ALVINÓPOLIS É CULTURA
 

 

Marcos Martino

 

 

 

No Festival da Música deste ano recebi um bilhetinho emblemático dizendo o seguinte: Alvinópolis não faz cultura. Alvinópolis é cultura.

 

Na hora, embora tenha ficado impactado pela frase, não raciocinei tanto em cima. Apenas achei interessante. Só depois fiquei refletindo mais no seu significado e agora a compreendo em sua complexidade. Alvinópolis na verdade, tem um povo que ama a cultura. Isso ficou claro pra mim no Festival. Quem faz cultura só obtém resultados quando existe um público que interage, que faz com que a energia que vem da arte vibre, flua, vire energia cultural.

 

Este ano no festival foi isso que aconteceu. O público vibrou junto, participou, foi feliz, risonho, deu um baita orgulho da cidade. Quem veio de fora, vai levar uma lembrança muito bacana, pois a energia dentro do Nicks foi muito positiva. Aliás, muito bom saber que o Nicks está voltando aos bons tempos.

 

Mas voltando ao Festival de Música, a platéia foi generosa com os músicos, os artistas foram generosos com a platéia, numa relação de cumplicidade como há muito não se via. Precisamos até pensar isso melhor. De nada adianta construirmos palcos enormes no meio da praça, tão altos que os artistas ficam a muitos metros de distancia do público. Isso quando tem público, pois o mesmo fica disperso.

 

Voltando à frase do título, ela é mais profunda do que se possa imaginar. Existem muitos outros dados que nos dão a certeza de que seu enunciado procede. Quando vemos movimentos como o Congado de Nossa Senhora do Rosário, como as bandas de música, como o próprio festival de música, concluímos que o que move tudo é o amor. O congado é movido pelo amor e pela fé. Mas todos só persistem pelo amor incondicional de seus agentes pela cultura. Aliás, dia desses um amigo fez um comentário elogioso sobre meu trabalho, segundo ele solitário pelo festival de música. Meu trabalho não tem nada de solitário. Não fosse o Alessandro e o Ronilson Bada, nada teria acontecido. São dois gigantes que merecem nosso respeito e nossa gratidão.  

 

 

Aliás, voltando à frase, devo dizer que tem muita gente que faz cultura também. Tem hoje a BioExtratus, que faz um trabalho maravilhoso em sua orquestra de flautas, tem a Marina e Clara, que tornaram real a nossa Festa da Chita, tem a turma da recém formada República Literária Sr. Jaime Barcelos, tem o pessoal do Congado, tem as bandas de música, tem as várias bandas de rock, mpb e sertanejo formadas, temos excelentes fotógrafos que tem registrado nossa cidade como nunca, sejam profissionais ou amadores, tem o site Alvinews, depositário de nossas memórias e agora tem o alvinews no facebook, que como se diz popularmente, está bombando. 

 

Nos faltam iniciativas no teatro e nas artes plásticas, mas uma coisa é certa: temos uma gente que gosta de cultura. Basta que ela seja disponibilizada da maneira correta que o povo a absorve com muita alegria. Por isso, nós que somos da cultura, precisamos nos unir mais, pois nossas causas são comuns. Ninguém precisa calar o ego, mas divergir sem brigar, buscar a convergência pois no fundo, todos queremos as mesmas coisas. Pode até parecer ingênua a proposta, mas vamos tentar não deixar que as questões partidárias eleitorais se sobreponham às nossas aspirações culturais, afinal, como diz o ditado : a arte é longa e a vida breve.

Os políticos passam, mas a cultura é perene.

E viva Alvinópolis! 


 

 

Marcos Martino é alvinopolense, poeta, escritor, jornalista, músico.

Email : marcos.martino@gmail.com