Família
retrata o coração.
Ana Teresinha Drumond
Machado
“Quando fala o amor,
a voz de todos os deuses deixa o céu
embriagado de harmonia”. (Shakespeare)
Há tempos li um adágio
que dizia: “família só é bom em porta-retratos”. Infeliz de
quem a vê dessa forma! Mesmo entre a rica diversidade e
pessoalidade com que somos dotados, a família é a maior
fortuna alastrada por entre o transcorrer das gerações. Há
os mais carinhosos, os que amam sem alarde, os que brilham
os olhos de emoção, os que choram por dentro, há ,
sobretudo, pessoas humanas, diferentes e singulares, em meio
à pluralidade. Há sempre algum mais fértil em ideia, vincado
pelo amor – nem sei como nomear a ação – mas é mais nobre do
que eu. Esta é a trilha que encontrei para agradecer ao
Flávio pela fulgente sugestão de reunir nossa família em
uma ocasião que se pudesse estar e ficar alegre pelo simples
fato de reencontrarmos todos.
Valendo-me da expressão
moderna do “facebook”, Flávio cutucou a mim, que cutuquei
Tâmara, que cutucou Lara, que cutucou Marilda, que nos
cutucamos e como efeito dominó as pedras se perfilaram e
formaram a ala espoliada de Zé Drumond e Ritinha. Como bem
disse Betânia: “o clã de Ritinha e Zé Drumond - filhos,
filhas, netos, netas, bisnetos, bisnetas (e mais...),
esposas e maridos: os agregados e agregadas” viveram uma
tarde ímpar de alegria. Tomando por empréstimo os dizeres de
Lara: “Ha muito não vejo tanta felicidade em tantos de uma
mesma familia, num fim de semana! Alvinópolis não cabia de
tanta felicidade! A "Drumonzada" exalava familia! Até meu
filhote ( Theo) entendeu o significado de família com as
nossas camisas...” – disse ela no facebook.
Naquele trelelé faceano nos comunicamos, nos entusiasmamos.
Contatos apagados foram reescritos, diálogos bolorados foram
desinfetados, uma fragrância de felicidade adolescente fluía
de nossa emoção , quando nos vimos em contagem regressiva.
Apenas alegria!
No
ziguezaguear das sugestões aventadas, aportaram camisas
personalizadas e Zé Drumond, Ritinha e os onze “pintinhos”
se fixaram como placa de fundação. Ademais, diálogos,
sugestões, troca de ideias, expectativa e uma louca vontade
de que o calendário acelerasse – menos o meu coração – foi a
constante durante os dias que antecederam o dia 28/01/2012.
Como o ar estava aquecido de prazer! Esperávamos a todos com
a mesma comoção. Dia 26, desce a primeira turma: Alexandre,
Tâmara, Lucas e Júlia. No dia seguinte, 27, acompanhando o
entardecer chegam Flávio, Terezinha, Lucas e Amanda.
Chegou o sábado, 28 de janeiro. Acalorados,
uma orquestra de canários, bem-te-vis, coleirinhas,
tico-ticos, se perfilaram nos galhos da jabuticabeira, em
nosso quintal, para fazer o “fundo musical” ao café da manhã
como a dizermos: sejam BEM-VINDOS! E, assim, se achegaram
as famílias de Sebastião, de Geraldo, de Antônio, de
Humberto, de Theodoro .... ou para o café da manhã, ou
mesmo para “forrar o estômago” à espera do almoço. Ah! Não
posso me esquecer do suco de mangas, catadas
a dedo e feito por Edmundo para toda a família –
considerada com carinho por ele, como extensão da sua.
Ao
meio dia, veio chegando um a um. Coloridos de sorrisos,
pintados de alegria, nevoados pela timidez, mergulhados de
receio adornaram, mais ainda, “meu fundo de quintal”. À
medida que a família se compôs – da matriarca Nena...à
caçulinha Ana - a “Drumonzada ocupou o Nik’s e deu vida à
composição de Gonzaguinha: “Eu fico com a pureza da resposta
das crianças... É a vida, é bonita. E é bonita.../Viver!E
não ter a vergonha/De ser feliz/ Cantar e cantar e
cantar...”
O
“I Encontro Drumond” rendeu-nos o prazer imensurável de
abraçar, aplacar muita saudade remontada, reatar laços,
conhecer novas gerações, nos aproximar dos novos “agregados”
os quais se tornaram família em um ambiente em que se
brindou o legado deixado pelos pais, além da felicidade de
estarmos juntos, de rememorar os “causos engraçados de
família”, podermos ouvir as delícias do passado, deitarmos
sobre a mesa as trocas de memórias, darmos sabor às
lembranças no presente, rirmos de nós mesmos, enfim, de
vivermos em um ambiente de confiança onde se podia “beber
cair e levantar” sem sujeição ou temor algum.
Sei
que o I Encontro Zezé Ritinha e a sua descendência -
iluminou nossos corações , regou muitos olhos de lágrimas,
(re)acendeu a chama de o SER FAMÍLIA que ama com
profundidade, que caminha em caminhos de seixos, flores e
encruzilhadas distantes, porém há nela uma via principal
capaz de tornar o fluxo familiar recapeado pela massa
amorosa do sangue Franca Drumond. A verdadeira felicidade
começa na própria casa e depois se estende àquelas que vão
surgindo gota-a-gota com os "agregados", os quais formam um
enxurro consanguíneo em busca de uma trilha para sagrar o
amor. Devemos todos, indistintamente, nos sentir laureados
pelo I Encontro da família de Zezé e Ritinha Drumond com
alegria e prazer apregoados em cada olhar com um grande VIVA
PARA TODOS NÓS!
Ana Teresinha Drumond
Machado é alvinopolense, professora e escritora.
Email :
anadm5@hotmail.com
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