De volta aos tempos do cinema. 

Anos 50 e 60 em Alvinópolis.

 

José Silvério de Carvalho

 

 

Nos anos 50 e 60 Alvinópolis chegou a ter 3 cinemas.

Cine teatro Alhambra, de propriedade do Sr. Sebastião Eliseu , onde atualmente funciona o Banco do Brasil. Após alguns anos este cinema foi passando para outros proprietários como Zito de Lilina, Miltinho de Rio Piracicaba, até seu fechamento.

Cine Alhambra - Foto do Mauro Sérvulo

 

O Cine São Geraldo, de propriedade do  Juquita, que tinha o hotel do mesmo nome, bem no centro do Gaspar. Hoje o Hotel São Geraldo é administrado pelo Guarany e já teve uma matéria aqui no Alvinews que todos podem rever.  Juquita foi seu único dono durante todos os anos de seu funcionamento.

Cine São Geraldo - Foto do Mauro Sérvulo

 

E o Cine Providência , administrado na época pela Casa Paroquial.

Cine Providência - Foto do Mauro Sérvulo

 

Estes cinemas também eram usados para shows musicais, peças de teatro, dentre outros eventos da cidade. Na minha infância não tínhamos TV na cidade e o cinema era tudo de bom. Alguns garotos prestavam serviços aos cinemas, dentre eles, eu também participava. Levávamos cartazes anunciando os filmes para os 3 pontos estratégicos de anúncios em Alvinópolis daquela época. Eles eram o a loja de Chico de Sá na Rua de Cima, o Bar de Darci no Gaspar e o Bar de Jucazinho na Baixada. Por volta das 10 horas, passávamos nestes pontos e ajudávamos a pregar os cartazes dos filmes. As 18 horas voltávamos pra buscar aqueles grandes cartazes. Em troca destes serviços, ganhávamos o ingresso pra ver os filmes.

Dos filmes daquela época, os que mais me lembro eram “Quo Vadis” , "Cleópatra", "Ben Hur", "Os 10 mandamentos", tudo em cinemascope colorido, uma maravilha, isto para os adultos. Para nós, a garotada, , o bom eram os faroestes as sextas-feiras, seguidos de um capítulo do de um seriado que mexia com as nossas emoções,

Podíamos entrar no cinema a noite acompanhados dos pais, se fosse censura livre. Os artistas dos filmes preferidos dos adultos eram Victor Mature, Humprey Bogart, Charlton Heston, Burt Lancaster e as musas Cláudia Cardinale, Raquel Welch, Sophia Loren, Greta Garbo, Marilyn Monroe. Para a garotada se destacavam a turma dos faroestes, Roy Rogers, Alan Rock Lane, Durango Kid, Zorro e seu amigo Tonto.

Aos domingos havia o reprise do filme de sexta-feira, com o capítulo dos seriados, e eu sempre estava lá.

No final da matinê, a gente saía em disparada em direção ao campo do AFC para ver aquele timaço da época, que nos fazia muito felizes.

Um  caso pitoresco e engraçado sempre acontecia na Semana Santa. A programação do Cine Alhambra, na época sobre o comando o Sebastião Eliseu, sempre passava o filme religioso “Vida, Paixão e Morte do N. Senhor Jesus Cristo”.

Dentre os telespectadores, tinha uma senhora muito conhecida em nossa cidade, que morava no Córrego Fundo, que ficava atrás do Colégio Estadual. Seu nome era Sá Rosa Perna de Pau. Era o único filme que ela assistia, não perdia por nada, sentadinha ali nas poltronas da frente.

Sá Rosa Perna de Pau - Foto do Mauro Sérvulo

 

Tudo ia muito bem, Sá Rosa chorando baixinho, sofrendo junto com aquele drama. Mas em determinada parte do filme, quando os soldados romanos começavam a maltratar Jesus Cristo, conduzindo-o para o calvário, ela apelava feio, em tom de voz alta, aprontava o maior xingatório no cinema, escorraçando os soldados.  Sobrava pra todo mundo.

Eram os tempos do cinema em Alvinópolis, onde a juventude se sentia alegre. Os cinemas eram o ponto de encontro, dos jovens e ao término das sessões de cinema, a gente seguia para o Alvinopolense ou Industrial, onde aconteciam os Bailes ou Horas Dançantes ao som do famoso disco de vinil, onde ouvíamos Waldir Calmon, Ray Connif, Românticos de Cuba,  Billy Vaughan, Bienvenido Granda. Bons tempos.

Um abraço aos alvinopolenses.

 

José Silvério de Carvalho (Vidrilho)

Contato : alvinews14@gmail.com ou (31) 3495-2300