FESTIVAL DA CANÇÃO EM BELA VISTA DE
MINAS - Agosto/1983
Uma vitória merecidíssima, aplausos
do público e elogios da crítica.
Mesmo morando em Belo Horizonte, desde
Janeiro de 83, eu continuava ligadíssimo nas
coisas do Verde Terra, e também da cultura
alvinopolense. Sempre falava com o Marcos
Martino por telefone ou carta (o e-mail,
naquela época era um sonho ainda distante no
Brasil), e também com o divulgador Jovelino
Carvalho.
Após a grande vitória no Festival de
Alvinópolis, em Julho de 1983, com "Juízo
Final", teríamos cerca de 15 dias para
preparar e ensaiar as músicas para o próximo
evento.
Era o festival na cidade de Bela Vista de
Minas, localizada 60 km e bem perto de João
Monlevade, cerca de 15 km. Prá gente, seria
uma novidade tocar lá, a primeira vez, e
como diz o ditado : "essa a gente
nunca esquece".
Seria um weekend diferente. Alvinópolis
estava deserta. No próximo final de semana,
o embalo rolaria em DS (Dom Silvério), e sua
tradicional Festa de N. Sra. Saúde.
Nesta festa, o povo de Alvi iria em peso
para lá.
Minha vontade de participar do festival era
grande. O Verde Terra adquiriu um baixo de
madeira, pequeno, em formato quadrado, que
eu estrearia nesse evento.
Para agilizar as coisas, decidimos ir para o
festival em dois carros, pois não
gastaríamos com hotel e alimentação durante
o dia. O Toni, pai do Marcos, foi na
Brasília, juntamente com a família (o
Marcos/Rogério também). Pai liberou o fusca
azul, desde que eu arrumasse um motorista
responsável, que não bebia e fosse rodado
nas estradas. Eu achei bom, pois tomaria
umas e outras, além de não gostar de dirigir
com algum tipo de droga na mente (álcool,
mesmo em pequenas doses como cerveja, vinho
não deixa de ser uma droga), pois fazemos
coisas no volante imagináveis e 'viajamos
muito' nas curvas...
Os outros integrantes que moravam em outras
cidades foram de ônibus.
O primo e compadre atual Ângelo Eugênio e
sua esposa Cláudia também foram
comigo, o motorista era Jorge de Gelta,
pilotando o inesquecível Fusca azul
calcinha.
No sábado, na 1a. eliminatória, saímos
por volta das 17:30 hs de Alvi, para chegar
um pouco mais cedo e "reconhecer o
terreno", palco, som, horário das músicas,
etc.
Depois de muitas informações na cidade,
chegamos enfim ao local. Era uma quadra e
foi feito um carramanchão de sapé, com o
palco, pista de dança etc. Os bastidores ou
o backing stage era lá fora numa quadra. O
frio gostoso de agosto, fez com que os
verdeterranos tomassem um pouco de pinga com
mel, para "calibrar" a voz e também 'chegar
o rei" junto às belas garotas de BV, que
davam muita bola para os 'verde terranos'.
Prá variar levamos as a letras das músicas
para que pudéssemos conhecer um pouco mais
as 'minas ' daquela pequenina cidade com uma
bela vista para os olhos de nós simples
mancebos apaixonados...
Antes de começar as apresentações ficamos
uma duas ou três vezes passando o som,
ensaiando e também gravando aquele momento
no gravador antigo do Marcos Martino.
O motorista Jorge Carvalho fazia as
perguntas, e todos deram sua opinião a
respeito daquele momento do Verde Terra.
Classificamos 'Sete Quedas" para a final.
Ela estava muito cotada, pois a apresentação
agitou bastante a platéia e os críticos
presentes ao local.
No domingo, fomos para Bela Vista nos mesmos
carros. Saímos por volta das 18 hs de Alvi
na certeza que conquistaríamos um prêmio
devido á receptividade do pessoal e empatia
que tivemos junto ao público.
Na chegada, o público já nos recepcionou com
muito carinho.
Fizemos uma apresentação apoteótica, com
muita inspiração e ficamos esperando o
resultado com muita apreensão (natural) e
expectativa.
Quando o locutor pronunciou :
- E em primeiro lugar... Sete Quedas, de
Marcos Martino, interpretada pelo grupo
Verde Terra de Alvinópolis!!
Naquele momento, o espaço onde estávamos, na
quadra anexo ao carramanchão, explodiu de
alegria. Fizemos um grande carnaval, que
durou a noite toda, entrou pela madrugada.
Não ficamos muito tempo, pois no outro dia,
eu pegaria o ônibus da Lopes & filhos bem
cedo para trabalhar em BH. Eu ainda era boy,
pois isso tinha que bater cartão, até no
máximo as 10 da manhã, senão o chefe me
voltava prá casa, na saudosa Mutual,
caderneta de Poupança, na agitada rua
Curitiba em BH, esquina com Carijós.
Algumas lembranças marcantes:
A galera pulando e gritando muito no refrão
"sete Quedas, sete suspiros de amor.."
E o baixo novo, na época até que tinha um
peso legal, marcando bem a pulsação da
música.
Conheci uma garota lá e ficamos namorando
alguns meses, e nos correspondendo através
de carta. Isso sem que minha namorada de
Alvinópolis ficasse sabendo de nada...
Mas na adolescência, a gente não mede muito
as consequências de nossos atos. Por isso
não ligava muito para as opiniões alheias,
apesar de 'ser fiel' na medida do
possível...
Mas tem o ditado... " carne é fraca'...
Por isso sempre pedia o perdão ao Criador.
Feliz feriado (Corpus Christie).
Muita paz, saúde, felicidades, música e
juízo.