INDUSTRIAL  SPORT CLUB

Tradição Azul e Branca

 

Dos anos 30 aos anos 90

 

Parte 2

 

 

José Silvério de Carvalho e Gjunior

 

 

 

Jogos memoráveis anos 50

 

Final dos Anos 50

Em Pé: Sô Neco (Treinador), Alaim, Ary, Zé Piloto, Cid, Tito, Rafael, Carlim Carvalho.
Agachados:
Zezé Juquinha, Zé de Zé Lúcio, Renato, Moreninho, Helio Euclides, Zé Geraldo Teixeira.

Foto : Mauro Sérvulo

 

Em 1º de Maio de 1959, o ISC  recebeu a visita do Minas Futebol Clube, de Nova Era, outra grande equipe da região. O Industrial deu azar, pois não pôde   contar com nenhum  de seus grandes goleiros, precisando escalar um reserva.  O Minas F.C.  se aproveitou e fez  4 x 2 , comandados por Sudan, um dos maiores jogadores que pisaram  os gramados de Alvinópolis.

Quinze dias depois, o Industrial  foi a Nova Era  pagar a visita ao Minas. Com uma atuação de gala, surpreendeu a equipe de Nova Era, aplicando-lhe uma goleada de  4  x  1 , com Vaquinha fechando o gol. Destaque para grandes atuações de Raul, Tião, Ary de Caetanin, Renato Neves, Zé Martins, Moreninho e Cia.

 

 

Jogos memoráveis anos 70

 

 

Anos 70.

O Industrial enfrentou a equipe profissional do Atlético Mineiro.

Da esquerda para a direita.

Em Pé:  Chico, Orlando, Sabará, Climaldo, Edson, Cláudio, Humberto Ramos, Roberto, Tim, Romeu, Adilson, Bacalhau, Vigilian

Agachados: Ademir, Ary, Cutia, Geraldo, Zito, Padre, Doca, Juca, Hélio, Bené, Moreira, Tião.

Foto : Arquivo Ênio Alvernaz

 

 

O jogo do título da liga da LERP de 1979.

 

Outro jogo inesquecível foi a final do Campeonato da Liga Esportiva de Rio Piracicaba de 1979.

Na final estavam o Industrial e o Sport de Dom Silvério.

Nos dois primeiros jogos da final, 2 empates, um em cada cidade.

A decisão foi para o terceiro jogo em campo neutro, na sede da Liga, em Rio Piracicaba.

Nivinho Carvalho, atacante do ISC, lembra bem desta partida.

Segundo ele, num jogo muito difícil, o Industrial saiu na frente com um gol de Bené.

O Sport empatou.

O jogo foi muito nervoso, com as duas equipes jogando duro.

Ao final do tempo normal, permaneceu o empate.

Conforme o regulamento da época, prorrogação e pênalties seriam as próximas etapas.

Na prorrogação, logo no início, gol do Sport.

O Industrial partiu com tudo e num lance com o volante Índio do Sport, Nivinho cortou o supercílio, foi atendido, e voltou para a partida.

No finalzinho do segundo tempo, num cruzamento de Tiririca, Vantuil raspou de cabeça e levou o jogo para os pênalties.

Numa tarde inspirada, Tiãozinho defendeu 3 pênalties e decidiu o jogo para o Industrial.

 

Ao lado de Raul Plasman, ex-goleiro do Cruzeiro,

o herói da final de 1979, o goleiro Tiãozinho.

Foto : Mauro Sérvulo

 

 

Equipe campeão de Liga de Rio Piracicaba em 1979.

Nessa foto o jogo da entrega das faixas.

A grande final disputada com o Sport de Dom Silvério.

Em pé : Dairin (Técnico), Tiãozinho, Laércio, Cosme, Vantuil, Branco, Zé Resende, Jorginho, Moreira.

Agachados : Bené, Tiririca, Didi, Linha, Piniquim, Nivin, Ênio, Zezé Juquinha.

