A HISTÓRIA DO VERDE TERRA

PARTE 3

 

Néo Gemini

 

Na foto, da direita pra esquerda e de cima pra baixo.

Ricardão, Joãozinho, Manoel, Dico, Marcos, Ronaldinho e Rogério.

 

Após a entrada do Dico, Bereco e Artur, ficou assim definida a formação do VERDE TERRA, para a participação no 5o. Festival de Música em Alvinópolis, Julho/1980:

Marcos Martino (violão, viola e voz), Carlinhos Crepalde (violão/solo e voz), Jesus Bereco (percussão, pandeiro, triângulo), Artur (violão-base), Jovelino Carvalho (voz), Dico Carvalho(surdo), Manoel Barcellos (percussão/triângulo e bigorna).

 

Já a partir de Maio começamos a ensaiar na casa do Marcos e preparar a gravação das músicas para serem inscritas no Festival.

Inscrevemos: "Nós, os Loucos", "Serenata", "Em poucas linhas" (Brasil), "Pedro Marginal" (todas de autoria de Marcos Martino) e ainda "Felicidade Interior" (Manoel Barcellos) e "Agreste" (Carlos Crepalde).

Gravamos as músicas na casa do Marcos em fita cassete, para a época ficou até legal, dentro das condições técnicas que tínhamos.

 

Neste momento, vivíamos super-animados e esperançosos, mas também muito apreensivos, devido à inexperiência. Prova disso é que fizemos a inscrição para o Festival de Música de Ouro Preto, que seria realizado uma semana antes do de Alvinópolis. E mandamos 9 músicas. Além das seis que inscrevemos em Alvinópolis, mais 3, que na realidade não tinham condições técnicas de outras inscrições de músicas profissionais que gravavam em estúdios de qualidade. A quantidade exagerada de músicas para Ouro Preto pode ter sido um indício de imaturidade. Por isso nenhuma música classificou para o festival de lá. O pessoal da organização nem deve ter ouvido.

 

Mas apesar da triste notícia da não classificação em Ouro Preto, no outro dia, tivemos a confirmação da classificação das 6 músicas inscritas em Alvinópolis. A organização do Festival disse que seriam divididas. Umas 4 tocariam na 1a. eliminatória e as outras duas na segunda  eliminatória (no sábado).

 

Então, as férias escolares (cursávamos o 2o. ano do Curso Téc. em Contabilidade) nos ajudaram bastante. A partir do dia 15 de Junho pedimos o espaço do Clube Industrial emprestado   e começamos a ensaiar. As músicas,  arranjos vocais, postura de palco e também para nos acostumarmos com o palco em si, e na hora do festival não ficarmos tímidos ou inibidos.

Afinal, seria a 1a. vez que o grupo com a formação completa (7 pessoas) iria tocar junto.

 

Também ensaiamos com a Lucília, que fez participação algumas músicas na flauta.

Alguns ensaios para o festival, além do Industrial, durante o dia acontecia na casa do Marcos. No clube era somente à noite, pois alguns trabalhavam durante o dia.

 

À medida que se aproximava o dia do festival a ansiedade aumentava. Também ficamos sabendo que tinham muitas músicas de alto nível classificadas, de cidades como B.Horizonte, Itabira, Gov. Valadares, Sete Lagoas, Ouro Preto e outros estados.

E também o Festival seria realizado no pátio interno da Escola Estadual Professor Cândido Gomes, o colégio, ao ar livre, e com grande público, muito frio e animação da galera.

 

O grande dia enfim chegou.

Lembro-me que dormi, sonhando com aquela apresentação.

Seria nosso batismo oficial, todos juntos ao vivo, com a presença de familiares, amigos, colegas, professores e perante ao corpo de jurados. Naquela época a nota ainda era ao vivo, com um papel com letras grandes, tipo show de calouros.

 

Chegamos cedo, nos reunimos num canto, alguns com suas namoradas e paqueras. Tinha muita gatinha de outras cidades. Neste festival conheci uma garota de Acesita e namoramos um bom tempo. Ela tinha uma turma de amigas que ficava cantando, aplaudindo o Verde Terra. Além disso nos ajudava a distribuir os papeis com as letras, que ainda tenho no álbum do grupo.

Eram assim os dizeres iniciais :

5. Festival de Música de Alvinópolis

Participe cantando com o Grupo VERDE TERRA

 

O material era todo rodado em mimeógrafo e fazíamos isso no Grupo Bias Fortes.

Conseguimos alguns patrocínios e também do dinheiro que arrecadávamos, vendendo jornais velhos, litros, fazendo rifas. Às vezes eu também passava filmes (cineminha) na minha casa usando uma lâmpada e lanterna com filmes que tinha guardado de sobras do cinema de Alvinópolis. E também vendia "chup chup". Tudo isso ajudava um pouquinho...

