NUM CÉU CLARO DE ABRIL

Danilo de Abreu Lima

Por do Sol em Alvinópolis - Gjunior - 2007

 

 

Não há mais
segredos a partilhar
nem medos a esconder
feito conchas,
em murmúrios
de mar.

Tudo é finito,
tudo é consumado, poeta!
teu corpo, objeto,
repousa em pedra fria
e nem sequer pressente
tudo aquilo que fostes.

De tuas vísceras abertas
as palavras afloram
como rubras orquídeas selvagens
como animais num tropel
atropelado.
As palavras que tanto
amastes
serão teus filhos
a te perpetuar
para o mundo.

Das tuas veias,
expostas,
fluirá a poesia
rubra, azul,
multicolorida
poesia
que coloriu
tua vida.

Ah,poeta!
Que teus poemas
pássaros notívagos
narcisos pálidos
te guiem,
envolto em metáforas
incandescentes
traduzindo de ti,
tudo aquilo
que fostes:

E que os amigos
te relembrem
como luz,
como estrela de brilho raro
como um cometa,
de rastro cortante
num céu claro de abril.


Sobre a obra :

Poema em homenagem ao escritor mineiro José Afrânio Moreira Duarte, poeta, ensaísta,contista,e, sobretudo, amigo, falecido em Belo Horizonte-MG, em 03/06/2008.

Danilo de Abreu Lima é escritor alvinopolense.

Contato : daniloabreulima@gmail.com