A HISTÓRIA DO VERDE TERRA

PARTE 20

 

Neo Gêmini

 

Verde Terra no Porão 71.

Manoel, Dico, Ronaldo, Rogério, Cozzó e Carlinhos Gipão.

 

 

7º FESTIVAL DE MÚSICA EM ALVINÓPOLIS - OUT/1982
Outra decepção: um 5
º lugar sem premiação


Desde o Festival de São Pedro dos Ferros (Julho/82), ficamos um período sem participar de eventos. Ficamos tristes pois o Festival de Alvinópolis, tradicionalmente realizado em Julho, este ano seria em Outubro, após a Festa da Padroeira (Nossa Senhora do Rosário), ou seja nos dias 08, 09 e 10 de Outubro.

Portanto, depois de São Pedro, onde conquistamos o terceiro lugar, o próximo seria o de Caratinga. Não fomos, devido aos acontecimentos do ano anterior, da desclassificação de nossa música "Interior". Também nesse período, há exatamente 28 anos atrás, os "verde-terranos" estavam "namorando" muito e o grupo ficou um pouco de lado. Também íamos a diversas festas na região, shows, etc.

 

Eu por exemplo, após a formatura em Tec. Contabilidade (Dez/81), fiquei esse ano seguinte curtindo bastante e planejando outras coisas. De vez em quando vinha em BH e ficava no apto. onde minhas irmãs já moravam. Inclusive, no final do ano (Dez/82) estive em BH, para assistir ao show do Peter  Frampton no Mineirinho.
Já planejava minha mudança para BH também.

Voltando à Sétima edição do Festival de Alvinópolis, a organização do evento fez cartazes em papel couchê de excelente qualidade. Creio que queriam alavancar e divulgar mais a Festa da Padroeira e aproveitar os conterrâneos, nativos e também turistas para fazer uma semana bem cultural.
O Verde Terra estava empolgado, apesar do evento ser realizado (novamente), nos salões do Alvinopolense F. Clube, como no ano anterior (1981), onde conquistamos o 1
º lugar com "Massacre no Solimões".

O problema da acústica no clube é eterno, e prejudicava sempre os vocais.

 


Inscrevemos algumas músicas. Duas se classificaram; "A Lei dos Homens", uma letra do Marcos Martino bem triste mas real até os dias de hoje,  que fala da miséria no mundo, dos bêbados e mendigos nas grandes cidades, sempre deixados de lado pelos governantes. A outra música classificada foi "Emigrantes", que inclusive faz parte do livro "Século Agonizante" (Já esgotado), lançado pela Ed. Mandamentos em 1999, coletânea de poemas  de Neo Gêmini, Marcos Martino e Nelci Rangel. Quem tiver o livro em casa é só conferir a letra.
No sábado, o resultado.

Apenas "Emigrantes" foi para a grande final.

Já ficamos um pouco temerosos, pois o nível estava bom.
Tinha uma canção de um músico do interior de São Paulo, que se chamava "Incoerência", com forte apelo popular e também foi classificada.

No domingo, como sempre a preocupação com os arranjos vocais e a apresentação que foi muito boa. A letra falava de uma pessoa que saia do Nordeste em busca de novos horizontes em uma grande cidade e sempre lembrava a vida, o forte calor, a família, a esposa, e os objetos bem característicos, a origem e a necessidade de mudança para melhorar de vida.
A  música era triste e tinha um grande arranjo de viola, violão além de um bandolim, bem tocado pelo Rogério Martino.

Na expectativa do resultado, ficamos bebendo um pouco para desanuviar a mente.

No final a tristeza, não conquistamos nada.

Ou melhor, o 5o. lugar, com "Emigrantes", mas não houve prêmios em dinheiro nem troféus, pois a premiação era até o 4o. lugar.

Ficamos sabendo apenas nossa classificação depois, na contagem geral dos pontos.
Isso provocou uma revolta muito grande no Marcos e em outros componentes do grupo. Nem tanto pelo resultado, mas pela reação popular de satisfação de algumas pessoas pelo nosso fracasso.


Naquele festival, sentimos na pele toda a dor de sermos discriminados  por praticarmos uma arte  e às vezes sermos taxados de "malditos" por alguns da nossa cidade.
Diziam as "más línguas" que éramos baderneiros, e fazíamos bangunça em eventos, etc. Também estávamos um pouco visados porque o grupo já tinha conquistado uma empatia popular, principalmente entre grande parte da população.

Neste festival, alguns jurados chegaram  a dizer que os temas das músicas eram muito tristes e não tinham tanto apelo popular como as músicas dos festivais anteriores.
Mas, eles deviam entender que tristeza e maldade fazem parte do mundo. E são temas bem reais nos dias de hoje.

 


Achávamos que merecíamos pelo menos o 3
º lugar, que ficou com a música "Incoerência", do interior de São Paulo.
Quem conquistou o festival, e merecidamente, foi a música "Trem Mineiro", de  dois irmãos, que estudavam no Conservatório de Belo Horizonte.
A canção era de Oswaldo Souza Jr, interpretada maravilhosamente pela Silvana, com uma bela voz. Lembro de alguns trechos da letra:

"Trem mineiro sai primeiro, levando se us passageiros..."
Tinha um arranjo vocal maravilhoso e foi muito bem interpretada.

Outra lembrança que vem desse evento foi que a irmã do Marcos, Mirella, gravou a finalíssima do evento num aparelho de som portátil.
Dava para ouvir a reação do público, os aplausos e vaias para os concorrentes. Ficávamos sempre ouvindo para recordar nos dias seguintes.
Era uma maneira de sentir o porquê daquela derrota que nos abateu um pouco, durante um bom tempo.



Abraços a todos.

Neo Gêmini

 

Acesse www.neogemini.com.br e conheça um pouco minhas obras literárias.

Acesse: www.soundclick.com/paucomarame e ouça um pouco do rock elíptico da banda Pau com Arame.