Os legados dos nossos
políticos
Marcos Martino
Já abordei o
assunto em outras ocasiões, mas não custa repetir. Penso que
todos os prefeitos que passaram em Alvinópolis, com
raríssimas exceções, deixaram algum legado para a cidade.
Homens como o Sr Nilo, Marinho Cota e Dr Mário, com as
dificuldades da época, operaram verdadeiros milagres.
Naqueles anos, a cidade praticamente se configurou como é
hoje.
Em principio, a Cia Fabril Mascarenhas era a grande
mantenedora. Alguns serviços que temos hoje como concessões
públicas, a energia elétrica por exemplo, eram fornecidos
pelo usina da Cia. Com o tempo, a cidade, o estado e o país
foram se organizando institucionalmente e as coisas foram se
ajeitando. Depois veio uma geração de prefeitos já com o
Brasil um pouco mais desenvolvido e as instituições mais
sedimentadas.
Dico Lavanca foi um prefeito carismático e de grande
sensibilidade social. Lembro-me que eu ainda era criança,
mas já ouvia a oposição envenenando, dizendo que ele dava
tudo para os outros. Dico realmente tinha um coração enorme
e a prefeitura em sua época era do povo. Na sua época como
prefeito as coisas aconteciam de uma forma mais fácil, menos
dificultosas. Dico sempre baseou suas ações na confiança.
Lembro-me que certa vez, estávamos já batalhando pelo
Festival de Música e precisamos de dinheiro para pagar
cartazes e outras despesas. Encontrei com ele que me falou:
pode combinar com a gráfica e mandar a nota pra prefeitura.
Falei pra ele o valor e ele me respondeu: - Eu não quero nem
saber do valor, menino. Você é filho de Tony Anemia. Mais
honesto não tem nem jeito.
Lembro-me depois que tivemos Vicente Rocha, mais discreto e
não tão popular quanto o Dico, mas que fez um excelente
governo. Há certo tempo estive com o Deputado José Santana,
que me falando sobre os grandes prefeitos de Alvinópolis,
citou a inteligência do Sr Nilo Gomes e a educação, a
cordialidade do Vicente Rocha. Contou-me que várias coisas
boas que aconteceram no governo do Vicente que praticamente
passaram despercebidas, pois ele não ligava para marketing.
Só queria fazer um bom governo e pronto.
Depois do Vicente tivemos Marcinho que foi secretário do
Dico e que governou com muita correção e austeridade.
Marcinho ganhou apelido de Sangue Novo que o acompanha até
hoje, por ter sido eleito muito novo. Marcinho também ganhou
a fama de pão duro e negociador duro na queda. Antes da
pessoa chegar perto , ele já olhava com cara feia e xingava
antes do caboclo pedir. Não tinha paciência nenhuma com os
malandros que vivem rodeando a prefeitura.
Logo após, tivemos o governo do Milton, que teve o mérito de
criar o distrito industrial e levar para Alvinópolis a BIO
EXTRATUS, cujos proprietários vieram de Dom Silvério,
fincaram raízes e hoje geram centenas de empregos. Milton
também é um sujeito popular, que ao feitio do Dico gosta de
ajudar o povo. Tive a oportunidade de trabalhar em um evento
em parceria com ele e não tenho do que reclamar. Uma coisa
interessante que percebi é que, embora ele more pertinho da
prefeitura, demorava 15 minutos para atravessar a rua,
devido a atenção carinhosa que dispensava ao povo.
Depois do Milton tivemos o Zé Milton, o popular amigão, que
infelizmente não fez uma boa administração, com obras
inconclusas e indícios de desvio de verbas.
No último pleito foi a vez do João Galo Indio ganhar a
prefeitura com a promessa de priorizar a saúde. Se
conseguir realmente inaugurar as obras do hospital neste
mandato, conseguirá cumprir com o que considera ser sua
principal promessa, que é ser o prefeito da saúde. Na área,
realmente o Galo Indio tem moral. Como resido em Monlevade e
trabalho na prefeitura de lá, por diversas vezes presenciei
situações em que o Galo resolvia problemas de pacientes que
necessitavam de internação urgente em Belo Horizonte.
Quantas vezes pessoas da área da saúde de João Monlevade me
pediram o contato do galo pra resolver problemas de saúde de
suas famílias e depois vinham me agradecer e contavam que o
Galo havia sido muito atencioso. Essa é uma qualidade que
ninguém tira dele. E ele não favorece só pacientes de
Alvinópolis e Monlevade, mas também de Caeté, São Gonçalo,
Santa Bárbara, Barão de Cocais, etc. Pode até ser que deixe
a desejar em outras áreas, mas na saúde ele tem sido
bastante eficiente e influente.
Como vêem, não falo mal de ninguém, pois o objetivo desta
vez é falar dos legados positivos. Mas na próxima coluna do
Alvinews vou fazer o contrário, ou seja, falar dos lados
negativos dos prefeitos alvinopolenses. Imagino que até
esqueci de citar alguns, por desconhecer histórias
pregressas. Peço aos que conhecerem que nos elucidem.
Bom, agora é saber quais são as cenas dos próximos
capítulos. Quem será nosso próximo prefeito e quais os
legados deixará. Temos alguns pré-candidatos, todos com
atributos que os qualificam para a disputa. Ainda não são
anunciados, mas presumidos. Temos o Milton, que conta com
numeroso grupo político e que entra com força na disputa.
Temos o Galo Índio, que pretende dar sequência à
administração que vem fazendo há 3 anos e meio. Temos o PT,
que lança o Sérgio Augusto, um candidato a prefeito jovem,
moderno, único que utiliza a internet com desenvoltura.
Temos a Marilac, filha do grande ex-prefeito Nilo Gomes, que
tem dedicado a vida a cuidar dos mais necessitados,
administrando a APAE de Alvinópolis. Temos ainda nomes que
poderão emergir, como o Nem de Carlito, empresário bem
sucedido que tem muita vontade de dar sua contribuição como
prefeito da cidade, como o Ledes Cota, vereador em diversos
mandatos que administra a Cooperativa dos Produtores Rurais
com muita competência.
Quer dizer, ao contrário do que muitos afirmam, penso que a
cidade tem bons candidatos, uns de perspectivas mais
conservadoras, outros mais atirados e inovadores. O problema
da política é esse: não se pode reconhecer qualidades no
outro. Imperativo é desconstruir o outro para ocupar o seu
lugar.
Quem sabe um dia pensemos com outra lógica?
É isso. Meu coração não se cansa de ter esperança...