Nos primórdios dos Festivais
de música em Alvinópolis
Marcos Martino
Eu acompanho os
Festivais de Alvinópolis desde a sua segunda edição. Esse
ano será a edição 33. Na primeira eu não estive presente
por ainda estar muito novo e não me interessar ainda pela
composição e nem pela música.
Perdi. Pois foi no
primeiro festival que se apresentou "Casas de Barro", do
Setelagoano Flávio do Carmo, pra mim a melhor música de
todas as edições.
Eu ouvia falar do
Festival através de minhas primas, Maria e Conceição. Achei
muito legal aquilo e no outro ano assisti o segundo
festival. Corrijam-me se estiver errado, mas foi o vencido
pela Edmaire com a música “Maria”, cantada pelo Zé Maria.
Naqueles tempos, Alvinópolis tinha a turma da banda Heltons,
formada por Ricardo de Tutuia, Jorge de Nego, José Mauro
Bicalho no Baixo, Nicolauzinho de Vivina na Guitarra e tinha
uma vocalista chamada Letícia, uma loirinha que cantava e
que uma vez desceu da sacada do colégio em uma corda vestida
de anjo ( não sei se isso realmente aconteceu ou se foi um
sonho meu). Mas eram tempos muito diferentes.
Naquela época parece
que fazia muito mais frio e não haviam eventos agropecuários
como hoje. O pessoal vivia o festival, torcia, prestava a
maior atenção nas letras, um evento de muita curiosidade
intelectual e com grande participação da juventude.
Eu fui participar já
do 3º Festival com um samba chamado "VENHA". Me chamaram de
homem Cemig, pois tinha uma parte da letra que dizia: “você
é a energia necessária pra viver”. Mas com a música “venha”,
fiquei em 4º lugar e me entusiasmei. Aquele foi um festival
fortíssimo e pude ouvir Cristina Valle em sua melhor forma
cantando o clássico "Padinho", de um compositor chamado
Eugênio Gomes, grande poeta e compositor de Lavras.
Naquele Festival
também pude ver o Grupo Ave de Ouro Preto em grande forma.
Foi o mais impressionante grupo que vi em todos os tempos.
Poética, dinâmica, interpretações de tirar o fôlego.
No Festival seguinte
criamos o Verde Terra e ganhamos terceiro lugar com a música
“Nós, os loucos”, uma colocação mais que honrosa,
concorrendo com grupos fantásticos, como Tony Primo e Nilton
Baiandeira de Itabira e com o Grupo Estrada de Governador
Valadares, além de outros músicos fantásticos. Eram legais
também as apresentações dos Heltons, que tocavam os maiores
sucessos da época e antenavam o pessoal. E dá-lhe Benito de
Paula na voz do Jorge de Nego.
Nos anos
posteriores, foram feitos na Piscina da antiga praça de
esportes da prefeitura, onde é hoje a APAE. O festival mais
frio de todos os tempos. Havia uma neblina que fazia com que
as pessoas perto do palco não conseguissem enxergá-lo.
Logo nesse ano,
tivemos a apresentação de uma das melhores músicas de todos
os tempos: o “Caminheiro solitário” do saudoso Marco
Holanda. Ele parecia uma criatura sobrenatural, naquele
cenário de fog londrino da roça.
Tivemos depois
festivais no Alvinopolense (dois no mesmo ano), no Parque de
Exposições, na Praça da Baixada e no Nicks. Mais uma vez
aproveito para reafirmar, para confessar que o Festival da
Música de Alvinópolis foi minha universidade. O que aprendi
com o Festival faz toda diferença na minha vida hoje. Foram
inúmeros jurados incentivadores, generosos e críticos,
filtros para evoluir minha lavra musical e vários artistas
geniais, com suas personalidades artísticas diferenciadas,
verdadeiras escolas do que melhor se produz em termos de
arte cantada e tocada no país, que me influenciaram e me
influenciarão pelo resto da vida.
Por isso sou muito
grato a esse evento que não é de ninguém, mas é de todos.
Que outros possam tirar proveito de tudo que o Festival
oferece.