Nada tem suscitado tantas polêmicas como falar
do passado. Há pessoas que não conseguem dormir
sem dar uma mirada no passado,
mas há também os que não gostam de recordar os
episódios idos. Então questiono: -
será que esses últimos,
escondem atrás de suas culpas ou querem apenas
ser revolucionários modernos?
Se esqueceram com certeza, que o presente e o
passado são amanheceres e entardeceres da vida e
constituem espetáculos de grandeza e mistério
que se despregam em cada ponto deste complexo
tecido que é o viver.
Não há delito quando nessa altura da vida, se
releia o passado como um ato de alegria
gratificante, como um tempo demasiado simples,
às vezes quase ingênuo que ficou armazenado na
memória gustativa, com tantos olores e aromas,
ao longo da vida que se gravou em cenas
comoventes e por isso perduram.
Já dizia Guimarães Rosa: “Deus nos dá pessoas e
coisas para que aprendamos a alegria, depois Ele
nos tira pessoas e coisas para ver se somos
capazes da alegria sozinhos.”
Quando se volta ao tempo, a atmosfera das
lembranças se altera em arritmia cardíaca e o
eco se ressoando ao presente, a temperatura da
alma acelera o metabolismo, se consegue fazer um
streeptease dela e das lembranças do corpo.
As lembranças do passado me retratam um tempo em
que não bastava pontear engatinhando um violão.
Era necessário ter habilidades acima das
partituras, da música gerida com texturas e
timbres de conteúdo artístico.
Sou hospede de uma época , onde o divino pecado
de roubar frutos nos quintais vizinhos ou
cigarros dos fumantes nos era afrodisíaco, que
em sua charutaria , José Rodrigues - com o
colarinho de sua camisa clerical com abotoaduras
de ouro - se vendia cigarros e com seu espírito
e perfil empreendedor , - com grande relevância
- caixas de madeira com rótulos de importados
eram exibidos os charutos cubanos, em verdadeira
excentricidade.
Ah... e na loja de armarinhos de Sr. Ernesto,
com os cotovelos inclinados
no antigo balcão, contando os casos de seu
jornal - O progresso – cativava a clientela
adulta e distribuindo balas de côco queimado,
realizava os sonhos dos meninos menos abastados.
Sou testemunha de um tempo que o “chorinho” do
cavaquinho de João De Vina, se incorporava com a
sinfonia em passarela dos pés dos meninos que em
ingênua aragem respiravam entre os buracos do
sapato, rumo à escola Monsenhor Bicalho; que
nas pescarias se amarrava com barbante a garrafa
- de vidro – cheia de água e a jogava no rio
para que saísse cheia de gotinhas mais geladas.
Ah… os refrigerantes - tão desejados - eram
feitos de limonada com bicarbonato de sódio
ocasionando assim o borbulhar do líquido que
povoava o imaginário fantasioso dos olhos
inocentes dos meninos.
Ah... nesta infância, se cantava para os
caracóis tentando um diálogo, junto com seu
cheiro úmido, na esperança de vê-los sair de sua
casca alongando seus chifrinhos. Aí se via toda
a poesia em constante e duradora alegria.
Sou testemunha de um tempo em que as
residências, com honrarias recebiam em sua sala
principal - as visitas que vinham à procura de
um dedo de prosa ou mesmo degustar o tradicional
café - com gosto adocicado de rapadura -
aromatizado com toques e sabores diferenciados,
servidos em xícaras de louça esmaltada .
E
noite a dentro - de maneira peculiar- ouvir as
conversas animadas, cantorias e poetas com
versos rimados, declamados em delírios
delirantes ao redor do fogão a lenha.
Tempos de inocência onde se bastava o olhar do
pai para que as pernas torneadas da menina
morena, pele de canela, se escondessem entre o
murmúrio de seu vestido e anáguas azuladas.
Esses eram os pequenos milagres diários
testemunhados pelas paredes de outrora.
