NOVOS CAMPEÕES NACIONAIS

 

Antônia Neves

 

 

Medalhas estão chegando de vários países, dos concursos e feiras de vinho.

Nossos vinhos estão fazendo bonito, não estão como a seleção brasileira de futebol, onde os jogadores (não são craques), já têm o suficiente e não precisam dar de si para ganhar a vida. Ao contrário, nossos vinicultores cada vez mais preocupados com a qualidade dos seus vinhos, estão se esforçando ao máximo para conseguir mostrar a todos, a nós brasileiros e ao mundo, onde já estamos em termos de qualidade vinícola.

Só provando pra ver.

É isso que proponho principalmente àqueles que não dão muito valor aos vinhos nacionais. Faça uma degustação e comprove. Pena é que os mais famosos custam muito caro, como todos os famosos (inclusive jogadores de futebol, mesmo marginais) de qualquer lugar.

Mas além dos já consagrados Miolo Merlot Terroir, Salton Desejo, Talento e outros, há alguns ainda não tão famosos que estão num custo razoável, digo razoável por que também não são baratos.

Alguns que degustei recentemente me cativaram pela cor, pelos aromas agradáveis e finos, pela estrutura e equilíbrio entre acidez, maciez e taninos elegantes na boca, e ainda pelo longo final do aroma de boca e sua intensidade.

 

Cabernet Franc 2005 - 14%

Vinícola Valmarino Ltda Pinto Bandeira/RS/Brasil

 

 

Um vinho que demonstra todo o potencial da região além da tipicidade da casta Cabernet Franc. Com cor linda rubi escura, aromas de tutti-fruti, chocolate, baunilha, vegetal, especiarias e um toque de violetas, daquelas antigas. Longo na boca e com agradável persistência dos aromas de boca. Vinho ganhador de muitas medalhas. Complexo e elegante, adorei este vinho, de uma uva não tão conhecida em carreira solo, aparece sempre como coadjuvante da Cabernet Sauvignon mundo afora.

Prove logo!

 

Vinícola Angheben:

Vinhos: Touriga Nacional, Barbera, Espumante Brut (o meu preferido nacional atualmente), Gewurztraminer, Teroldego.

 

A menos do espumante, todos estes nomes são de uvas vitis viniferas, a espécie indicada para se produzir vinhos de qualidade. Nem sempre saem de boa qualidade. Mas esta vinícola faz destas uvas, plantadas em solo nacional, alguns dos melhores vinhos que já provei de nossas terras. Têm um custo muito bom para a qualidade que oferecem e já sou fã de carteirinha destes vinhos que vi nascer. Visitei a vinícola quando ela ainda era uma bebê, num galpão com apenas duas cubas no vale dos vinhedos. As uvas vêm de Encruzilhada da Serra, Serra do Sudeste no Rio Grande do Sul, local de onde estão saindo alguns dos melhores produtos nacionais. Deguste e verá!

 

RAR Collezione PINOT NOIR 2008 14%

Campos de Cima da Serra/RS/BR  

Cor rubi intenso sem reflexo. Aromas de morangos, framboesas, cerejas, pimenta rosa, violetas, baunilha, chocolate, intenso no aroma e de boa persistência, elegante. Boca ótima, taninos macios estruturados, corpo médio, ótimo equilíbrio com acidez normal, intensidade de boca muito boa e longo final frutado. Beber agora e ainda por mais 2 anos. 88 pontos. Tipicidade presente, gostei, muito agradável, melhor PN brasileiro que provei. Mas é um pouco caro, por ser nacional, em torno dos R$50,00.

 

 

Villa Francionni Chardonnay

De Santa Catarina, mais especificamente da Serra Catarinense, São Joaquim (lugar onde neva no Brasil). Desde a primeira safra, o  chardonnay da vinícola se mostrou o melhor do país. Continua muito bom, mais equilibrado e menos amadeirado. Gosto muito deste vinho. Da mesma vinícola, o Sauvignon Blanc também é bem típico e agradável, com uma tipicidade da casta pouco encontrada em terras nacionais. Vale experimentar. Também com custo alto.

