O ATLETICANO EM PRAGA,

A HISTÓRIA QUE NÃO TERMINOU.

 

Cristiano de Oliveira

 

 

Saudações, Alvinópolis da pedrada no colégio.

 

Ô cabeça ruim, hein? Jogar pedra no colégio? Tenha paciência. Deus que ajude que isso não tenha a ver com política, porque se tiver, o castigo do céu virá e o próximo prefeito de Alvinópolis vai ser tão mau que fará Ricardo Teixeira parecer o Gandhi. 

 

E por falar em política: quem foi que ligou pro Mário Caixa na Itatiaia, durante o jogo do Penarol, pedindo abraço pra Marilac? Ééééé, eu tô longe mas tô de olho aqui, viu? Cês são de lascar... É João Vitor mandando abraço pra Galo Índio, e agora Caixa com abraço pra Marilac. Como Alvinópolis, no momento, tem aproximadamente 870 pré-candidatos, se cada um pedir abraço a um cara da Itatiaia, coitado de quem cair com Tião das Rendas. O eleitorado não vai entender o nome do candidato, imagina o que vai sair?  "Ó o dinhêr du jôg, garoto caixa. Púb pagante (...) E um abráss lapralvinóps pucandidát xfdafdsaf..."

 

Mas no fim das contas, vocês querem saber qual é a verdadeira solução pra Alvinópolis?

Querem mesmo? Pois eu digo.

 

A verdadeira solução

É José da Conceição Ferreira

Por isso aceite o desafio

E vote em "Zé Meu Filho"

 

(Tá vendo aí? Cristiano também ajuda a manter viva a memória de Alvinópolis, não é só esculhambação aqui não.)

 

E o Campeonato Mineiro, como está por aí? Ah não, peraí, agora mudou de nome: é Campeonato Mineiro Chevrolet. Tem doido pra tudo no mundo, né não? Como é que a Chevrolet bota o nome num campeonato desses? Do jeito que está, daria no máximo para se chamar Campeonato Mineiro Lada. E Lada Laika, ainda por cima! Só sei que, como o futebol mesmo não está prestando, eles arrumam outro tipo de sarna pra coçar. A onda agora é a comemoração dos gols do Alessandro, do América. Vira aquela polêmica, aquela indignação... aquela falta do que fazer!!! Jovem, eu perdi as contas de quantos atacantes do Cruzeiro comemoraram gol contra o Galo batendo as asas pra torcida. Que engraçado, né? A gente racha de rir quando está zoando os outros, mas quando é com a gente, é desrespeito. Isso tudo tem um nome: falta de serviço. Enxada já! Pra todos os jogadores do campeonato mineiro. Sem querer jogar uruca, mas esse ano nós estamos todos lascados. O futebol mineiro tá dando cafubira na córnea de quem o assiste.

 

Em breve, vou fazer uma coluna sobre o Campeonato Mineiro 2012 aqui em Toronto: além das tradicionais erradas no bar da Dona Graça, no primeiro clássico eu fiz uma via sacra, visitando outro bar também. Aguardem. Vou esperar as finais, que é pra coletar mais caso. Afinal, esse ano eu trouxe um berrante do Mercado Central pra acompanhar a crista e a bandeira na invasão do bar da Dona Graça, e ainda não o estreei.

 

 

Pessoal, ano passado eu estava contando a história da minha viagem a Praga, na República Tcheca, mas aí entrou outro assunto no meio e eu esqueci de terminar a história. Portanto, vou aproveitar hoje pra contar o final de história. Calma que ainda tem inhambu nesse embornal.

 

Pois bem. Lá estava eu, admirado com as belezas de Praga, mas ao mesmo tempo assustado. Pra quem acha que no exterior tudo é festa e vida boa, a cena é pesada. Na praça principal do centro histórico, onde se vende muito presunto na brasa e pão doce feito no torno (o trdelnik), pessoas fuçam as lixeiras procurando comida depois que o comércio fecha. Quando o sol desce, voa todo mundo pras lixeiras atrás de comida. Enquanto a turistada paga preços exorbitantes por alguns pedaços de presunto, um cara revira a lixeira ao lado da barraquinha. Dá vergonha de estar ali, na vida boa, fazendo turismo.

 

Um momento divertido foi a visita ao castelo de Praga, considerado o maior do mundo, com 570 metros de extensão, e que abrigou desde os reis da Boêmia até o atual presidente da República Tcheca. É visita para o dia inteiro, e tem de tudo: troca de guarda, calabouço, exposição de armaduras, e até um lugar onde você pode atirar com uma balestra (ou besta, como queira) antiga. Eu, como grande atirador de espingarda de chumbinho em goiaba, tive que experimentar. Muito legal, especialmente por poder conhecer e até usar uma arma tão antiga. Mas fiquei com pena dos soldados daquela época: deviam dar um tiro e morrer, porque até armar de novo aquela porcaria com outra flecha, o inimigo tinha tempo de matá-lo até com uma escova de cabelo.

