A Violência tem suas origens

 

Ana Teresinha Drumond Machado

 

                                     

                                                        

            Com esses ferinos e amiudados assassinatos em dispersão pelo Brasil, constata-se que a violência em nosso país ultrapassa os limites da racionalidade. Essa “onda” de violência inunda nossa “Pátria Amada” há boas décadas, porém hoje o dilúvio de criminalidade aventa as paredes, invade as partes mais íntimas das famílias e faz dali um mar vermelho, sangrento.

            Ao fazer minha, as palavras do notável dramaturgo Nelson Rodrigues “Estamos sendo esmagados pelo anti-Brasil”, diria que já fomos esmagados por inúmeros motivos, os quais não cabem, aqui, discutir, pela freqüência e inumerabilidade de episódios.

            Para apenas rememorar as prováveis razões, poder-se-ia levantar aspectos já sabidos como: a escassez de políticas públicas, deficiências sócio-econônicas, baixo nível de escolaridade, falta de ideologia ou perspectiva de vida e outras mais, todavia o fato está rondando a sociedade e as nossas casas.

            O que se torna mesmo inquestionável é que nascemos seres frágeis, puros e dóceis, todavia tão logo crescemos, ficamos egoístas e ambiciosos. Distanciamo-nos uns dos outros de uma tal forma que o outro deixa de ser o “meu próximo” e passa a ocupar o lugar de adversário ou inimigo, e o pior, apossamo-nos de um espírito animalesco e tudo cai na normalidade selvagem  

            Na sociedade contemporânea, parece que a agressividade está inata e como se “Violência resolve-se com violência”. Estamos nos profissionalizando na agressividade, não poderia dizer “canina”, pois o cachorro é um animal fiel, amigo.

            De nada adianta transferirmos responsabilidade. Chegou o momento de ação, de  educação vinda do berço – isso está faltando. Os pais são responsáveis pela família. Passar valores, respeito e limite são deveres do pai e da mãe.  Estes estão transferindo tais responsabilidades a creches, a avós, a babás muitas vezes despreparadas. Os hábitos familiares espelham valores, princípios, concepções de mundo e de vida, e cabe à escola dar continuidade àquilo que presumivelmente viera de casa.

            Confúcio dizia que “A natureza dos homens é a mesma”, são seus hábitos que os mantêm separados, e eu hoje acrescentaria: violentos, agressores, inumanos.

            Reiterando o tema violência venho dizer: como foi doloroso assistir aos noticiários nesta última quinzena de outubro. Ver um campo de guerra pode ser menos sofrido – pois são inimigos em defesa de seu território. As marcas de violência estão se banalizando socialmente. Vimos nesta semana, pai matando a mulher, os filhos e a própria mãe; a mídia exibiu em por mais de uma semana, um namorado tresloucado dar fim à vida de uma adolescente; tio estuprar e matar sobrinha, ainda menina; empresários assassinados.

            Já não mais é preciso criar leis, nem programas de prevenções, nem presídios de segurança máxima. Urge que nos eduquemos e nos tornemos mais humanos. O Brasil não tem que se posicionar contra ou a favor da violência, às autoridades compete fazer justiça e manter a paz; e a nós, como cidadãos brasileiros, cabe desenraizar a violência de dentro de nós. Temos que extirpar os monstros que estão fincando morada entre nós homens e transformando-nos em selvagem-humanos.

            Promover a paz através da reeducação dos valores, da dignidade humana, da trilogia francesa: liberdade, igualdade e fraternidade deve ser nosso alimento para que deixemos de ser ameaçadores de nós mesmos e da sociedade, tornando o mundo animalizado, no qual um violento assassino, age com astúcia e ainda se dá a alcunha de humano. Essa é a grande verdade de um país, rico, magnífico e amado por seus filhos naturais e estrangeiros.

 

Ana Teresinha Drumond Machado é alvinopolense, professora e escritora.

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