O bom senso e o censo

 

Marcos Martino

 

 

 


 

Há uma coisa curiosa sobre os últimos censos em Alvinópolis.: as amostragens vem apontando um sensível decréscimo populacional nas últimas décadas.

Um amigo questiona: - Mas como a população pode estar caindo, se a cidade tem crescido tanto?

Olhando de forma superficial ele parece ter razão.

As Construções vem avançando em áreas antes desabitadas e pelo menos fisicamente, parece que a cidade cresceu.

Mas e a população?

O que explica esse decréscimo apontado em seguidos censos?

Temos de admitir que somos leigos sobre o assunto e que nossas observações são feitas a partir do senso comum.

Então, seria bom ouvirmos opiniões de pessoas da área.

O meu amigo Bráulio, filho do Jadir talvez nos explique isso melhor.

Num primeiro momento podemos levantar algumas hipóteses.

A taxa de natalidade vem caindo.

Enquanto no passado as famílias eram numerosas, com até 7 filhos, hoje os casais tem tido no máximo 3 filhos. Quer dizer, em uma casa em que costumavam morar 10 pessoas, hoje moram 5.

 

 

Outro fator é que os jovens mudam-se para estudar/trabalhar e geralmente não retornam.

A cidade não tem abundância de empregos de modo a garantir a qualidade de vida para alguns cidadãos que almejam mais para suas vidas.

Mas são apenas opiniões sem lastro científico, só chutes mesmo.

Tem um fator que nos leva a crer que não tivemos mesmo crescimento significativo: nosso cemitério é o mesmo há um século, sem ampliação relevante e sem que outro fosse construído.

Mas por que a nossa população diminuiu?

Ao contrário de algumas cidades vizinhas, Alvinópolis não foi vocacionada para a mineração, nem teve um boom econômico capaz de gerar uma grande afluência populacional.

No passado colonial, abastecíamos as cidades da região com nossa produção agropecuária e se pensarmos bem, continua sendo assim.

Embora tenhamos uma indústria têxtil e outra de cosméticos, a atividade agrícola continua sendo a nossa maior geradora de riquezas.

Essa sensação de retração ou estagnação econômica, por um lado reflete em baixa estima de alguns, ao ver cidades como São Gonçalo, Nova Era, João Monlevade, Santa Bárbara e Barão de cocais crescendo, enquanto nossa cidade parece regredir.

Por outro lado, as cidades citadas tiveram seu crescimento atrelado à exploração mineral, primeiro o ouro, depois o minério.

E quando o minério acabar?

Pois é!

Há relatos de locais que se tornaram cidades fantasma por causa do final de algum ciclo econômico. Santa Bárbara teve uma experiência nesse sentido. Quando o ouro escasseou na região, por volta do século XVIII, a cidade ficou abandonada.

Existem muitos boatos sobre a existência de Minério em Fonseca, mas não sabemos se tratar de boato ou realidade.

Se for confirmado, poderá atrair muito desenvolvimento para aquela região.

Enquanto isso não acontece, Alvinópolis continuará com sua produção amparada na agropecuária, que vem de fontes renováveis e sustentáveis.

Pra finalizar o artigo, vou deixar uma reflexão: 

Para que crescer?

Para aumentar a criminalidade?

Para gerar congestionamentos, poluição, stress, crescimento desordenado, miséria e outras mazelas?

Talvez seja melhor que fique do jeito que está mesmo.

Podiam pelo menos dar uma ajeitadinha, deixar as ruas limpinhas, as praças bem cuidadas e muito verde em torno.

Mas...crescimento demais poderia representar a demolição do nosso cantinho do céu.

 

Marcos Martino é alvinopolense, poeta, escritor, jornalista, músico.

Email : marcos.martino@gmail.com