Foto: Mauro Sérvulo

 

 

Foi uma festa geral na cidade, uma tarde realmente marcante.

Após o jogo, os jogadores comemoraram na sede do clube.

Veja algumas fotos.

 

Na foto a torcedora símbolo do Industrial, Detinha, com o troféu do título do Industrial de 1979. Ela é mãe  dos jogadores Cosme, Jorginho e Marquinhos. Na foto carrega o Cristiano Simões, ao lado seu irmão Luciano.

Foto do acervo pessoal do Cosme.

 

 

Comemoração do título de 1979.

Zé Rezende, Detinha, Cosme, Nivinho, Zezé Juquinha e Tiririca.

Foto: Acervo pessoal do Cosme.

 

Comemoração do título de 1979.

Em pé: Tiririca, Wantuil, Jorginho, Cosme, Detinha, Afonso.

Sentados : Branco, Zé Rezende, Ciro, Marquinhos.

Foto: Acervo pessoal do Cosme.

 

Dairim, Zezé Juquinha, Afonso e Ademir.

Foto: Acervo pessoal do Cosme.

 

 

Jogos memoráveis anos 80

 

Em 1985, no Campeonato da Zona da Mata, aconteceram jogos inesquecíveis do Industrial. Naquela época, eu tinha 12 anos e sempre ia nos jogos, acompanhado por pai (Magela), Ary, Rossine e Bené, que jogava de ponta esquerda no time. A cada final de semana a gente ia num carro, já que as estradas, na sua maioria, eram de terra.

Um dos jogos que mais me marcaram, apesar da pouca idade, foi um mata mata contra a equipe do América de Amparo do Serra.

Na primeira partida, em Alvinópolis, o Industrial venceu por 1 a 0, gol polêmico do Cosme, ajeitando a bola marotamente com a mão.

No jogo de volta, em Amparo do Serra, foram 2 ônibus de Alvinópolis. Nós também fomos, como de costume.

Chegando a cidade um verdadeiro clima de guerra. Foi uma partida muito difícil, sendo que logo no primeiro tempo, um penalty caseiro foi marcado e a equipe da casa saiu na frente. Todo o segundo tempo foi de pressão do Industrial, mas nada passava pelo Leôncio, grande goleiro da região de Ponte Nova.

No finalzinho do jogo,  numa jogada do Piniquinho, penalty para o Industrial.

Nós da torcida, que já estávamos sendo alvejados por mamuchas de laranja, saindo de fininho, voltamos com força total.

Maroca, reforço azul trazido por meu tio Afonso de Monlevade, bateu com categoria, empatando a partida e decretando a classificação azul.

Foi uma festa geral, no campo e depois no retorno pra Alvinópolis.

Mais uma etapa difícil vencida pelo Industrial.

 

 

Time Campeão da Liga Regional da Zona da Mata de 1985.

Em pé: Aluízio (Diretor), Sabará, Laércio, Didi, Maroca, Jorginho, Nequinha, Tó(Massagista).

Agachados : Dairim (Treinador), André, Luiz, Piniquinho, Cosme e Carlinhos.

Foto: Acervo pessoal do Cosme.

 

Já para o Cosme, centroavante daquele timaço de 1985, o jogo inesquecível foi contra o Independente em Guaraciaba.

Num campo pequeno e lotado, uma buzina de caminhão ficava tocando o tempo todo, ligada num compressor. Ao mesmo tempo muitos foguetes, formando um verdadeiro caldeirão.

No início do jogo o Juventus saiu na frente.

Ainda no primeiro tempo, num escanteio, um bate rebate na área, o zagueiro Jorginho, irmão de Cosme, e que formou uma grande dupla de zaga com Luiz Bocão, empatou num forte chute de "sem pulo". Um gol muito importante no triangular final, que foi decisivo para o título do Industrial.

Para registrar esse momento, conseguimos no acervo pessoal do Cosme a foto abaixo, que mostra o momento exato do gol do Industrial, onde Jorginho vibra com a camisa 2. Didi com a 11 e Maroca com a 10 comemoram junto.

