Eu vi o retrato de Dorian Gray

 

 Josué Serôa da Motta Sobrinho

 

 

Quando o modelo existencial das grandes cidades começou a falir no Brasil nos fins da década de 60, onde o mesmo prometia para os habitantes citadinos segurança, educação, transporte, lazer, etc., os urbanistas brasileiros imaginaram implantar Condomínios verticais e horizontais, onde aquelas promessas em grande parte pudessem ser alcançadas.

 

Especificamente no caso de Condomínios horizontais a esperança de se criar  um novo modelo de vida que juntasse não só aquelas variáveis, mas também o contato direto com a natureza.  Tornou-se uma esperança a ser atingida, entretanto, não é o exterior ou o material que fazem com que estes objetivos sejam alcançados, mas sim a transformação do Homem que molda e realiza a sua própria utopia.

 

Moveram-se as pessoas para estes espaços com as suas velhas roupas comportamentais e mantendo os mesmos hábitos, neste momento nenhuma transformação social séria foi executada. Qual é o melhor Condomínio? -  seria a pergunta. O melhor condomínio é aquele que tem as leis  mais justas  e que os condôminos as respeitam.

 

O Síndico é pela sua própria natureza administrativa uma pessoa que está inteirada de todas as relações pessoais e administrativas no Condomínio e a harmonia do mesmo depende da interação com que os condôminos têm para com o lugar onde vivem e a obediência das normas.

 

È comum ouvirmos as expressões que alguns Condomínios são  o ¨Cantinho do Céu¨ ou o ¨Paraíso¨, mas pelas observações empíricas feitas, podemos dizer que no máximo que podem se aproximar é entre o limite do inferno e do  purgatório. Ou existe uma vontade pessoal de modificações de atitudes urbanistas indesejáveis já inseridas e que se concretiza através de um profundo individualismo e egoísmo; ou então este modelo existencial de condomínio tenderá no futuro a ter o mesmo destino dos modelos das Megalópolis.

 

Vizinhos se digladiando; depredação do patrimônio do Condomínio; jovens sem limites que não seguem as normas condominiais; processos jurídicos instaurados que poderiam ser resolvidos através do diálogo; exasperações verbais de condôminos contra os funcionários; falsos movimentos articuladores, através de intrigas e boatos que visam  desestabilizarem  a Administração, sem nenhum objetivo a não ser de criar pânico e insegurança aos condôminos com vantagens inconfessáveis; falta da participação efetiva dos moradores no que concerne a criação de uma comunidade e não de um aglomerado, entre outros.

  

Tudo isso somado fizeram com que a aparência deste Condomínio  com belas residências, uma natureza exuberante, com matas, cachoeiras tivessem  por trás dele uma visão perversa tal qual é demonstrado na obra de Oscar Wilde, intitulada  ¨O Retrato de Dorian Gray¨,  onde por trás da figura de um belo rapaz se esconde todas as ações não desejadas e continuamente criticadas pelos sociólogos e antropólogos para que haja uma harmonização pessoal e o respeito para com o próximo e pela comunidade. O que se caracteriza como uma forma patológica da personalidade.  O caminho do Homem é aquele que ele o faz com seus próprios passos.

 

Josué Serôa da Motta Sobrinho é Engenheiro Agrônomo e Mestre em Sociologia.

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