UM ATLETICANO NA FRANÇA – PARTE III

A bandeira do Galo visita Paris

 

Cristiano Oliveira

 

 

Saudações Alvinópolis, terra da baixada iluminada e do memorial do grande AFC.

 

Resumo do capítulo anterior: Professora Helena dá uma dura danada no Cirilo e o bota pra ajoelhar no milho. Maria do Bairro sai no pau com Maria Mercedes. Cristiano deixa a Bretanha pra levar a sofrida bandeira do Galo a Paris.

 

Por falar em Galo... ê Galo que faz a massa sofrer. E agora é que eu mereço o Galo de Prata mesmo. Além de passar o ano inteiro defendendo o Galo e levando bandeira pra tudo quanto é canto, ainda escuto que sou bipolar, que era mais feliz em 2005... Acho que agora seria fundamental me dar um Galo de Prata, nem que seja por danos morais.

 

Bom, a história da viagem ainda não acabou, mas essa é a última que eu escrevo do Canadá. Na próxima vou estar , porque Natal fora de casa nãocerto. Então o Brasil que se segure porque eu estou descendo a serra.

 

Voltemos então à viagem. Eu saí da Bretanha e fui de trem a Paris, onde a bandeira do Galo ia ter que fazer uma aparição pública. E se tem uma coisa que não me agrada é o tal do trem. não basta o fato de que as malas nunca cabem direito dentro daquilo e dos bancos serem virados uns pros outros (ou seja, você viaja encarando o caboclo à sua frente), ainda há o risco de você não conseguir cadeira virada pra frente e ter que ir a viagem inteira sentado de costas. E eu como sou um rapaz de muita sorte, é lógico que nunca consigo uma cadeira virada pra frente. , jovem, é a viagem toda sonhando com uma caixa de Dramin. Ô enjoo.

 

De cara, em Paris, uma dor profunda: nãonada pior do que pagar 67 euros pelo pior bife que eu comi na vida. osso e nervo. Tem comida muito boa em Paris, mas em matéria de carne, não fui feliz (pra rimar tudo com Jorge Luiz, zagueiro que devia estar no Ibís. Chora, Carlos Drummond de Andrade). E um alerta: se falarem que a pizza tem ovo, pode correr. Pedi uma pizza com ovo achando que era tipo a portuguesa do Brasil, mas os caras simplesmente quebraram um ovo cru em cima da pizza. faltou uma Caracu.

 

Ao visitar a Galeries Lafayette, ponto turístico fundamental de compras, uma constatação: as sandálias Havaianas, que até a década de 80 serviam pra serem jogadas em juiz de futebol, realmente viraram artigo de luxo. Há um estande enorme delas (35 euros e você combina a tira e a sola que quiser, os caras montam na hora), e com um destaque: em uma pequena vitrine, um par de Havaianas com diamante incrustado na tira. Preço: 440 euros. Uma Havaiana!! Aquela mesma que o Chico Anísio fazia propaganda vestido de Bozó! De Bozó, ainda por cima! Esse mundo vai acabar. Quando a gente era pequeno, acho que custava 2 cruzeiros.

 

 

O Museu do Louvre é espetacular, mas triste. A turistada se acotovela pra ver a Mona Lisa, que no fim não vale 10% do esforço. Leonardo da Vinci tirou foi um retrato 3 X 4 da macabéia, porque o quadro é minúsculo. E você fica atrás de um cordão de isolamento a 200 metros dela. Enquanto isso, um quadro imenso de Veronesi fica abandonado do outro lado da sala, e as obras de Rubens e Vermeer, espetaculares, ficam também às moscas. É duro ver a falta de educação também. Uma menina dava tapas na cara de um busto romano de quase 2000 anos, enquanto o trouxa do pai olhava encantado e tirava foto. Turismo predatório. Aquilo não vai durar muito.

 

 

Segui pela Champs Elysées para ir ao Arco do Triunfo, e fui achando que ia morrer de vergonha, pois todo mundo fala que é a avenida da moda, todo mundo muito elegante, lojas da Gucci, Armani... O cara que vai a um lugar desses usando calça jeans e camiseta do centenário do Galo sabe que o negócio não vai acabar bem. Mas qual não foi minha surpresa ao ver que aquilo bagunçou também. Gente vestida de tudo quanto é jeito, McDonald’s no meio dos restaurantes bonitos, e pra completar, um grupo de torcedores do Rennes pára o ônibus pra desembarque bem no meio, fazendo uma zoeira danada. E ao chegar ao Arco do Triunfo, quem eu encontro , assistindo à cerimônia de troca de guarda no monumento ao soldado desconhecido? Uma morena com uma barriga tipo a do Genival Lacerda, com um top extremamente justo e estampadão com a bandeira do Brasil, e um salto tamanho 480. Será que ela queria mostrar que era brasileira? Fiquei com medo de tocar uma marcha fúnebre e ela começar a sambar.

 

Ó, o negócio é o seguinte. Escrevo esse texto logo depois do final do campeonato brasileiro, e sinceramente, contar caso quando o campeonato acaba do jeito que acabou é duro! Tô sistemático, não estou bom pra contar história não. Então na próxima eu falo mais da visita a Paris.

 

 

Gente boa, um Natal da mais alta qualidade pra todo mundo e um Ano Novo GG: joinha, joinha. Muito obrigado por lerem minhas enroladas aqui no Alvinews e por todo o apoio que me deram em 2009. Ano que vem tem mais.

 

Apita Antônio Barcelos Filho: errrrrrrrrrrrrrrrrgue os braços!

 

Cristiano de Oliveira é mineiro de BH, residente em Toronto no Canadá.

Já visitou Alvinópolis inúmeras vezes.

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