A HISTÓRIA DO VERDE TERRA

PARTE 25

 

Neo Gêmini

 

Foto de uma das vitórias do Verde Terra,

lembrando 1983.

Arquivo pessoal do Neo Gemini.


 VIII  FESTIVAL DE MÚSICA DE ALVINÓPOLIS  Julho/1983
Enfim, o bicampeonato em casa, de forma consagradora

Após o Festival de São Pedro dos Ferros, onde conquistamos o 3o. lugar, desde a segunda-feira seguinte começamos ensaiar para o Festival de Alvinópolis, que pela primeira vez seria realizado no Parque Esportivo Júlio Mascarenhas, (em frente à Cia. Fabril), atualmente onde está localizada a APAE.

A expectativa era muito grande entre os integrantes. Queríamos ganhar novamente um
festival dentro de nossa casa, para repetir 1981 - com "Massacre no Solimões". Vencemos no evento realizado nos salões do Alvinopolense.

Em 1982, aquela decepção com "Migrantes" e o 5o. lugar "simbólico".
 

Dessa vez, inscrevemos o que tínhamos de melhor em matéria de músicas e que poderiam participar, devido ao regulamento:

- "Programação de Gente", "Natureza Humana", "Sete Quedas" e "Juízo Final".

 

Para conquistar o público de outras cidades e também cativar os conterrâneos, fizemos
na "Impressouza", gráfica do vascaíno José Geraldo, o popular Piorra, cerca de 1000 impressos em tamanho A-4, com essas 4 músicas para a galera acompanhar as letras.
E o Festival estava muito organizado.

Além da Prefeitura, contou com  o  apoio dos alunos do 3o. ano do Curso de Contabilidade e Magistério do Colégio "Prof. Cândido Gomes". Inclusive as inscrições eram feitas na Farmácia de Zezinho, com meu primo Élcio Cota, o popular Vaka, na época.
Os formandos trabalharam muito e o resultado financeiro foi muito bom para eles,  que puderam fazer uma viagem no final de ano para comemorar a Formatura.

 


Lembro-me que o nível das músicas estava ótimo, o público superlotou o Clube e em plena sexta-feira (dia da 1a. eliminatória), havia carros estacionados nos dois lados da Av. Cel. Aristides Mascarenhas.
Apesar do nível  excelente das concorrentes, o VERDE TERRA exagerou: classificou as 4 músicas para a grande final do Domingo.

Entre o público presente ganharíamos, no mínimo o 1o. e o 2o. lugar.
Isso serviria para sepultar de vez as mágoas do festival anterior e resgatar um pouco do respeito geral de algumas pessoas de Alvinópolis para com os "verde-terranos" ou para uns e outros "verde-terrestres".
Na realidade, no meu ângulo de visão, realmente merecíamos pelo menos 2 prêmios entre os 5 primeiros.
As músicas eram muito fortes, com letras bem reais e superiores às concorrentes.

Mas o critério do júri tem que ser respeitado.

 

 

 

Também ficaria "Muito Estranho" (lembram do cantor Dalto- 1982)  se ganhássemos outros prêmios. Os concorrentes de  outras cidades poderiam falar a famosa "marmelada". Isso seria ruim para um festival que se aproximava da edição de número 10, sendo o 2o. mais antigo de Minas.


Mas o resultado final todos  já  imaginavam; VERDE TERRA campeão!

Ficavam na dúvida apenas qual seria a música vencedora dentre aquelas 4.

Uns apostavam em Programação de Gente (Um alerta), outros em "Sete Quedas".
Mas a grande vencedora foi "JUIZO FINAL", que tem uma letra super legal, falando sobre a destruição do Verde no Planeta.

Até hoje ela é bem real.  Vejam em destaque no quadro seguinte :

 

 

Juízo final

de Marcos Martino

 

 

Destroem-se os contornos dos belos horizontes

Fumaças dos fornos, nos ares dos montes

Palavras saídas de bocas maldosas

Selando mil vidas, murchando mil rosas

Cortando as raízes, cortando o bem

Quebrando as matrizes que a gente tem

 

A serra serrando o verde das matas

Barragens barrando o véu das cataratas

É gente que planta e morrendo de fome

É gente que canta e apagam-lhe o nome

É uma voz que cala por bem falar

É outra voz que fala prá enganar

 

Êta, chegando o fim

Ê, Juízo final

Êta, pobre de mim

Eu já fiz tanto mal

Eu já pequei demais

E a tal da perfeição

É só pros imortais

 

E pede-se trégua e paz nas fronteiras

Calcula-se a régua, as linhas verdadeiras

Que nunca é aquela, razão desejada

E a azulada janela fica acinzentada

Da fumaça e das balas, que cortam o ar

E o trapo das malas do desertar

 

A soma de tudo que a gente exigia

Será o estudo da arqueologia

Se ainda houver mina, se houver forma viva

Por entre a ruína, vil, radioativa

Em abrigo anti-atômico, os generais

Urubus tragicômicos funerais

 

Ê, tá chegando o fim...

 

 

 

Esse refrão ficou marcado na memória e mentes de várias pessoas que estiveram presentes neste Festival.
Após o resultado, como de praxe,  o VERDE TERRA, comemorou o prêmio pela madrugada no Nick's, barzinho da época, tomando "Umas & Outras " e fazendo aquele sambão/batuque costumeiro. A alegria era contagiante.


Afinal éramos Bicampeões do Festival de Alvinópolis.


Eu não pude curtir o outro dia: emendei direto e peguei o Ônibus da Lopes & Filhos às 5:30 da manhã para BH, pois tinha que "bater o ponto" na Mutual até às 10, levando aquela marmita com a comidinha caseira de Dona Bibi.

 

Afinal eu era "Boy",  como dizia a música mais tocada da época, do grande Kid Vinil

 

"Chego no trabalho tem que bater cartão, 

se chego atrasado, tenho serviço de montão',

Eu sou Boy..." 


Mas durante a viagem, apesar do cansaço por não dormir, as lembranças de Alvi e do festival me davam força para prosseguir no sonho de "gravarmos um LP".



Abraços a todos.

Neo Gêmini

 

Acesse www.neogemini.com.br e conheça um pouco minhas obras literárias.

Acesse: www.myspace.com/bandapaucomarame e ouça um pouco do rock elíptico da banda Pau com Arame.

 

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