SE ERA POUCO... NÃO ERA AMOR

 

Vanderlei Lourenço


Seria possível amar alguém, de verdade, e esse amor, com o tempo, acabar?

Eu, realmente não creio ser isso possível. Ao contrário da cantiga de roda (o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou), penso que  não é possível  quantificar o

amor. Amor não pode ser pouco ou muito. É amor, apenas.

Então, porque o amor "acaba"? Porque os apaixonados de ontem se convertem em solteiros, alguns profundamente amargos, no hoje? Ah, esses apaixonados... vivem de acordo com a letra de Lupicínio: "você sabe o que é ter um amor, meu Senhor? Ter loucura por uma mulher?


Paixão. Loucura. Ser capaz de morrer por alguem, como alguns que conheci e que, literalmente morreram...  não.  Paixão ou loucura ou outra denominação que se dê

é paixão, loucura ou outra denominação. Não é amor.

Então, permito-me perguntar: "o que é o amor?"

 


"Ah, o amor, aiai, amor, bobagem que a gente não esquece, aiai", cantava Ary Barroso. Então o amor é uma bobagem? Mas se é bobagem, não tem importância... eu não sei o que é o amor. Mas, talvez o amor deva estar no nível de  simplicidade

ao qual relegamos as bobagens.

E, sendo simples... aí é que são elas! Ficou difícil.

Mas, difícil porque a gente o faz difícil. E se o fizermos ficar mais fácil? Lembro-me do Dr. João, um amigo que, com a esposa doente, necessitada de cuidados diários de sua parte, disse-me, certa vez, devotar-lhe o mais profundo amor. E abdicava

até dos menores prazeres, para estar ao seu lado.

”Bonito... queria amar assim”, é o que todos dizem. Mas, quem está disposto ao sacrifício? Porque amor de verdade, mais cedo ou mais tarde, vai exigir sacrifícios. E o  egoista, que não  conseguir  sacrificar-se,  ah,  esse não conseguirá amar.  No

seu caso, será um fogo-fátuo. Uma paixão. Uma loucura.

Porque, amor verdadeiro, tem a magia das coisas perenes. Quando se conquista, não sai mais da gente. Então, não pode acabar. Se acabou, alegre-se. Hora de voltar a buscar, porque o que acabou, era qualquer coisa, menos amor.

 



Porque amor... ah, amor é soma. Sempre. É a soma do carinho que se tem, do afeto, da cumplicidade, da lealdade, da amizade, do respeito... sim, porque sem

respeito as relações humanas inexistem...
 
amor é o prazer inenarrável da presença do outro, pelo qual sacrificamos quaisquer  outras  alegrias, porque,  como  disse Rubem Alves, "alegria  maior não

pode existir..."

e, somando-se a isso tudo uma pitada de paixão... converte-se naquela explosão, que vai perdurar em calmaria quando o fogo da paixão desvanecer.

Mas vai ficar. Porque, amor de verdade... ele sempre fica...

 

Vanderlei Lourenço é alvinopolense, poeta e escritor.

Vanderhugo@yahoo.com.br

Blog : http://www.vanderhugo.blogspot.com