A HISTÓRIA DO VERDE TERRA

PARTE 11

 

Neo Gêmini

 

 

Verde Terra anos 80.

Na frente : Bereco, Jovelino, Manoel e Chiquinho.

Dico, Carlinhos, Beijinho e Emília.

Em pé : Vicente, Joãozinho e Marcos.

 

I FESTIVAL ESTUDANTIL DA MPB DE CATAGUASES/MG - JUNHO/1981
O melhor festival, um segundo lugar com sabor de primeiro, muitas namoradas e o dinheiro que não recebemos até hoje...

No começo de Maio, fizemos a inscrição para o festival de Cataguases, cidade da Zona da Mata mineira, perto de Leopoldina e Juiz de Fora. Eu vi o anúncio do Festival em um jornal e convenci o pessoal do Verde Terra  a participar, apesar da distância...
Inscrevemos 4 músicas: "Nós, os Loucos", "Interior", Canta Violeiro" e "Massacre no Solimões".

Classificaram-se as 3 primeiras, apenas  "Massacre  no Solimões" ficou  eliminada na pré-seleção. Estávamos super animados, pois dias antes, havíamos recebido uma carta do organizador do evento,  sr. Edy Maury, dizendo que a música "Nós, os Loucos" era a mais pedida e ouvida na rádio local. E também queríamos conhecer essa progressista e simpática cidade de Minas, terra natal de Humberto Mauro, um dos pioneiros do cinema nacional.

 

Arrumamos alguns colegas de Alvinópolis e fomos em 3 carros, inclusive um Fiat 147 e outro Dodge Polara. Além do grupo foram 5 conterrâneos para curtir o festival. O Carlinhos foi de ônibus de B.Horizonte (7 horas de viagem). O Jovelino veio de Gov. Valadares e foi conosco de carro desde Alvinópolis. O Ricardão, agora já efetivado como integrante  do grupo, além da novidade: Rogério Martino (com 14 anos) que inclusive, faria sua estréia no violão base. Foi necessário também uma autorização junto ao juiz da cidade para que ele viajasse, igualmente para mim e Marcos Martino, devido à idade inferior a 18 anos.
As 3 músicas seriam tocadas no sábado, dia 20/06/81,  último dia da regência de Gêmeos.
A ausência foi de Jesus Bereco, que se desligou do grupo após seu casamento em Maio do referido ano, ou seja se despediu no Festival de João Monlevade.
Saímos de Alvinópolis cedinho, os 3 carros juntos e fizemos uma "escala terrestre" em Viçosa para almoçar, um bom churrasco. Chegamos em "Catá", à tarde e fomos direto para o campo do clube Operário (local do festival), que se localizava em frente à Estação Rodoviária.


Ensaiamos rapidamente e já despertamos o interesse do público devido às ótimas músicas.  Também o local era aberto e som estava ótimo. As nuvens escuras se alastravam pelo bonito céu...

À noite não houve festival, caiu um tremendo temporal.

 

Reencontro do Verde Terra em 2009.

Manoel, Dico, Ronaldinho, Rogério, Cozó e Carlinhos Gipão.

 

 

Foi transferida essa eliminatória para o domingo às 10 hs da manhã.

Mesmo assim, fomos para um barzinho "massaroca" e fizemos um som beleza pura. A essas horas quase todos do grupo já estavam bem acompanhados. Aliás a quantidade de garotas que conhecemos chegavam junto mesmo...

Também cidade perto do Rio de Janeiro...
 

Ao contrário de outros festivais, ficamos num hotel excelente no centro da cidade.
E localizado perto do campo do Operário. Assim não tínhamos que nos preocupar muito com horário de ensaios, apresentações, etc.
No domingo pela manhã fomos ansiosos para o local, que recebia ótimo público.
Após a apresentação da música, que foi "Nós, os Loucos", o público vibrou bastante. O som também ajudava.

Depois "Interior" que foi outro sucesso. No júri estava gente famosa, cronistas, jornalistas do Rio de Janeiro e o cantor/compositor Walter Franco (lembram-se da famosa musica "Canalha", do festival da Rede Tupi-1979 ?)


