Os cabritos de Tuôla

 

José Silvério de Carvalho

 

 

Nos anos 80 e 90, Salvador Theodoro Alves (Tuôla), grande presidente do Alvinopolense, resolveu fazer um investimento no campo de futebol.

Construiu um pequeno curral na linha de fundo, próximo ao escanteio do gol de baixo e comprou 30 cabritos. A função dos caprinos era podar o gramado bem rente e por incrível que pareça, funcionava.

 

Naqueles tempos, todo ano eu levava o time do Banco Real de Monlevade, para enfrentar a equipe do Alvorada, sempre no campo do AFC.

 

Equipe do Real, no dia da invasão dos cabritos.

Em pé : Joãozinho, Chicão, Maroca, Jaison, Vicente Repolês, Ailton, Tenente, Ferando e Toni. Agachados : Alvaro, Bené Beiçola, Dorim, Dezinho, Celsinho, Marlon e Vidrilho.

 

 

 

O jogo sempre era realizado na parte da manhã e assim que terminava, a galera seguia para o Nick´s Bar, onde servido um delicioso frango ao molho pardo, regado a muita cerveja.

 

Mas voltando aos jogos, numa dessas partidas o placar era 0 x 0, muita correria e o Alvorada era todo pressão.

Aconteceu um escanteio e o time do Alvorada foi todo pra área, só ficou o goleiro no centro do gramado.

Escanteio batido, nosso goleiro saiu de soco e o camisa 10 dominou a bola no peito, com muita elegância e me lançou na ponta esquerda. Armamos um contra ataque mortífero, éramos 4 contra apenas o goleiro e não havia impedimento.

Era gol na certa, eu vinha em desabalada carreira, quando a cancela do curral se abriu e a cabritada invadiu o gramado.

 

Vieram vários cabritos em minha direção, soltando aquele tradicional grito de guerra :

- Bééééé... béééé....

 

 

Acabei me enrolando no meio dos cabritos, a bola sumiu e o juiz interrompeu a partida por alguns minutos, pois quase todos os atletas estava deitados no gramado, dando risadas e gozando a minha cara, inclusive o árbitro.

Resumindo, tivemos um perigoso contra-ataque interceptado por 30 cabritos.

Casos como este só acontecem em Alvinópolis, terra da fantasia.

 

 

Levi e o índio patachó

 

 

Também nos anos 70, Klebinha, grade zagueiro do Alvinopolense, recebeu um convite para montar um time.

Seria um jogo de muita festa, na comunidade dos Dias.

Klebinha, que era muito gozador, montou o time e ficou faltando o goleiro.

Procurou Levi e lhe fez o convite , mas com uma condição :

 

- Você vai ter de entrar em campo fantasiado de índio, todo pintado de vermelho, com penas, penachos, plumas e paetês.

 

O Levi achou aquilo muito estranho, mas como também era um tremendo gozador, topou a parada.

Foram todos então para os Dias e foi aquela brincadeira geral.

Chegando ao campo, o time todo uniformizado e o Levi todo fantasiado, parecendo mais um pavão misterioso.

De cara já levou uma sonora vaia da torcida local.

 

Antes de rolar a bola, Klebinha chamou Levi no canto e disse :

- Muito cuidado com o ponta esquerda deles, um tal de Canhão. O homem chuta mais que Nelinho e Eder Aleixo juntos.

 

Levi fez sinal do ok e falou :

- Deixa comigo Klebinha, hoje não vai passar nada.

 

Assim que começou a partida, sobrou uma bola para o Canhão na intermediária e o homem soltou aquela tradicional bomba.
Levi saiu voando igual um Trinca Ferro mas não achou nada.

A bola triscou o travessão e saiu pela linha de fundo.

O Levi foi lá, calmamente, buscou a bola, colocou na marca do tiro de meta e deu aquela risadinha olhando par ao Canhão.

 

O homem ficou furioso, apontou o dedo pro Levi e disse :

- A sua batata tá assando, na próxima eu te racho.

 

O jogo continuou quente, como era de se esperar no caldeirão dos Dias.

Um campo que até poucos anos atrás tinha um desnível que se você deixasse a bola no meio campo, ela descia para um dos lados, e com rapidez.

 

Eis que no segundo tempo, os Dias atacando a favor do desnível, sobrou uma bola para o Canhão, desta vez mais próximo do gol, beirando a meia lua da grande área.

O meio campo dos Dias soltou um míssel teleguiado, que explodiu no peito do Levi...

Foi pânico geral...

Penas, penachos, plumas e paetês voando pra todo lado, para delírio da torcida presente.

Desde então, Levi ficou marcado pelos amigos como Levi Índio.

São casos do futebol que jamais serão esquecidos.

 

Saudações Alvinopolenses.

 

José Silvério de Carvalho (Vidrilho)

Contato : alvinews14@gmail.com ou (31) 3495-2300