 

 

No calabouço, é lógico que não podia faltar a delicadeza e o amor ao próximo que são marca da República Tcheca: uma exposição de instrumentos de tortura, cada um mais horroroso que o outro, dá apenas um gostinho do que a gente encontra nos dois Museus da Tortura que existem na cidade. Mas só fiquei no calabouço mesmo, não fui em nenhum dos dois museus. Ah, pelo amor de Deus! Ficar vendo instrumentos especializados em causar sofrimento? Pra isso já existe o Galo. A Arena do Jacaré é o maior museu de tortura a céu aberto do mundo.

 

Sinceramente, minha opinião não é nada turística, mas eu vou expressá-la: a cidade é muito interessante e tudo mais, mas dá um trem ruim danado na gente. Sério, é um clima esquisito mesmo. Ao menos eu tenho humildade pra falar isso: hoje em dia, falou que é viagem pro exterior, o cara pode ter passado só roubada, mas volta falando que recebeu até revelação de Nossa Senhora lá, de tão bom que foi. Eu digo que valeu a pena e o lugar é espetacular, mas vou repetir: é a maior sensação esquisita. 

 

E se já não bastasse eu jurar que, a qualquer momento, um esqueleto ia passar correndo na minha frente pela rua, guardei o momento chama-rôia principal para a última noite: a visita às catacumbas. Tem um pessoal lá que leva turistas pra andar pela prisão/catacumba que fica bem embaixo da praça central, e eles inclusive foram os entrevistados de um seriado bastante conhecido sobre assombração, chamado Most Haunted. Não sei se passa no Brasil, mas é bem capaz.

 

Mas que ótimo programa pra última noite, né? Você já está há cinco dias só ouvindo falar de cabeça cortada, mão cortada, enforcamento... Aí você vai visitar o lugar onde toda essa turma morria ou aguardava a morte. Só encarei porque meu poder mediúnico é zero. Se nem alma de sítio mexe comigo (aquelas assombrações de fazenda, de que todo mundo sabe um caso), o que dirá uma alma que fala tcheco. Nem oração eu ia conseguir oferecer, pra que ela iria perder o tempo dela mexendo comigo? Baseado nesse raciocínio extremamente técnico, eu tomei coragem e fui lá.

 

 

Quando cheguei lá e vi a guia, meu raciocínio matemático ainda foi mais longe: se aquelas carrancas do Rio São Francisco costumavam espantar alma ruim dos barcos, essa guia era capaz de espantar as almas das catacumbas facinho. Aliás, ela era capaz de fazer a assombração tcheca pedir pelo amor de Deus pra ser transferida pro Rio São Francisco. Feia não, viu? Só um pouquinho. Com uma daquelas puxando a excursão, a assombração da catacumba tem que pedir adicional de insalubridade à prefeitura pra trabalhar ali.

 

E lá fomos nós, caminhando pela escuridão subterrânea. Umas quatro meninas americanas na excursão não podiam escutar um espirro que começava a gritar. Assim as almas não aparecem, ué! A gente paga caro pra ver alma, e o povo fica gritando e assustando as coitadas! A guia disse que fotos com flash às vezes pegam alguma aparição, então saí tirando foto pra ver o que aparecia. Só saíram aquelas bolinhas brancas que sempre aparecem em foto tirada no escuro, mas a mulher falou que aquilo são manifestações. Ah sei, viu? Manifestação é o que as almas daquele lugar já devem estar quase fazendo na porta da prefeitura, com aquela turistada ali aperreando o descanso eterno delas.

 

 

 Mas o melhor da história foi minha demonstração de bravura: em qualquer sala macabra onde a gente tinha que entrar, eu sempre era o primeiro. "Gente, nessa sala aqui morreram 10, tudo de cabeça pra baixo. Quem vai primeiro?" Cristiano entrava logo rasgando! Todo mundo abismado com a coragem do brasileiro. Êta povo destemido! Pode ser encrenca, monstro, fantasma, Drácula... o brasileiro entra de sola! Bão, pelo menos, como bom patriota, foi a ideia que eu vendi. Mas a verdade é meio diferente. O problema é que eu estava mais pra trás do grupo e notei que, quando o pessoal andasse para a próxima sala, eu ia ficar por último. Aí comecei a lembrar da história da loura da estrada de Caeté. Ela pede carona, e se você não der, ela aparece no banco de trás do seu carro. Aí me imaginei lá, bem bobão, ficando por último no meio daquela catacumba escura, e a mão gelada da Loura de Caeté chegando no meu ombro... Nem pensei mais, já corri pra porta dizendo "Eu primeiro! Deixa que eu vou primeiro!" E nem me pergunte como a Loura ia sair de Caeté e chegar a Praga. Vai que alma faz intercâmbio?

 

Então tá bom. Agora sim, posso decretar oficialmente encerrada a viagem à República Tcheca. Mais um lugar onde a bandeira do Galo chegou, mais um xis no mapa do projeto MIDÁ O Galo de Prata (Momentos Inesquecíveis Do Atleticano Objetivando Galo de Prata). Em breve, ela vai baixar em outro canto, se Deus quiser. Até lá, eu vou sofrendo com o time e esperando pra ver se a localização da caveira de burro enterrada no CT aparece pra mim em sonho.

 

Apita Antônio Barcelos Filho, errrrrrrrrrrrgue os braços!!!

 

Cristiano de Oliveira é mineiro de BH, residente em Toronto no Canadá. Já visitou Alvinópolis inúmeras vezes.

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