Homenagem a Zé Gilda

Janete de Souza.

 

Zé Gilda e sua esposa Nazita.

 

 

Esse mês faz 10 anos que meu pai, “ Zé Gilda” partiu para o andar superior.

 

Gostaria de deixar aqui minha homenagem a esse que é meu exemplo de vida e sabedoria.

Engraçado é que ele é sempre lembrado como uma pessoa bem humorada, alegre, engraçado, enfim de bem com a vida. Fiquei muito feliz quando a Escola Unidos do Morro lhe homenageou com o Samba Enredo, Festa para os Imortais:

 

...É verde e branco

é esperança e paz

Unidos do Morro homenageia os imortais

é verde e branco

é pura emoção

Unidos do Morro vem manter a tradição

 

De dama da Noite, seus passos de samba

nos fez entender, mesmo sério é bom brincar

“Zé Gilda” com sua irreverência

provou ser um autêntico bamba do Gaspar...

 

Ele dizia que quando partisse, deveríamos colocar em sua sepultura, num lugar tão triste, os seguintes dizeres para alegrar quem por lá passasse:

 

“Aqui jaz, José Mauro de Souza, maior folião de carnaval!”

 

Aos sábados sempre saia no Bloco das Piranhas.

E foi no carnaval de 2001 que fizemos uma homenagem a ele com o bloco:

Quero ser alguém na multidão...

Ele dizia que não queria passar essa vida de liso, queria ser alguém na multidão, e foi, e para mim ainda é, pois os seus ensinamentos sempre levarei comigo.

 

Uma vez, quando fomos para Brasília, nossos parentes montaram um jornal que na 1ª página aparecia em destaque: Chega hoje em Brasília Zé Gilda para depor na CPI, ele fez a maior festa e quando em um passeio, passamos em frente ao Palácio da Alvorada, ele, quando viu Alexandre Garcia da Globo, abaixou e se escondeu no carro e disse: Esse cara não pode me ver, senão não larga do meu pé.

 

Valorizava muitos os amigos e dizia que não importava o lugar, o importante são as pessoas que estão ao nosso lado.

Zé Gilda e amigos

 

Ele viveu intensamente e sempre agradecia a Deus por tudo, valorizando cada conquista.

 

Deixo aqui uma mensagem para aqueles que sentem saudades de quem partiu, ela me foi entregue quando um grande amigo de pai, o Boró partiu para o encontro dele:

 

Imagine que você está à beira-mar e vê um navio partindo.

Você fica olhando, enquanto ele vai se afastando,

até que finalmente parece apenas um ponto no horizonte,

lá onde o mar e o céu se encontram.

E você diz: "Pronto ele se foi". Foi onde?

Foi a um lugar onde sua vista não alcança, só isto.

Ele continua tão grande e tão bonito e tão importante

como era quando estava perto de você.

A dimensão diminuída está em você, não nele.

E naquele exato momento em que você está dizendo:

"ele se foi". Há outros olhos vendo-o aproximar-se

e outras vozes exclamando com júbilo:

"ele está chegando".

                                (Henry Sobel)