O Festival

Universidade aberta da música.

 

Marcos Martino

 

 

Eu vou escrever uma coisa aqui e muitos podem estranhar, mas o pré-festival que será realizado no Nicks, no início de junho, num certo sentido é até mais importante que o Festival normal . O Pré cumpre o importante papel de abrir espaços para os novos artistas Alvinopolenses e talvez esse seja o principal objetivo do evento.

 

É lógico que é importante o Festival tradicional. A cidade fez fama através dele, um sobrevivente quase solitário, já que pouquíssimas cidades hoje em dia fazem festivais de música.

O público de hoje prefere mesmo os eventos populares, de entretenimento, descerebrados, sem conteúdo. O Festival é um evento diferente,  escola de pensamento, desafio para os artistas, para os poetas, para os músicos. Não deveria ser considerado um evento de entretenimento, mas de educação.

 

O Festival faz com que os artistas tenham de criar suas próprias canções, expressem o que sentem, se aprimorem enquanto artistas e cidadãos. Mas a maioria dos políticos não pensa assim. Muitos da cidade também não. O Festival tem muitos e muitos inimigos na cidade. Já houve uma época em que diziam que o Festival de Alvinópolis só trazia malucos, maltrapilhos, drogados, confusão e desordem. Hoje não é isso que se diz. Apenas que é um evento chato. Bom mesmo é música sertaneja e axé. O resto não existe.

 

 

Em Alvinópolis pelo menos o poder público tem feito a sua parte. O Prefeito João Galo Indio tem ajudado, apesar de sofrer muita pressão pra acabar com o evento. Eu já ouvi essa história de acabar com o festival por várias vezes, em vários mandatos. mas faço parte de uma resistência cultural que não é formal, mas que sobrevive aos anos. Temos um cenário artístico muito interessante e precisamos dar sustentação pra essa cena. Por isso, temos de apoiar o Alessandro, sujeito supimpa que tem levantado a bandeira e já se apresenta como um novo Quixote na luta pela cultura Alvinopolense.

 

Existem outros heróis, muitos guerreiros cansados, mas a peteca não caiu e se depender da gente, não cairá jamais. Quero ouvir de novo o talento da turma de Túlio e banda, a cantora Alessandra, o pessoal do Piluca, Ponto Morto, Pixico, Luluth, Carolina (Brasília, quem sabe se assuma Alvinopolense), as meninas do QuarryGirls, que ainda não vi tocando, o pessoal da banda Case, Junei, Maycon, Maxilon, a banda do Felipe( perdoem mas não lembro o nome), o Saymon, além de outros artistas que tenho certeza vão aparecer.

 

Imagino até que teremos um pouco mais de MPB. Vamos ver se da turma de alunos da Bio Extratus pintam alguns compositores novos. Tenho certeza que pintarão novos talentos, pois essa terra tem tradição na arte. Cabe-nos a tarefa de manter essa universidade aberta. 

 

Marcos Martino é alvinopolense, poeta, escritor, jornalista, músico.

Email : marcos.martino@gmail.com