Longe lá se vão as noites que nos bailes, para
dar o ar de boate, de penumbra, se colocava um
escuro papel celofane nas lâmpadas, dando um
ambiente de aconchego aos enamorados, que entre
os olhos marrons enigmáticos de Billy e os
castanhos invisíveis de uma menina morena, havia
um alinhavo em conexão apaixonada, ao som de um
piston em surdina; que nos pés de Repolês e
Mariângela, - independente do segmento musical –
havia um DNA de ritmos, suing e harmonia e que
dançavam como lapidassem o piso do salão,
transformando-o em pedra preciosa.
E
como era agradável, no cinema - São Geraldo,
Alhambra ou do Padre - ser roubado de seu lábio
um beijo - de cereja- com olor de menta
anestesiando sua boca desconfiada!
Como era afrodisíaco o beijo ambíguo - difusor
de vários sabores - roçando o paladar com seu
gosto etílico, liberando os hormônios, ao mesmo
compasso quente e refrescante, cítrico e
picante, surpreendendo as sensações gustativas
que provocavam gotículas orvalhadas pelo corpo,
já que era proibido, era vetado demonstrar
desejos libertinos.
E
essa alienação pertencia só ao inconsciente
porque enquanto o desejo se escondia nos
recônditos do ser, as mãos pelo corpo se
usufruíam de um dialogo conspirador.
Se
apresse leitor controverso, que breve vai
amanhecer, vai clarear e daqui
a
pouco tudo será passado e não se pode matá-lo
com um silencio
apocalíptico porque já disse Christiane Seigman:
“A vida é continuidade, é fluxo incessante
entre o passado, o presente e o futuro.
Trazer o passado para o agora é encontrar a
própria essência.
É perceber características familiares, que nos
permitem transformar a vida e se descobrir
eterno.”
Ao escrever se baila comigo a dança mais difícil
da vida: reter a magia do passado ao presente,
antes que na metade da música, o declínio físico
do corpo se lembre que sua história e o tempo
passara por ele.
Preservar as lembranças - mesmo na saudade- é
necessário, porque se se perde as lembranças
inocentes, se perde a alegria do viver.
Preservando los recuerdos
Nada ha suscitado tantas polémicas como hablar
de lo pasado.
Hay personas que no consiguen dormir sin dar una
mirada en lo pasado,
pero hay también los que no les gusta recordar
los episodios idos. Entonces cuestiono:
- será que esos últimos se esconden atrás de
sus culpas o quieren apenas ser revolucionarios
modernos?
Se olvidaron, con certeza, que lo pasado y lo
presente son amaneceres y atardeceres de la vida
y constituyen espectáculos de grandeza y
misterio que se despliegan en cada punto de este
complejo tejido que es lo vivir. No hay delito
cuando en esa altura de la vida, se relea lo
pasado como un acto de alegría gratificante,
como un tiempo demasiado simple, a veces casi
ingenuo que se quedó almacenado en la memoria
gustativa, con tantos olores y aromas, al largo
de la vida que se grabó en escenas
enternecedoras y por eso perduran.
Ya decía Guimarães Rosa:
“Dios nos da personas y cosas para que
aprendamos la alegría, después Él nos tira
personas y cosas para ver si somos capaces de la
alegría solos.”
Cuando se vuelve al tiempo, la atmosfera de los
recuerdos se altera en arritmia cardíaca y el
eco resonándose al presente, la temperatura del
alma acelera el metabolismo, se consigue hacer
un streep-tease d e ella y de los recuerdos del
cuerpo.
Los recuerdos de lo pasado me retratan un tiempo
en que no bastaba puntear gateando una guitarra.
Era necesario haber habilidades arriba de las
partituras, de la música hecha con texturas y
timbres de contenido artístico.
Soy huésped de una época donde el divino pecado
de robar frutos en los huertos vecinos o
cigarros de los fumantes nos era afrodisíaco,
que en su tienda, José Rodrigues con la gola de
su camisa clerical y botonadura de oro -se
vendía cigarros y con su espíritu y perfil
emprendedor ,
-con grande relevancia - cajas de madera con
rótulos de importados eran exhibidos los puros
cubanos, en verdadera excentricidad.
