S I N O
Getulino Maciel
Toca-me, ainda
o grande sino
da pequena
infância!
Ah! aquele doce
sino
cujas cordas eu
puxei
jamais me sai do
menino
que um dia fui e
serei...
Lá da torre
aprumada
indicando o meu
destino
vinham sons de
madrugada
sobre o sono do
menino.
Sons ajoelhados ao
chão
da tarde em
silêncio e fria
proclamando a
oração
do Anjo da Ave
Maria.
E quando a morte
sorria
pelo final da
jornada
meu grande sino
gemia
em só triste
badalada.
Sem voz, o grande
sino
era silêncio na
Paixão
e falava pro
menino:
- espera
Ressurreição!
E pulava de
alegria
em sons de emoção
e pelas ruas
corria:
- Venceste a
Escuridão !
E, aí, o menino
chamou em segredo:
- Obrigado, grande
sino
Volte sempre e...
bem cedo...
Toca-me, ainda
o grande sino
da pequena
infância !
Getulino Maciel é professor aposentado de Direito e reside em Lorena,
cidade do interior de São Paulo.
Contato :
louget@uol.com.br
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