Aí aconteceram algumas coisas engraçadas: um amigo nosso que foi dirigindo um dos carros perdeu a chave do veículo. Mais tarde, um travesti da cidade a encontrou no meio da grama e nossa turma fez a maior festa com ele, cantando em agradecimento ao objeto encontrado. A essas horas, de manhã, todos estavam bem "calibrados" (pouco depois do meio-dia). O Zé Carlos, cunhado do João Carlos era outro que foi dirigindo o seu carro. Ele até subiu no palco com a gente, tocando agogô.
Para finalizar tocamos a alegre música "Canta Violeiro".

Após encerrada a eliminatória, fomos convidados a dar um show, devido ao sucesso que  fazíamos na cidade.
No show (por volta das 13 horas), tocamos várias músicas, os baiões de sempre, e depois o Jovelino fez uma coisa que não gostamos na hora, mas depois entendemos :
parou o show e convidou todos para irem almoçar.

Aí o show acabou.

Creio que ele pensou naquela célebre frase: "A fome é negra"...

À noite, éramos o centro de todas as atenções; as pessoas queriam conversar com a gente, pedir autógrafos, repórteres de vários lugares, garotas e até pais de família com seus filhos. E a final estava sendo transmitida ao vivo pela Rádio Leopoldina.
Inclusive eu estava numa boa com uma gatinha, dando uns amassos na grama, bem longe daquela badalação, quando um repórter do Rio de Janeiro chegou e me entrevistou,  querendo notícias sobre Alvinópolis, o processo de criação do grupo, o surgimento do Verde Terra e se pensávamos em nos profissionalizar, gravar LP, etc.

Mas enfim,  chegou a expectativa de sempre, pelo resultado;
Todos torciam pela nossa vitória, principalmente as garotas, namoradas, amigas, mães, filhas, e também os rapazes românticos.
No final, um resultado inexplicável: no primeiro lugar ficaram duas músicas de Cataguases empatadas, cada uma ganhou 20 mil cruzeiros e o troféu.


Nós ficamos em 2o. lugar, com "Nós, os Loucos" e um lindo troféu, conquistando a admiração e simpatia de todos.
No final, por volta das 3 da manhã, após o encerramento, na despedida muitos abraços, beijos, afagos, carinhos e lágrimas também.
Aliás eu e o João Carlos, fizemos uma "dupla de área": eu estava "ficando" no domingo com a sobrinha da namorada dele lá da cidade. Até acabei chamando-o de Tio Gão".

Todos adoraram a cidade e queríamos voltar brevemente. O único fato lamentável até hoje, 28 anos depois; recebemos o pagamento do prêmio em cheque do organizador do evento e não recebemos o dinheiro. O cheque voltou sem fundos várias vezes. Até meu tio e padrinho (Tio Nonô) que morava em Leopoldina, tentou (sem sucesso) receber o dinheiro.
A notícia é que o organizador teve prejuízo no evento, etc.
Mas o importante foi o prazer do evento em si; todos verde terranos e amigos que foram adoraram a cidade.

Outros registros interessantes: um apelido novo que o Ricardão ganhou: "Rodoviária", pelo fato de estar sempre tomando umas e outras, além de muitos "bravos" (conhaque, mel e limão) na Rodoviária, devido ao frio.
Outro apelido que ganhei foi "doente", pois estava todo de branco no sábado, com sandália e meia (moda da época). Mais alguns apelidos que ganhei lá :  "cabeça de fogo", "anjo barroco" (tinha o cabelo grande).

A estréia do Rogério foi boa. Deu muita segurança na base e melhorou sensivelmente a harmonia do VERDE TERRA. Em determinado momento do Festival, ele estava meio sem jeito; era cercado por mais de 10 meninas, conversando, meio sem graça, bem tímido, como um "pacato cidadão". Tive que socorrê-lo e sair com uma das garotas. Depois convoquei o Jovelino par ajudá-lo na empreitada... Aí ele também se arrumou...
A viagem de volta foi ótima. Saímos por volta das 4 da manhã quase todos bem "chapados". À medida que distanciávamos de "Katá" (nome carinhoso que uma garota chamava a cidade), a tristeza e a saudade aumentavam. Eu matava a saudade da city, através de cartas de algumas garotas de lá.
Quem sabe um dia o Verde Terra em novo formato volte àquele paraíso...

Aproveitem e curtam a nova fase do Verde Terra do terceiro milênio.
Estamos tentando gravar um cd. Assistam aos shows e procurem ouvir as canções..
VERDE TERRA é o cheiro da terra, ou seja a TERRA VERDE de Alvi, com esperanças...

 

Abraços
NEO GÊMINI.

 

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