A HISTÓRIA DO VERDE TERRA

PARTE 26

 

Neo Gêmini

 

 Néo Gemini e Ronaldo, contando histórias no Porão 71.

Foto  : Gjunior 2009

 

FESTIVAL DA CANÇÃO EM BELA VISTA DE MINAS - Agosto/1983

 

Uma vitória merecidíssima, aplausos do público e elogios da crítica.

 

Mesmo morando em Belo Horizonte, desde Janeiro de 83, eu continuava ligadíssimo nas coisas do Verde Terra, e também da cultura alvinopolense. Sempre falava com o Marcos Martino por telefone ou carta (o e-mail, naquela época era um sonho ainda distante no Brasil), e também com o divulgador Jovelino Carvalho.

 

Após a grande vitória no Festival de Alvinópolis, em Julho de 1983, com "Juízo Final", teríamos cerca de 15 dias para preparar e ensaiar as músicas para o próximo evento.

Era o festival na cidade de Bela Vista de Minas, localizada 60 km e bem perto de João Monlevade, cerca de 15 km. Prá gente, seria uma novidade tocar lá, a primeira vez, e como diz o ditado :  "essa  a gente nunca esquece".

Seria um weekend diferente. Alvinópolis estava deserta. No próximo final de semana, o embalo rolaria em DS (Dom Silvério), e sua tradicional Festa de N. Sra. Saúde.

Nesta festa, o povo de Alvi iria em peso para lá.

Minha vontade de participar do festival era grande. O Verde Terra adquiriu um baixo de madeira, pequeno, em formato quadrado,  que eu estrearia nesse evento.

 

Para agilizar as coisas, decidimos ir para o festival em dois carros, pois não gastaríamos com hotel e alimentação durante o dia. O Toni, pai do Marcos, foi na Brasília, juntamente com a família (o Marcos/Rogério também). Pai liberou o fusca azul, desde que eu arrumasse um motorista responsável, que não bebia e fosse rodado nas estradas. Eu achei bom, pois tomaria umas e outras, além de não gostar de dirigir com algum tipo de droga na mente (álcool, mesmo em pequenas doses como cerveja, vinho não deixa de ser uma droga), pois fazemos coisas no volante imagináveis e 'viajamos muito' nas curvas...

Os outros integrantes que moravam em outras cidades foram de ônibus.

 

O primo e compadre atual Ângelo Eugênio e sua esposa Cláudia  também foram comigo, o motorista era Jorge de Gelta, pilotando o inesquecível Fusca azul calcinha.

 

 

No sábado, na 1a. eliminatória,  saímos por volta das 17:30 hs de Alvi, para chegar um pouco mais cedo e  "reconhecer o terreno", palco, som, horário das músicas, etc.

Depois de muitas informações na cidade, chegamos enfim ao local. Era uma quadra e foi feito um carramanchão de sapé, com o palco, pista de dança etc. Os bastidores ou o backing stage era lá fora numa quadra. O frio gostoso de agosto, fez com que os verdeterranos tomassem um pouco de pinga com mel, para "calibrar" a voz e também 'chegar o rei" junto às belas garotas de  BV, que davam muita bola para os 'verde terranos'.

 

Prá variar levamos as a letras das músicas para que pudéssemos conhecer um pouco mais as 'minas ' daquela pequenina cidade com uma bela vista para os olhos de nós simples mancebos apaixonados...

 

Antes de começar as apresentações ficamos uma duas ou três vezes passando o som, ensaiando e também gravando aquele momento no gravador antigo do Marcos Martino.

O motorista Jorge Carvalho fazia as perguntas, e todos deram sua opinião a respeito daquele momento do Verde Terra.

Classificamos 'Sete Quedas" para a final. Ela estava muito cotada, pois a apresentação agitou bastante a platéia e os críticos presentes ao local.

 

No domingo, fomos para Bela Vista nos mesmos carros. Saímos por volta das 18 hs de Alvi na certeza que conquistaríamos um prêmio devido á receptividade do pessoal e empatia que tivemos junto ao público.

Na chegada, o público já nos recepcionou com muito carinho.

Fizemos uma apresentação apoteótica, com muita inspiração e ficamos esperando o resultado com muita apreensão (natural) e expectativa.

Quando o locutor pronunciou :

- E em primeiro lugar... Sete Quedas, de Marcos Martino, interpretada pelo grupo Verde Terra de Alvinópolis!!

Naquele momento, o espaço onde estávamos, na quadra anexo ao carramanchão, explodiu de alegria. Fizemos um grande carnaval, que durou a noite toda, entrou pela madrugada.

Não ficamos muito tempo, pois no outro dia, eu pegaria o ônibus da Lopes & filhos bem cedo para trabalhar em BH. Eu ainda era boy, pois isso tinha que bater cartão, até no máximo as 10 da manhã, senão o chefe me voltava prá casa, na saudosa Mutual, caderneta de Poupança, na agitada rua Curitiba em BH, esquina com Carijós.

 

Algumas lembranças marcantes:

A galera pulando e gritando muito no refrão "sete Quedas, sete suspiros de amor.."

E o baixo novo, na época até que tinha um peso legal, marcando bem a pulsação da música.

 

Conheci uma garota lá e ficamos namorando alguns meses, e nos correspondendo através de carta. Isso sem que minha namorada de Alvinópolis ficasse sabendo de nada...

Mas na adolescência, a gente não mede muito as consequências de nossos atos. Por isso não ligava muito para as opiniões alheias, apesar de 'ser fiel' na medida do possível...

Mas tem o ditado... " carne é fraca'...

Por isso sempre pedia o perdão ao  Criador.

 

Abraços a todos

Feliz feriado (Corpus Christie).

Muita paz, saúde, felicidades, música e juízo.

 

Abraços a todos.

Neo Gêmini

 

Acesse www.neogemini.com.br e conheça um pouco minhas obras literárias.

Acesse: www.myspace.com/bandapaucomarame e ouça um pouco do rock elíptico da banda Pau com Arame.

 

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