UM ATLETICANO NO CANADÁ

 

Cristiano de Oliveira

 

Cristiano e a Bandeira do Galo na Islândia.

 

Saudações, Alvinópolis

 

Ninguém deve se lembrar de mim, mas se vão quase 15 anos desde a primeira vez que fui a Alvinópolis, levado pelo honorável idealizador desse site, o nosso Juninho. Depois disso tive a felicidade de voltar à cidade muitas vezes, mas em 2003 me mudei para o Canadá, onde moro até hoje, e meu número de visitas à cidade da baixada do Gaspar diminuiu consideravelmente.

 

Mas no carnaval do ano passado eu estive , e tomando uma cerveja com Magela no Ninho da Águia, contei pra ele uma ideia doida que eu tinha de levar uma bandeira do Galo para viajar pelo mundo afora. Na verdade, naquela ocasião, nós conversamos sobre uma viagem , que eu queria fazer com a bandeira, mas depois eu pensei melhor e achei que a bandeira podia passear um pouco mais. Afinal, que o time do Galo não tem tido muita oportunidade de rodar o mundo, ao menos a bandeira roda.

 

Vamos explicar de onde veio isso: eu vinhaum bom tempo agindo como embaixador do Galo por aqui (afinal, praticamente tem eu de atleticano), e isso inclui ir para o boteco assistir ao jogo com aquele chapéu de crista que o Dadá usava (andar na rua de uma cidade norte-americana com isso na cabeça? tem que ver a cara do povo na rua), e várias outras erradas que eu vou contar daqui pra frente.

 

Aliás, de cara aqui cabe um caso: pouco depois de chegar ao Canadá, a realidade da imigração caiu sobre a minha cabeça como uma bigorna. Antes de ir, tudo é bonito. A gente só pensa que a vida vai melhorar 500 vezes. Mas depois que chega aqui, a realidade é muito diferente. A moradia é ruim, emprego é osso de arrumar, amigos conta nos dedos... Pois era nesse clima que eu estava àquela altura, e até um passarinho tinha feito suas necessidades de ave na minha cabeça. Não faltava mais nada pra aumentar a depressão: sem emprego, sem família, sem namorada, sem móvel em casa, o passarinho me benzendo...

 

Nesse clima, vou eu pelo centro da cidade, vestido discretamente com uma calça jeans e uma simples camisa do Galo, pensando nas complicações da vida, quando uma van branca, grande e suja passa por mim e diminui a velocidade. Mais tarde aprendi o que eram essas vans, mas pra mim, naquele momento, a van parecia ser é do FBI, freando perto de mim e abrindo aquela porta lateral na maior violência. Achei que os caras iam me carregar.

 

Não. Era coisa pior que o FBI. Daquela van pularam uns quatro brasileiros gritando “Zêro” pra mim no meio da rua, e logo depois fecharam aquela portona e arrancaram de novo. Essas vans, na verdade, são usadas pelo pessoal da construção civil, e brasileiro trabalhando nisso é o que não falta por aqui. Naquele momento, eu me esqueci das agruras da vida e pensei na maior agrura de todas: “Cruzei o mundo pra vir tomar grito de Zêro aqui”.

 

Bandeira do Galo na neve de Toronto no Canadá.

 

Mas pra constar: cruzeirense, não se anime. Seu time é tão desconhecido no exterior quanto o meu. Esse papo de “mundialmente famoso” é conversa de presidente de time pra caçar moral com a torcida. Todos os times mineiros ainda têm muito que batalhar pra conseguirem se impor no Brasil e no mundo. Convivo com alemães, portugueses e italianos no meu trabalho, todos fanáticos por futebol, e famoso mesmo, time do Rio e São Paulo, e olhe lá. Infelizmente. O europeu realmente não está nem aí para o futebol sul-americano.

 

Mas minha missão é reverter esse quadro. Então, voltando à minha cerveja com Magela no Ninho da Águia: resolvi que, na próxima viagem que eu fizesse, a bandeira do Galo ia comigo.  Comecei o Projeto Bandeira do Galo Viajante, e de cara eu a levei para a Islândia, Alemanha e França nesse último mês de maio de 2009.

 

Vou começar contando os casos da Islândia, na próxima edição.

 

Apita Antônio Barcelos Filho: errrrrrrrrrrrgue os braços!

 

Cristiano de Oliveira é mineiro de BH, residente em Toronto no Canadá. Já visitou Alvinópolis inúmeras vezes.

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