 

Então criamos um QG, na parte de trás do colégio onde ficávamos reunidos, conversando, ensaiando, tomando uma pinguinha com mel para esquentar e cuidar da garganta, namorando, e principalmente, tentando acalmar um pouco da ansiedade.

Principalmente eu que teria que tocar um sino da igreja na música "Nós os Loucos", que foi emprestado por nossa professora de português, Maria Gonçalves.

 

Na sexta-feira (1a. eliminatória), tocamos 4 músicas:

"Nós, os Loucos", "Serenata", "Agreste" e "Em poucas Linhas..."

O detalhe é que nossa 1a. música era "Nós, os Loucos", que seria a 4a. daquela noite.

Era a melhor música que tínhamos para o Festival.

 

Portanto, (coisas do destino), estreiamos juntos no palco, tocando a música que seria o carro chefe do grupo.

Para o leitor voltar ao passado (quem viveu aquele festival), poderia dizer que estávamos super nervosos, (alguns até tremendo de emoção/ansiedade, etc), pois à  exceção do Marcos, era a primeira vez que enfrentaríamos ao vivo uma grande platéia, participativa e formada por jovens, crianças e pessoas mais velhas, além de muitos turistas.

O corpo de jurados ficava à frente, cercados por uma corda, atrás ficava o grande público.

O palco era após a escada no meio do pátio.

 

Eu particularmente, estava muito nervoso e tomando "todas" para ficar um pouco mais desinibido no palco. Apesar de não cantar nem tocar, apenas no dia o sino e triângulo, tinha as horas certas de entrar e os arranjos que ensaiamos não poderiam ter erros.

O sino, era muito pesado. Era de bronze e tinha um barulho muito alto e estridente.

Não poderia ficar muito perto do microfone.

 

Quando o locutor falou:

- A 4a. música da noite é "Nós, os Loucos", de Marcos Martino, interpretada pelo Grupo VERDE TERRA, de Alvinópolis.

A platéia foi ao delírio.

 

Subi até tremendo para o palco. Mas, depois que começamos e fomos descontraindo, ficamos soltos e à vontade no palco. A apresentação foi se tornando espetacular e emocionante.

Isso foi um comentário feito depois pelo júri e pelo público.

Quando saímos do palco fomos cercados por amigos, nossas namoradas e ficamos em êxtase total. A emoção foi muito grande.

 

O batismo do VERDE TERRA no palco, ao vivo na cidade natal foi simplesmente  ALUCINANTE.

A música Nós, os Loucos", chegou a hipnotizar as pessoas no colégio. Apesar de ter acordes simples e poucas notas, o refrão "Hoje o da lua não veio, hoje o da lua ficou, por causa daquela estrela, que lá no céu se apagou" ficou marcado nas mentes do público.

Posteriormente, as outras 3 músicas saíram bem na apresentação e todas as 4 classificaram-se para a final que seria domingo.
"Nós, os Loucos" conseguiu  a 2a. maior nota (total de pontos dos jurados), perdendo apenas para a música "São Francisco de Minas", do grupo Origem da terra de Itabira, composição de Newton Baiandeira, interpretada pelo ótimo Toni Primo, que tem fez um apresentação primorosa e voz que lembrava muito Milton Nascimento.
Após o resultado fizemos aquele carnaval, com um sambão no Nick's até ás 5 da manhã.
 
No sábado, tocamos mais duas músicas: "Felicidade Interior" e "Pedro Marginal'.

A 1a. de minha autoria eu não esperava um resultado tão bom. E realmente não classificou. A compus em 1979, na casa do Marcos, minha primeira letra/música. Sua nota foi baixa.

Estranho que recentemente (13/11/2002) ela foi tocada na 1a. Mostra Cauê de Arte Popular na Boate Três Lobos em BH e ficou entre 25 classificadas na eliminatória, dentre mais de 1500 inscritas. Eu a interpretei e ganhei uma bela placa de prata da empresa Cauê, disputando com feras da música de festivais.

Mas a outra do sábado, de autoria de Marcos, eu esperava que classificasse. Todos do Verde Terra tinham uma confiança enorme. Era uma história muito triste da criação de um filho pela mãe e depois muitas agruras na vida deste jovem, e também uma crítica à situação caótica da saúde brasileira, ( que já existia na época).
No sábado, o nível das músicas estava superior. Nenhuma das músicas se classificou e ficamos apreensivos para a final do domingo. Apesar de "Nós, os Loucos" estar bastante cotada entre jurados e público em geral.
 
No próximo capítulo falarei sobre a final do Festival de Julho/80- e também sobre o XI FEMPOC, Festival de Música de Caratinga, a primeira viagem do grupo para se apresentar em outra cidade.

 

Abraços a todos internautas do Alvinews.

Saudações verde terranas, muita paz, saúde e alegria a todos

Se Deus quiser reencontro os amigos na Semana Santa em Alvi.

 

Neo Gêmini (Manoel Barcellos)

Acesse www.neogemini.com.br e conheça um pouco de minhas obras literárias e musicais.