Momento pra ficar marcado na história do clube.

 

Industrial 1  x  1Juventus em Guaraciaba - 1985

Triangular final do campeonato.

Momento do gol de empate, marcado pelo Jorginho.

Foto do arquivo pessoal do Cosme.

 

 

A maior conquista

 Campeão da Zona da Mata de 1985

 

 

Jornal de Ponte Nova – Ano 4 – Número 141

18 a 24/01/86.

 

Um dos feitos mais brilhantes do Industrial foi em 1985, com a conquista do Campeonato da Zona da Mata, reunindo equipes de Ponte Nova, Mariana, Ouro Preto, Viçosa, Guaraciaba, Amparo do Serra, Abre Campo, Urucânia, Jatiboca, dentre outras.

 

Vejam como ficou a classificação deste Campeonato e os times participantes.

 

Regional 85 – Classificação Final

 

Industrial 28 pontos.

Juventus de Guaraciaba 25

1º de Maio de Ponte Nova 24

Atlético de Viçosa , Aluminas de Ouro Preto 22

Jatiboca 19

Grêmio de Urucânia 18

Abrecampo 17

América do Serra 15

Gramense 13

Santacruzense 13

Ferrense 12

Palmeirense 11

Barralonguense, Serriocasquense, Anna Florência  9

Saudense e Operário Rio Doce 8

Independente  e Operário Raul Soares 7

Municipal 1

 

 

A campanha

 

Para ser campeão a equipe disputou 22 partidas, incluindo as do 1º de Maio **.

Obteve 11 empates, 10 vitórias e 1 derrota, que pode ser contestada.

Seu ataque foi o mais positivo, marcou 45 gols. Sua zaga levou 18 gols, o que dá um saldo de 27.

Acumulou 31 pontos ganhos (2 pontos por vitória) e 13 perdidos, tendo ainda o artilheiro da competição, Piniquinho com 12 gols e Cosme em terceiro, com 10 gols.

O vice artilheiro foi Edmilson com 11 gols.

Uma campanha digna do Supercampeão de 85/86.

 

1º Fase

Gramense ( 1x1, 2x2)

Grêmio de Urucânia ( 1x1, 1x1)

Abre Campo ( 1x1, 2x2)

Operário Rio Doce ( 7x0, 1x0)

Municipal de Ponte Nova (5x0, 3x0)

Palmeirense (2x1, 2x3)

 

2º Fase

Jatiboca (1x1, 2x0)

América do Serra (1x0,1x1)

 

3º Fase

Juventus (1x1,1x1)

Aluminas (4x1,4x0)

Primeiro de Maio (2x1,0x0)

(Fonte : Jornal de Ponte Nova).

 

(** No triangular final, estavam classificados o Industrial, o Juventus e o  1º de Maio. O Aluminas entrou na justiça e conquistou no tapetão a vaga do 1º de Maio, mesmo com o triangular em andamento. Após 20 dias parado, o campeonato retornou com o Aluminas enfrentando o Juventus e o Industrial. Com um empate entre Juventus e Aluminas, o Industrial venceu as 2 partidas e se sagrou campeão. O detalhe importante é uma das partidas mais difíceis para o Industrial foi o empate de 0x0 com o Primeiro de Maio, que foi uma verdadeira guerra em Ponte Nova, com expulsões e a torcida atirando pedras nos torcedores celestes.)

 

O time titular é formado por Nequinha, Laércio, Jorginho, Luiz Bocão e Sabará.

André, Maroca, Piniquinho e Didi/Tina. Carlinhos Bezerra e Cosme.

O treinador era o Adairinho.

 

 

Abaixo transcrevemos a contracapa do Jornal de Ponte Nova – Ano 4 – Número 141

18 a 24/01/86, com todos os detalhes da conquista deste inesquecível título

 

O grande campeão do futebol regional

 

Industrial no jogo contra o Primeiro de Maio em Ponte Nova pelo triangular decisivo do campeonato.

