UM ATLETICANO NA FRANÇA – PARTE II:

Pelo interior até a Bretanha

 

 

Saudações, Alvinópolis, terra do andarilho que dorme na praça

 

(nada melhor que o mural do Alvinews pra ficar por dentro dos bate-bocas de Alvinópolis.)

 

Resumo do capítulo anterior: Leôncio vira Velho do Rio na frente da Bruaca, que apaixona na hora. Jamanta contrata um carro de som pra avisar que vai matar Sandrinha. Cristiano abençoa e dá prejuízo aos noivos na Normandia, e segue em direção à Bretanha, levando a bandeira do Galo e agora também um terno enfumaçado de churrasco.

 

Antes de começar a história, uma pequena reflexão: o verão aqui no Canadá acabou e o frio voltou. E com o frio, vem a mais famosa personagem da cidade de Toronto: a maresia! Você entra no ônibus a qualquer hora, qualquer dia, e tem sempre pelo menos uma pessoa que não toma banho há uma semana. A maré chega a queimar os cabelinhos do nariz. Talvez eu esteja por fora: a moda agora deve ser passar anchova com queijo no sovaco e sair na rua. E a empresa responsável pelo transporte público da cidade diz que vai aumentar a tarifa ano que vem. Deve ser pra incluir uma barra de 15 kg de Glade Sachê dentro de cada ônibus. E pela caridade, não me venha com aquela velha história de que no Brasil é pior não. Brasileiro tem que parar de se achar o ser mais sofrido do planeta. Em matéria de povo mais porcão, o canadense é imbatível.

 

Bom, então vamos voltar à viagem pela França. Eu saí da Normandia e fui a outra região da França bastante interessante: a Bretanha (não confunda com Grã-Bretanha. Essa é a Inglaterra). Terra do Asterix e do caramelo mais gostoso que eu comi. A tradição do local é panqueca de caramelo. Eu comi umas dez porque comer muito não fez bem à saúde.

 

 

 

A viagem foi de carro e o interior da França é curioso. Cheio de cidadezinhas. Como diz o meu pai, cheio de “corrutela”. Mas é sério, vem uma placa com o nome da cidade, você passa por três casas, uma igrejinha, e vem outra placa com o nome da cidade, que dessa vez com uma tarja vermelha por cima, igual placa de proibido estacionar. Significa que acabou a cidade. Você passa por 500 dessas, e tudo isso em meio a muita curva. A quantidade de curvas é tanta que faz a 381 parecer pista de pouso.

 

Parei em um lagar de azeite pra conhecer a produção e acabei participando de uma degustação. Quando falaram em degustação de azeite, eu de cara imaginei um pãozinho com azeite e sal, um vinagrezinho... Na hora, assinei a súmula e pedi pra entrar em campo. Quando a degustação começou, a roubada: o azeite vinha na colherzinha. Meus prezados, vocês beberam óleo? Pois é, a cada colherzinha daquela eu pensava naqueles garrafões de Lubrax. Lembrei-me de quando meu Kadett 94 rompeu a junta do cabeçote e cuspiu óleo pelo cano de descarga. Eu sou doido por azeite, mas de colherzinha, meu povo, não dá. Infelizmente, pobre não pode participar dessas coisas não. Ao invés de pensar na beleza do azeite francês, fica pensando em panelão de fritar pastel na Praça 7.

 

Quando a degustação acabou, a pior parte: voltar pro carro e encarar as curvas da estrada. O estômago embrulhou tanto que eu cheguei a achar que estava suando azeite. Se tivesse um saco de cebola ao meu lado, eu ia achar que tinha virado bacalhau.

 

A região tem um dos lugares mais bonitos que eu vi: o Mont St. Michel.

 

 

Era um pequeno mosteiro em uma ilha, centenas de anos atrás, mas foi acumulando construção em cima de construção, e tornou-se uma “comuna”, que na França significa a menor subdivisão administrativa de um território. O mais interessante é que, quando a maré abaixa, dá pra ir do continente à ilha pela areia. Mas ninguém é doido, pois a maré sobe depressa demais. Além disso, a lenda diz que ali é a terra da areia movediça. E eu achava que isso existia naquele seriado do final dos anos 70, “A Ilha Misteriosa”, aquele do Dr. Estranho, em que todo dia alguém caía na peste de uma areia movediça. Dava medo de ir à praia depois de assistir àquilo.

 

 

E foi nos banheiros da França que eu descobri uma das coisas mais modernas da atualidade: a descarga ecológica! As descargas na França possuem dois botões. Um pra pouca água e outro pra muita água. Fraco e forte. Número um e número dois. Um pra Ivan Lins cantando “Você Foi Saindo de Mim”, o outro pra Kiko Zambianchi cantando “Rolam as Pedras”.

 

Ave Maria, hoje nem deu tempo de falar do Galo e fazer meu apelo: Doe Galo de Prata, Doe Vida. Fim de semana passado eu escutei encheção de saco de 500 flamenguistas e cruzeirenses no bar mais cheio de cachaceiro da cidade, e ainda com um chapéu daqueles de crista na cabeça. Se eu não mereço o Galo de Prata, quem merece? Tonho da Lua? Ziza Valadares? Catanha???

 

Na próxima tem mais. Vamos a Paris para o hasteamento oficial da bandeira do Galo.

 

Apita Antonio Barcelos Filho: errrrrrrrrrrrrrgue os braços!

 

Cristiano de Oliveira é mineiro de BH, residente em Toronto no Canadá.

Já visitou Alvinópolis inúmeras vezes.

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