 

 

Aliás, por falar em vinho nacional, estão com cara nova desde o segundo semestre de 2009, alguns dos primeiros vinhos nacionais de preço bastante acessível, básicos, de vitis vinifera, sem enganação. A linha básica SELEÇÃO e os RESERVA, linha intermediária da Vinícola Miolo.

 

 

Não foi só o rótulo que mudou e prá muito melhor, do vinho Miolo Seleção Branco e Tinto. O conteúdo também mudou. A nova safra para o tinto e para o Branco chegou com muito mais equilíbrio, sinal que a qualidade evoluiu (cresceu).

O branco, corte das uvas chardonnay e Riesling itálico, está com um aroma delicioso, bem intenso e persistente. Notam-se aromas de flores e frutas brancas frescas, com seus civilizados 12º alcoólicos. Na boca é leve e agradável, bem seco sem ser amargo e acidez bem equilibrada. Sinal de equilíbrio, de qualidade da matéria prima (as uvas agora vem da Campanha Gaúcha), de boa e cuidadosa vinificação (apesar de ter preço acessível), e da atenção da vinícola com seus produtos, mesmo os da linha básica. Vai agradar ao publico a que é direcionado, principalmente um vinho ideal para tardes ensolaradas, para acompanhar coquetéis variados em recepções, frutos do mar e peixes mais leves.

Quanto aos tintos, vêm agora mais concentrados, mais estruturados na boca e com bom equilíbrio, menor acidez. Com corte de duas castas (uvas) diferentes, são para serem apreciados ainda jovens, mas já agradáveis ao paladar, pedem acompanhamento de pratos mais estruturados. Os aromas, ainda um pouco fechados no inicio, se abrem no copo com o frescor das frutas vermelhas e pretas e com toque levemente abaunilhado, na boca se mostram macios e de bom corpo, ideais para o dia a dia. 

 

Claro que não esgotei o assunto sobre os vinhos nacionais de qualidade. Existem muitos outros e ótimas vinícolas, que fazem um trabalho sério. De outra vez continuo este papo, se agradar aos leitores do Alvinews.

 

OBS.: Não poderia deixar de registrar aqui o que degustei durante o último jogo da Copa do Mundo de Futebol neste ano de 2010 em que a Espanha ganhou da Holanda por 1 a zero: ONIX Classic 2006 – 15% - Vinícola Del Priorato/Espanha, daí já se deduz pra qual time eu torci.

Este vinho espanhol é de uma região vinícola conhecida mais por experts, o Priorato. Fica na Catalunha, ao sul de Penedés que é onde se fazem os melhores espumantes espanhóis, as Cavas. Vinho de cor rubi escuro sem reflexos, inicialmente com aromas de frutas pretas como cassis, amora, e forte aroma vegetal que evoluiu para feno cortado já em composteira e de evolução como pelica e deliciosa estrebaria. Toque mineral, animal e de sous-bois (folhas úmidas no chão já em decomposição, nas florestas onde entra pouca luz), algo de tabaco, baunilha, especiarias como pimenta do reino, fica no nariz, quer dizer de grande persistência. Na boca mostra um tanino de grande estrutura que ainda pode amaciar mais, basta guardá-lo por mais um a dois anos, macio e bem encorpado. Fica presente na boca com seus aromas frutados e especiados por longo tempo. Foi ótimo com aquele jogo que foi o melhor da Copa, na minha humilde opinião, ágil, marcante, equilibrado, disputado, violento por demais. Vai ficar na lembrança, pela garra e personalidade dos aromas e pela potência das pernas demonstradas durante todo tempo.

 

Antônia Neves é alvinopolense.

Contato : alvinews14@gmail.com