A GRAVAÇÃO DO LP MIX
"Nós, os Loucos" -
Janeiro/1987
O início do sonho e
também os fatos
reais.
Em Janeiro do ano de
1987, após um ótimo
Natal e um Réveillon
muito animado em
Alvinópolis, o Grupo
Verde Terra começou
o ano ensaiando e
se preparando para a
gravação do tão
sonhado LP. O tão
sonhado momento
estava confirmado
para o Estúdio
Bemol, localizado
numa casa, na rua
Antônio Aleixo, esquina
com rua São Paulo,
bairro de Lourdes,
em Belo Horizonte.
Para facilitar as
coisas, alguns
integrantes que
vieram de
Alvinópolis,
ficaram hospedados
na famosa "República
dos Anjos", na av.
Pedro II, 533, apto
11, bairro Carlos
Prates.
Lá moravam o
Marcos Martino e
outros amigos de
Alvinópolis. A
empresa Filmavídeo,
através de um dos
proprietários, o
senhor
Ely Alves da Silva,
tio do Pedro Valério
Alves (o popular
Baiano), que também
residia na
República, veio de
João Monlevade com
suas câmeras para
registrar aquele
momento
histórico.
O
primeiro dia
das gravações
representava também
a primeira vez que um
grupo de Alvinópolis
entrava em estúdio
para gravar um
disco.
A saída da República
para o estúdio foi toda
registrada em vídeo.
O Ely ficou na
escada e anunciando
o nome de cada
componente do Verde
Terra.
Lá fora,
dois táxis,
inclusive um fusca
branco, esperavam os
músicos, que um a um, saíam aplaudidos,
portando seus respectivos
instrumentos. Isso
numa segunda feira,
por volta das 18
horas.
As gravações estavam
marcadas para as 19:30
horas.
Todos estavam
super animados, uma
alegria visível nos
semblantes dos verde-terranos.
Ao chegar no estúdio
Bemol, tivemos que
esperar um pouco a
chegada dos técnicos
e dos funcionários.
Ficamos no alpendre
da casa, também
sendo filmados e
entrevistados pelo
pessoal da
Filmavídeo.
Durante a preparação
dos equipamentos
para as gravações,
houve uma pequena
pane na iluminação
do estúdio, creio
que devido às luzes
fortes da equipe de
filmagem. Houve
outro atraso, de
cerca de 40 minutos
para a organização
do local.
Para completar o
quadro de confusão,
chega ao estúdio o
famoso "Zoeira", meu
primo Márcio
Vasconcelos, que
agitou todo mundo
por lá.
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Estúdio
Bemol.
Marcos e
Jovelino. |
O técnico do som, o
então novato Perón
Rarez, ficou um pouco
assustado com
aquela pequena
bagunça e a
quantidade de
pessoas lá. Ainda
bem que ele é bem
calmo e paciente,
além de muito
competente. Ele era
músico e gente muito
boa, nos ajudando
bastante,
controlando nossa
ansiedade devido à
surpresa e novidade
que tudo aquilo
representava. Afinal
nunca havíamos
gravado ao vivo num
estúdio de verdade.
Além disso, vieram algumas
fãs do grupo, minhas
colegas da Faculdade Fumec, a Valéria e a
Suzana, além do
músico José Augusto
Silvestre que também
participou das
gravações.
Fizemos as gravações
em
alguns dias de
Janeiro, também em
Fevereiro e Março.
Gastamos muitos
períodos de
gravações, que
geralmente eram de 4
horas.
Alguns dias, a
Kombi veio de
Alvinópolis, com os
integrantes que
moravam lá, como
João Carlos,
Ronaldo, Rogério e
outros.
A falta de
experiência é que
acarretou essa
quantidade de
períodos para as
gravações. Haviam
muitas músicas para
escolher, mas
decidimos gravar
apenas 4 músicas:
"Do outro lado do
espelho",
"Interior", "Nós, os
Loucos", e " Noite
de Cão", (essa
posteriormente seria
censurada pela
Justiça e sua
execução pública
proibida).
A ideia
era fazer um
compacto simples com
1 música em cada
lado do disco.
Durante as
gravações, resolvemos
lançar um LP-mix,
com as 4 músicas,
que segundo os
técnicos de som,
ficariam com melhor
qualidade.
Duas em cada lado.
Além disso, também poderíamos
fazer uma capa
legal, com o tamanho
de um LP tradicional
ao invés de um
tamanho menor.
O primeiro dia,
foi para
as gravações das
baterias, com o
grande Ricardo
Simões, mas com todo
o grupo tocando os
instrumentos e cantando, servindo
de guia para o
baterista.
Após as gravações
daquele primeiro
dia, todos voltaram
para pernoitar na
República dos Anjos,
onde tomamos algumas
cervejas para
relaxar e comemorar
aquele dia
histórico.
Uma
sessão de alegria
que marcou muito
para todos
integrantes do Verde
Terra. A cultura de
Alvinópolis estava
muito bem
representada por
aqueles jovens
músicos.
Posteriormente irei
detalhar os novos
períodos de
gravações, dos
violões, baixos,
guitarras e
principalmente as
vozes, que deram
mais trabalho. Além
também das flautas
com o músico Luiz
Flávio e o Lucas
Guerra que fez
participação nos
teclados.