Em pé : Adairim (treinador), Nequinha, Jorginho, Maroca, Didi, Laércio, Bené, Melão, Branco e Tião de Bibica.

Agachados : Sabará, Tina, Luiz, Cosme, André, Marquinhos, Piniquinho, Ênio e Carlinhos.

Foto do acervo pessoal do Cosme.

 

Depois de uma campanha memorável, mostrando incrível estrutura dentro e fora dos gramados, o Industrial de Alvinópolis fez renascer a alegria do futebol-competição, aliando ingredientes indispensáveis para encher os olhos dos torcedores, como força e criatividade, até suplantar 20 equipes de diversas cidades da região e levar o cetro máximo do futebol regional para sua bela cidade.

 

            Do goleiro aos reservas, da torcida aos dirigentes, o Industrial apresentou no regional promovido pela LMD de Ponte Nova indiscutíveis méritos para conquistar o título, desde sua bela presença na primeira fase até a goleada histórica sobre o Aluminas de Ouro Preto na grande final, pelo marcador de 4 a 0.

            Mais que isto : o Industrial trouxe, com sua notável participação, novo alento e novas esperanças de uma retomada do crescimento deste esporte que fascina os brasileiros, e que andava tão decadente na região.

            Acrescente-se a isto tudo, a perfeita sincronia existente entre o clube e a Cia. Fabril Mascarenhas, que emprega 90% dos atletas da equipe, repassando ao clube, através de sua associação de empregados, recursos necessários a manutenção do estádio, quadras e materiais esportivos, evidenciando que é importante, até fundamental, a participação da iniciativa privada no apoio e estímulo ao esporte.

            Ao inserir nesta página matérias que mostram um pouco do que é o Industrial e de quem são seus atletas, dirigentes e colaboradores, o Jornal de Ponte Nova abre espaço para cumprimentar um a um dos alvinopolenses pela conquista e, acima de tudo, pelas lições de garra, organização, criatividade e amor ao esporte.

 

 

O técnico dá a receita para ser campeão

 

Adairinho, treinador campeão de 1985.

Foto do Jornal de Ponte Nova

 

“Disciplina em primeiro lugar”.

“Gosto de jogar fechado, partindo em contra ataques pois mantenho à frente apenas um centroavante e um ponteiro... a sequência de jogadas que me aponta qual ponteiro devo recuar.”

Estes são alguns dos pontos da filosofia de trabalho do treinador campeão do Industrial, Adair Carvalho de Figueiredo, de 49 anos, nascido em Alvinópolis que, recebendo a reportagem do JPN em sua bela residência com muita cordialidade, trouxe-nos pouco depois uma grande caixa contendo fotos, faixas, medalhas e recortes que marcaram a vida deste herói anônimo do futebol interiorano, cuja capital regional hoje é Alvinópolis, pela conquista brilhante do Industrial.

 

Adair, que tem preferência por Ênio Andrade para dirigir a seleção brasileira, é um colecionador nato de títulos e teve grande passagem na região como atleta.

Ele considera como partida mais difícil a contra o Juventus (1 x 1), em casa, por questões de arbitragem.

Considera também que a partir da partida contra o Jatiboca, quando a equipe chegou ao ápice da  preparação física e técnica, tínhamos certeza de que chegaríamos a final.

Entre um cafezinho delicioso e um bom papo com o Aluízio, gerente geral da Fabril, Adair contou como preparou inversões de jogadas, com Cosme caindo pelas pontas, ou o ataque maciço com cinco atletas quando a situação assim o permitia ou o jogo da paciência, em contra ataques.

            Adair, calmo, firme e decidido, recebe aqui as homenagens do JPN como um dos grandes artífices da vitória límpida e cristalina do Industrial, que em todo o torneio, com 27 equipes, teve apenas uma derrota.

 

Vejam também clicando no nome em destaque, a primeira entrevista do Alvinews, com o grande treinador Adair Carvalho de Figueiredo, o famoso Adairim, o treinador mais vitorioso do futebol Alvinopolense.

