Casos do futebol de Alvinópolis.

Um Futebol Diferente

Década de 60

Os demônios da Garoa

 

José Silvério de Carvalho

 

Parte do grupo Demônios da Garôa - 1965

Muado, Tutuca, Vidrilho, Tataia, Serrão, Mario Santiago e Antonio.

Agachados : Bené Classe, Edson, Zeca do Correio, Joel e Paulo César.

 

No ano de 1965, estava eu estudando no Colégio Prof. Cândido Gomes, que funcionava naquela época, provisoriamente, na antiga Prefeitura Municipal, que ficava localizada abaixo da Igreja Matriz.

Naquele local tive a idéia de fazer algo diferente para nossa diversão.

A idéia era formar um um grupo de atletas, que poderiam ser jovens ou veteranos, para a prática de futebol num horário muito estranho e diferente, às 5 horas da manhã.

Passei a idéia para 10 amigos e eles aprovaram.

Seria um grupo de 40 pessoas, que iriam realizar uma pequena contribuição mensal que seria destinada para os custos com material, bola, apito, camisas,etc.

Preparei então um documento bem explicativo com 40 vagas, onde estariam os detalhes de todo o projeto.

 

Assim comecei a procurar os candidatos.

De imediato já dizia pra eles :

- Leia atentamente as regras do grupo e se for um “cabra macho”, assina e junte-se a nós.

Alguns “pipocaram” mas conseguimos a adesão dos 40 atletas que pretendíamos.

Estava formado o time dos “Demônios da Garoa”.

Os jogos seriam no campo do Alvinopolense, gentilmente cedido na época pela diretoria.

O horário seria das 05:30 às 07:30 da manhã.

A bola rolava às terças e quintas-feiras, sendo que dificilmente faltava alguém.

Antes das partidas, os participantes eram mesclados entre jovens e veteranos, torcedores do Alvinopolense e Industrial, para evitar qualquer tipo de confusão.

Vamos citar alguns nomes dos “Malucos  por futebol” de Alvinópolis :

- Vidrilho, Bené Classe, Dadico, Comodoro, José Carlos Barros, Léte, Binha, Zózimo, Duducho, Humberto, Teodoro, Zeca do Correio, Jadir, Zé Alvarenga, Mario Santiago, Paulo César, Antônio de Niquinho, Zé Gealdo, Catatau, Tataia, Serrão e Tutuca.

 

O placar das peladas era incrível. 21 a 20, 18 a 17, 26 a 25.

Não havia impedimento e os times eram formados no par ou ímpar com a participação de todos, ou seja, 20 jogadores pra cada lado.

 

Até às 7 da manhã, se a pelada estivesse empatada, combinávamos o gol de ouro.

Às vezes até apostávamos uma caixa de cerveja, que vencedores e vencidos tomariam juntos.

Uma promoção muito interessante e que agradava a todos era que a cada 2 meses, a gente fazia um jantar dançante na sede do Alvinopolense.

Fazíamos a reserva do clube de preferência para um sábado, onde a participação das esposas, noivas e namoradas era obrigatória.

Contratávamos duas cozinheiras e uma faxineira, para deixar o clube no ponto.

O menu era sempre lombo assado, arroz de forno, salada e torta de sobremesa.

O jantar era servido entre 21 e 23 horas.

Após o jantar, hora dançante ao som do famoso disco de vinil.

Ouvíamos Ray Connif, Billy Vaughan, Românticos de Cuba, Waldir Calmon, isso tudo sem hora pra acabar.

Espero que o conteúdo deste texto venha  a despertar o interesse de alguns “Malucos por futebol” e que revivam o que fizemos há 40 anos.

Se quiserem mudar o nome do grupo de peladeiros, vai aqui a minha sugestão :

- “Anjos da madrugada”.

 

Um abraço a todos alvinopolenses.

José Silvério de Carvalho (Vidrilho)

Contato : alvinews14@gmail.com ou (31) 3495-2300