no meio do casamento, que eu esperei a sobremesa com toda a paciência. descobri mais uma coisa: na França, é normal comer como sobremesa... Queijo! É sério, todo mundo comendo queijo logo depois do jantar. E é aquele queijo bem mofão, que cheira a guarda-roupa de casa de praia. Eu até gosto desses queijos, mas depois do jantar não desce. Voltei pro castelo pra esperar bolo, porque bolo em casamento é igual McDonald’s: no mundo inteiro tem. E como eu não falo francês, acabei ficando meio deslocado na festa e trocando uma ideia com o bolo até a hora de dormir.

 

A propósito: dava pra dormir no castelo sim. Como ele era usado normalmente pra colônia de férias de crianças, os 900 mil quartos do castelo tinham uns 8 beliches em cada um. O colchão do meu beliche não era virado desde que a vó do Asterix fez colônia de férias . Tinha uma erosão no meio dele.

 

Pois é, e foi assim que passei pela Normandia, vendo o belo Rio Sena, tomando vinho e explicando aos poucos franceses que me deram ouvidos o que é esse tal de Galeaux Doideaux, Terrozaux de Mineirrôm.

 

Por ora é isso. Na próxima a gente volta com mais esculhambação pela França. Vamos à Bretanha comer crepes com caramelo e visitar o Mont St. Michel.

 

Apita Antônio Barcelos Filho: Errrrrrrrrrrrgue os braços!

 

Cristiano de Oliveira é mineiro de BH, residente em Toronto no Canadá. Já visitou Alvinópolis inúmeras vezes.

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