Em periscópio Para o meu pai
Mariângela Repolês
De meu pai guardo as imagens
das rugas carregadas
pelo tempo.
E no meio do caminho não
ver,
junto a mim, teus passos
envelhecer.
Chinelo sob cama, ecos
de vida,
espinhos em tua alma
harmonia,
calo em teus joelhos,
horas silenciosas...
A saudade em minha voz -
fica chorosa.
Aos filhos, teus olhos a
sustentar,
Serenos, a acolher ...
amar... amparar...
De tuas mãos um legado a
instruir...
Labor suado e exemplos a seguir.
Ah! Quanto
vazio de infância cheia!
Ouvir os cantos dos
canários (hoje) alheios,
Hum! Quisera como aliada
retórica
dar vida ao meu poema e
a tua história.
En periscopio Para mi padre
De mi padre guardo las imágenes
de arrugas cargadas por el tiempo,
en medio de mi camino no ver
junto a mí tus pasos envejecer.
Chinela bajo cama ecos de vida
espinos en tu alma en armonía
callo en rodillas, horas silenciosas…
la añoranza en mi voz – queda llorosa.
A los hijos tus ojos firmes a amar
serenos acoger, sostener, amparar
de tus manos
un legado a instruir
labor sudado y ejemplos a seguir.
¡Ah cuánto vacío infancia llena!
oír canto de canarios hoy ajenos,
¡
hum! Quisiera como aliada retórica
dar vida a mi poema y tuya historia.
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