Interdependência ou morte

Marcos Martino

Fanfarra em setembro de 1980. Foto : Mauro Sérvulo

 

Tudo nessa vida pode ser observado sobre diversas óticas.

Antes de começar a falar do lado bom, já vou começar detonando, pra esvaziar os argumentos dos que condenam.

Há quem abomine o 7 de setembro, por causa do simbolismo, de nos remeter à época da Revolução de 64, quando o feriado era usado pra fazer propaganda da Ditadura.

Há os radicais esquerdistas também, que acham que o Brasil não ficou independente, mas mudou de “senhores”, deixando de mandar ouro pra Portugal, mas enviando para outras pátrias neo-colonialistas.

Há ainda quem afirme que tudo que é obrigatório é inconveniente e antidemocrático.

Tudo bem!

Mas vamos ver agora o lado bom.

Os desfiles de 7 de setembro eram shows de disciplina e beleza que misturavam música, civismo e porque não dizer, cultura.

Haviam desfiles das escolas de primário e do colégio.

Lembro-me de ter desfilado representando o grupo de cima, vestido de guarda de Dom Pedro I, quando o D. Pedro foi Manoel de Jayme e a princesa Leopoldina era uma menina chamada Kátia.

Todas as escolas desfilavam.

Mas eu ficava louco mesmo era pra desfilar no Colégio Cândido Gomes.

Principalmente por causa da fanfarra. (aquela batida eu levo comigo pra vida inteira, juntamente com a música que tocavam com os trompetes - aliás, nem sei se eram trompetes. Acho que eram cornetas).

Quando entrei no colégio e desfilei pelas ruas da cidade, me senti o máximo

Lembro-me até hoje de passar e acenar pra minha mãe que me olhava toda feliz.

No desfile, todos os segmentos eram representados. Havia os alunos, com seus uniformes bem passados, tudo clarinho. Havia as fileiras do esporte, dos jogadores de Futebol e Vôlei além da turma da ginástica, que ia fazendo evoluções, rodando balizas e fazendo acrobacias pelas ruas.

O maestro  Sr. Geraldo, que ensinou música pra muitas pessoas em Alvinópolis.

Foto : Mauro Sérvulo

A fanfarra logicamente era um show à parte, comandada pelo eterno Sr Geraldo.

O desfile rodava por toda a cidade e era aplaudido pelas principais ruas.

O pessoal morria de cansaço, mas valia à pena.

Logicamente, tinha de haver alguns causos engraçados.

Lembro-me de um ano em que, como o desfile ia acontecer mais tarde um pouco, resolveram distribuir pão com salame e kisuco de groselha para os alunos.

Só que como o desfile saiu tarde, muita gente passou mal e o calçamento da cidade ficou todo colorido de rosa kisalame.

Pois é, gente. Mas os tempos são outros.

O autoritarismo não existe mais nem na política nem na educação.

Não sendo obrigatórios,  as celebrações foram minguando por todo o país.

Embora muitos sejam a favor da volta às tradições, dificilmente teremos setes de setembro como antes. Por mais que queiramos reviver o passado e exaltar nossos heróis, hoje vivemos a realidade  da globalização, da interação.

Nosso grito hoje é INTERDEPENDÊNCIA OU MORTE !!!

 

Marcos Martino é alvinopolense, poeta, escritor, jornalista, músico.

Email : marcos.martino@gmail.com