Infanticídio autorizado
Mariângela Repolês
Fazem a vista gorda os que
rasgaram minha alma em
grito
lamberam meu corpo
desvalido
sugaram minha inocência
em desatino sentindo gosto de minha carne aflita.
Na primavera fui canto de passarinho
da sonda umbilical
apartada
em anagramas a violência
desenhada rangendo meus sonhos ao frio.
Ao faro de pederastas
minha inocência se deitou
suicida
meu corpo antigo
destruído por silenciado infanticídio
agora sou aquela menina
que não sabe por onde
solitária e triste caminha.
Infanticidio autorizado
Hacen la vista gorda los que rasgaron mi alma en grito lamieron mi cuerpo desvalido sorbieron mi inocencia en desatino sintiendo gusto de mi carne aflicta.
En primavera fui canto de pajarillo de la sonda umbilical apartada en anagramas la violencia dibujada crujiendo mis sueños al frío.
Al faro de pederastas mi inocencia se echó suicida mi cuerpo antiguo destruido por silenciado infanticidio
ahora soy aquella niña que no sabe por donde solitaria y triste camina.
|