No Festival da Música
deste ano recebi um bilhetinho emblemático dizendo o
seguinte: Alvinópolis não faz cultura. Alvinópolis é
cultura.
Na hora, embora tenha
ficado impactado pela frase, não raciocinei tanto em
cima. Apenas achei interessante. Só depois fiquei
refletindo mais no seu significado e agora a compreendo
em sua complexidade. Alvinópolis na verdade, tem um povo
que ama a cultura. Isso ficou claro pra mim no Festival.
Quem faz cultura só obtém resultados quando existe um
público que interage, que faz com que a energia que vem
da arte vibre, flua, vire energia cultural.
Este ano no festival foi
isso que aconteceu. O público vibrou junto, participou,
foi feliz, risonho, deu um baita orgulho da cidade. Quem
veio de fora, vai levar uma lembrança muito bacana, pois
a energia dentro do Nicks foi muito positiva. Aliás,
muito bom saber que o Nicks está voltando aos bons
tempos.
Mas voltando ao Festival
de Música, a platéia foi generosa com os músicos, os
artistas foram generosos com a platéia, numa relação de
cumplicidade como há muito não se via. Precisamos até
pensar isso melhor. De nada adianta construirmos palcos
enormes no meio da praça, tão altos que os artistas
ficam a muitos metros de distancia do público. Isso
quando tem público, pois o mesmo fica disperso.
Voltando à frase do
título, ela é mais profunda do que se possa imaginar.
Existem muitos outros dados que nos dão a certeza de que
seu enunciado procede. Quando vemos movimentos como o
Congado de Nossa Senhora do Rosário, como as bandas de
música, como o próprio festival de música, concluímos
que o que move tudo é o amor. O congado é movido pelo
amor e pela fé. Mas todos só persistem pelo amor
incondicional de seus agentes pela cultura. Aliás, dia
desses um amigo fez um comentário elogioso sobre meu
trabalho, segundo ele solitário pelo festival de música.
Meu trabalho não tem nada de solitário. Não fosse o
Alessandro e o Ronilson Bada, nada teria acontecido. São
dois gigantes que merecem nosso respeito e nossa
gratidão.
Aliás, voltando à frase,
devo dizer que tem muita gente que faz cultura também.
Tem hoje a BioExtratus, que faz um trabalho maravilhoso
em sua orquestra de flautas, tem a Marina e Clara, que
tornaram real a nossa Festa da Chita, tem a turma da
recém formada República Literária Sr. Jaime Barcelos,
tem o pessoal do Congado, tem as bandas de música, tem
as várias bandas de rock, mpb e sertanejo formadas,
temos excelentes fotógrafos que tem registrado nossa
cidade como nunca, sejam profissionais ou amadores, tem
o site Alvinews, depositário de nossas memórias e agora
tem o alvinews no facebook, que como se diz
popularmente, está bombando.
Nos faltam iniciativas no
teatro e nas artes plásticas, mas uma coisa é certa:
temos uma gente que gosta de cultura. Basta que ela seja
disponibilizada da maneira correta que o povo a absorve
com muita alegria. Por isso, nós que somos da cultura,
precisamos nos unir mais, pois nossas causas são comuns.
Ninguém precisa calar o ego, mas divergir sem brigar,
buscar a convergência pois no fundo, todos queremos as
mesmas coisas. Pode até parecer ingênua a proposta, mas
vamos tentar não deixar que as questões partidárias
eleitorais se sobreponham às nossas aspirações
culturais, afinal, como diz o ditado : a arte é longa e
a vida breve.
Os políticos passam, mas a
cultura é perene.
E viva Alvinópolis!