A HISTÓRIA DO VERDE TERRA

PARTE 7

 

Néo Gemini

 

Foto do Festival de Caratinga tirada pelo Joãozinho.

Da esquerda para a direita :

Carlinhos, Arturzinho, Manoel, Dico, Marcos, Jovelino, Bereco.

 

 

FUNCAP - FESTIVAL UNIVERSITÁRIO DA CANÇÃO POPULAR
Governador Valadares - MG - NOVEMBRO/ 1980

 


Apesar de todos obstáculos, incertezas e molecagens, uma surpresa muito agradável

O próximo evento que o Verde Terra inscreveu foi na cidade de Governador "Valadólares", ou seja este nome é atual, em 1980 era apenas a grande cidade do Vale do Rio Doce.

Dias 14, 15 e 16/Novembro de 1980, justamente no último decanato regido pelo poderoso signo de Escorpião.

Um pequeno problema que o grupo resolveu; só poderiam participar músicos que cursassem faculdade. A solução encontrada por todos em comum acordo do Verde Terra foi inscrever as músicas em nome de uma estudante de Caratinga, nascida em Alvinópolis.
E como resultado da pré seleção apenas a canção dos Loucos , o da Lua ("Nós, os Loucos) foi classificada. E já com data de apresentação: 15/11, dia da proclamação da República.

Alguns dias antes da viagem pintou um grande problema: Marcos decidiu não ir, talvez porque a música não estar inscrita no nome dele. Houve reuniões, discussões familiares entre os integrantes e o clima ficou pesado.
O Jovelino tinha várias tios que moravam lá. Então eu e ele decidimos ir apenas para curtir e assistir o festival, ver a reação da galera, trocar informações,etc.

O ginásio coberto, "Arnóbio Pitanga", estaria lotado.  A programação também era legal.
Na sexta, tocariam 10 músicas e depois haveria um show do Quinteto Violado, cantando Vandré.
No sábado 20 músicas. E no domingo após as finalistas e o resultado, o show com MPB4.
A patrocinadora do evento era a Caderneta de Poupança Mutual, onde em Janeiro/83 eu começara a trabalhar de office-boy , em BH, justamente no auge da música "Eu sou Boy", do grupo Magazine (Kid Vinil e amigos).

Começamos a curtir o festival e o nível das músicas, estava ótimo. Fomos tomar uma cerveja, quando encontramos os dois líderes do Grupo Estrada (que ganharam o 2 e 4o. lugar em Alvinópolis em Julho/80) .

Quando dissemos que ninguém do Verde Terra estava lá, apenas eu e o Jovelino, e a música dos loucos seria a 7a. da noite, eles não acreditaram. 
E acabaram nos convencendo a tocar, juntamente com eles. Fomos para um cantinho do ginásio e improvisamos um ensaio rápido. Eu no violão, passando as notas e cantando, juntamente com o Jovelino.

Como eles já conheciam a música, que era num compasso 4/4 e com poucas notas, ficou "extremamente fácil..."
Havia uma viola, uma flauta, o contrabaixo e bateria do pessoal do grupo Estrada".

A música ficou bem diferente.

 

A apresentação agradou a todos, e ficou surpreendentemente legal, ou ótima para o pouco tempo de ensaio.
E no resultado, a classificação para a grande final no domingo ( 16/11).

No outro dia, com mais tempo, fizemos ensaios, tomamos algumas e trocamos idéias sobre arranjos, etc.
A música ganhou um clima espanhol com rìtmo guarania.
Após a apresentação fomos festejar, tomando todas.

Acabamos faturando o 3o lugar . Ganhamos 20 mil cruzeiros.
Demos 8 mil para os integrantes do Grupo Estrada e ficamos com 12 mil
Muito satisfeitos, mas também preocupados com o que viria pela frente, quando chegássemos em Alvinópolis.

Ninguém sabia de nada, nem imaginava o que aconteceu.
 

Mas curtimos a noite, show do MPB 4, algumas gatinhas, curtindo "vira Virou", "Depende", "Fantasia","Pois é prá que", "Viração”.

Uma ótima noite.

Por isso no ano seguinte comprei este LP  deste grupo, pois adorei o show deles, e o arranjo vocal.

 

Depois, ainda naquela noite de domingo, eu e o Jovelino nem pegamos no sono; estávamos tensos e nervosos; afinal, o pai do Marcos não queria que a gente apresentasse a música em Governador Valadares.

Após muitos tumultos, na segunda à tarde(após o almoço), fomos para João Monlevade de ônibus. Foi uma viagem cansativa e prá nós bastante "pensativa".

Eu pedi meu mai prá buscar eu e o Jovelino na rodoviária de Monlevade (aquela antiga, que hoje é um boteco).

Chegamos lá de noite e o ônibus prá Alvinópolis já havia saído.

Logo que chegamos, fomos direto pro colégio, para justificar nossa ausência e também não ganhar "falta" na matéria.

Quando entramos na sala, ficamos um bom tempo rindo, estranhamente.

Os nossos colegas não entenderam nada..

 

A solução que encontramos foi, após a aula, contarmos apenas para o Carlinhos(Jipão) e posteriormente para os outros integrantes do Verde Terra.

Na hora eles assustaram, mais depois compreenderam tudo numa boa, inclusive o Marcos. Apenas o Dico ficou um pouco estranho e chateado, parecendo não concordar com o que fizemos. Eu dei o dinheiro para o Marcos que o depositou na Caderneta de poupança do Verde Terra na Minas Caixa.

Nessa época, já tínhamos uma boa grana guardada. Principalmente por causa dos dois últimos prêmios (Primeiro lugar em Itabira 35 mil cruzeiros) e agora os 12 mil cruzeiros de Valadares.

Estávamos preocupados (todos no grupo), como faríamos para explicar tudo para os pais do Marcos.

 

Um registro importante: depois dessa atitude de dois jovens adolescentes que adoravam o grupo, ficamos (eu o Jovelino) um bom tempo sem ir na casa do Marcos e consequentemente sem conversar com os pais dele; cerca de 1 mês e meio.

Até o Carlinhos achou estranho. Queria que fizéssemos as pazes.

Somente com um pouco de tempo e após muitas reflexões fomos até lá e pedimos desculpas e tudo voltou ao normal.

Mas acho que valeu bastante nossa "molecagem", no bom sentido.

O VERDE TERRA ganhou com isso e nós curtimos bastante.

 

Abraços a todos

Neo Gêmini

 

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