DUAS ESTRELAS QUE SE APAGAM

 

Marcos Martino

 

 

As gerações se sucedem e costumam apagar alguns personagens que muito colaboram para que um povo tenha chegado a determinado grau de evolução. Pois vou falar de dois protagonistas de uma época. 

 

NÔ DE SÔ NICO, PROFESSOR SEM SABER

 

Nô é um sujeito sensacional.

Digo que é, porque ainda mora em mim e em muitos que com ele conviveram. Há quem diga que era meio azedo, mas pelo menos comigo sempre foi doce. Dizem que era esquentado, mas comigo nunca ferveu. Sempre falou baixo, invocado quando novo, invocado sempre. 

Vez enquando me chamava próximo ao balcão do Nicks e me dizia. Marcos, ouça esse som...veja o que acha... Era Egberto Gismonti. O som, no princípio me deu um dó na cabeça e depois fui me acostumando até entender o universo do músico maravilhoso e me apaixonando. Tenho muitos trabalhos do Gismonti até hoje.

Depois, Nô nos apresentou o trabalho de uma banda pernambucana chamada Banda de Pau e Corda. Foi a maior influência do Verde Terra. 

 

Mas o Nicks era uma universidade pra gente. Rolava Lô Borges, Queen, Led Zeppelin, Milton, Beto Guedes, Alceu Valença, Simone, Chico, todo o fino da MPB. Já escrevi que o Nicks na época era o melhor barzinho da região. Não tinha pra ninguém. Nem em Monlevade, nem em Ponte Nova, nem Itabira. O Nicks não tinha concorrente. E lá estava o Nô, com seu bigode e seus cabelos compridos. Pegou amor às orquídeas e mantinha um orquidário lindo no fundo do quintal. As vezes me levava para ver pela enézima vez flores maravilhosas que floriram, pra sentir os perfumes. Sem querer, sem premeditar, Nô foi professor de uma geração inteira. 

 

 

 

ADAIRINHO, A ÚLTIMA SAFRA DO FUTEBOL ARTE ALVINOPOLENSE

 

 

Com Adairinho, apagou-se a última chama de uma maravilhosa era do futebol Alvinopolense.

Ou vocês acham que Cosme, Piniquinho, Branco, Nivota, Ademir, Luiz Bocão, Didí, teriam sido grandes craques não fosse o nosso treinador maior? 

 

Adairinho estava pro Industrial assim como Tuôla estava para o Alvinopolense. Tuôla transformou o alvinegro, melhorando e muito a sua estrutura. Prova disso é o excelente clube social que o time construiu e é considerado excelente até hoje. 

 

Já Adairim foi mais atuante junto ao time de futebol. Devotava tamanho amor ao time azul e branco da baixada, que era ao mesmo tempo, treinador e torcedor dentro de campo. 

Alvinópolis ficou mais pobre.

 

Quanto às orquídeas, não sei se ficaram "orfãs". Tomara que Deus inspire seus filhos e parentes para que o homenageiem, fazendo com que o Nicks volte a brilhar intensamente. 

 

Marcos Martino é alvinopolense, poeta, escritor, jornalista, músico.

Email : marcos.martino@gmail.com