Ah… y en la tienda de abacería de Sr. Ernesto,
con los codos inclinados en lo antiguo balcón,
contando los casos de su periódico - El progreso
– cautivaba la clientela adulta y distribuyendo
caramelos de coco quemado, realizaba los sueños
de los niños menos abastados.
Soy testigo de un tiempo que el “llorito” del
cavaquinho de João De Vina se incorporaba con la
sinfonía en pasarela de los pies de los niños
que en ingenuo céfiro respiraban entre los
orificios del zapato, rumbo a la Escuela
Monseñor Bicalho y en las pescarías se amarraba
con cordón la botella - de vidrio - llena de
agua y la jugaba en el río para que saliese
llena de gotitas más heladas.
Ah… los gaseosos - tan deseados - eran hechos de
limonada con bicarbonato de sodio ocasionando
así lo burbujear del líquido que poblaba lo
imaginario fantasioso de los ojos inocentes de
los niños.
Ah... en esta infancia, se cantaba para los
caracoles tentando un diálogo, junto con su olor
húmedo, en la esperanza de verlos salir de su
cáscara alongando sus cuernitos.
Ahí se vía toda la poesía en constante y
duradera alegría.
Soy testigo de un tiempo en que las residencias,
con honores recibían – en su sala principal -
las visitas que venían a la procura de un dedo
de prosa o mismo degustar lo tradicional café
con gusto endulzado de rapadura, aromatizado con
toques y sabores diferenciados, servidos en taza
de loza esmaltada.
Y
noche a dentro - de manera peculiar- oír las
conversas animadas, canturías y poetas con
versos rimados, declamados en delirios
delirantes alrededor del fogón a leña.
Tiempos de inocencia donde se bastaba lo ojear
del padre para que las piernas torneadas de la
niña morena, piel de canela, se escondiesen
entre el murmullo de su vestido y enaguas
azuladas. Esos eran los pequeños milagros
diarios testificados por las paredes de otrora.
Lejos allá se van las noches que en los bailes,
para dar el aire de “boate”, de penumbra, se
ponía un oscuro papel celofán en las lámparas,
dando un ambiente de “aconchego” a los
enamorados, que entre los ojos marrones
enigmáticos de Billy y los castaños invisibles
de una niña morena, había un hilván en conexión
apasionada, al sonido de un pistón en sordina;
que en los pies de Repolês y Mariângela, -
independiente del segmento musical - había un
DNA de ritmos, suing y armonía y que danzaban
como lapidasen el suelo del salón,
transformándolo en piedra preciosa.
¡Y
cómo era agradable, en el cine - San Geraldo,
Alhambra o del Padre - ser robado de su labio un
beso - de cereza- con olor de menta anestesiando
su boca desconfiada!
¡Cómo
era afrodisíaco el beso ambiguo - difusor de
varios sabores - rozando el paladar con su gusto
etílico, liberando las hormonas, al mismo
compaso caliente y refrescante, cítrico y
picante, sorprendiendo las sensaciones
gustativas que provocaban gotitas rociadas por
el cuerpo ya que era prohibido, era vetado
demostrar deseos libertinos.
Y
esa alienación pertenecía sólo al inconsciente
porque mientras lo deseo se
escondía en los recónditos del ser, las manos
por el cuerpo se usufructuaban de un diálogo
conspirador.
Se
aprisa lector que breve va amanecer, va clarear
y de aquí a poco todo será pasado y no se puede
matarlo con un silencio apocalíptico porque ya
dice Christiane Seigman:
“La vida es continuidad, es flujo incesante
entre lo pasado, lo presente y lo futuro. Traer
lo pasado para lo ahora es encontrar la propia
esencia. Es percibir características familiares,
que nos permiten transformar la vida y
descubrirse eterno.”
Al
escribir se baila comigo la danza más difícil de
la vida: retener la magia del pasado al
presente, antes que en la mitad de la música, la
decadencia física del cuerpo se recuerde que su
historia y el tiempo pasara por él.
Preservar los recuerdos - mismo en la saudade-
es necesario, porque si se pierde los recuerdos
inocentes, se pierde la alegría de lo vivir.