 

 

Piniquinho e Cosme

Craques que comandaram o Industrial em 85.

Foto do acervo pessoal do Cosme.

 

 

Conheça um pouco daqueles que trabalharam pelo sucesso do time de Alvinópolis.

 

Falar do Industrial sem mencionar a Cia Fabril Mascarenhas é impossível,   porque a história do clube e da empresa se confundem.

Da mesma maneira que a Fabril é responsável por 80% do ICM recolhido pela municipalidade, originário da atividade da fábrica, é a companhia que tem uma folha de pagamento mensal de 900 milhões de cruzeiros, e um faturamento mensal de 15 bilhões de cruzeiros, a empresa que emprega 90% dos atletas do clube campeão, oferecendo-lhes dependências físicas e condições psicológicas para uma dedicação plena a prática sadia do esporte.

 

            Aluízio Rodrigues, gerente geral da Fabril, conta entretanto que não se pagou um centavo a qualquer atleta, já que ainda impera o amor à camisa, a garra e vontade de lutar.

 

            A Cia Fabril Mascarenhas, que nasceu na “Freguesia de Paulo Moreira”(Hoje Alvinópolis) a 14 de junho de 1887 – portanto preparando-se para comemorar no próximo ano o seu centenário – teve como primeira razão social “Companhia Industrial Paulo Moreirense”. Era, pouco antes, a Fábrica de Tecidos do Rio do Peixe, sempre, com atividades relacionadas a tecelagem do algodão.

 

            Hoje, com a diretoria formada pelo Presidente Dr. Fábio Vieira Marques; Júlio A. Mascarenhas (Diretor Executivo); Reinaldo Monferrari (Diretor Comercial) e Dr. Renato Vieira Marques (Diretor Financeiro), a Cia Fabril Mascarenhas consome nada menos que 250 toneladas de algodão/mês, produzindo tecidos de primeiríssima qualidade que são comercializados para o país e para o exterior, gerando a empresa 1.200 empregos diretos (800 na fábrica e o restante em mais duas empresas do grupo em Araçaí, Belo Horizonte e na “Fazendinha”, em Curvelo, onde 80 mil litros de leite/mês são entregues a Cooperativa de Curvelo.

            O presidente do Industrial, Athos, Junto do vice Aluízio, passaram a enumerar também as pessoas e entidades outras que trabalharam com o clube nesta conquista.

            Além da Fábrica jamais poderíamos esquecer da Prefeitura Municipal, através do Prefeito Adair Alves Rolla, da Spedicar (João Monlevade), da Inpal – Indústria Química (RJ) e da Quiminas (BH).

            Tanto Aluízio como Athos, além de Paulo Andrade e Laércio foram unânimes em apontar o imprescindível apoio da comunidade alvinopolense como fator de destaque na conquista do Industrial.

            Segundo os dirigentes do clube, a cidade se uniu em torno do Industrial apoiando decisivamente de todas as formas, desde o carinho da torcida à confecção de bandeiras e aos aplausos ao apoio material, já que o comércio local não deixou que o clube gastasse nem com bolas.

            Eles enalteceram o esforço da Liga Municipal de Desportos, citando especialmente o trabalho do Dr. Décio, Dr. Wandeir e Angelino Cardoso.

 

 

A história e as glórias do Industrial

 

Prestes a completar 50 anos, o Industrial leva para a cidade de Alvinópolis o orgulhoso título de capital do futebol regional.

            O clube, que nasceu com sob o estigma do integralismo da década de 30 carregando o nome de “Anauê”, chamou-se pouco depois Operário para assumir definitivamente o nome de Industrial no dia 1º de maio de 1938, quando vinculou-se a Cia Fabril Mascarenhas, portentosa indústria têxtil do município alvinopolense.

Seu primeiro presidente foi o Dr. Luiz Álvares da Silva, e nascia ali a gloriosa caminhada do alvi-celeste.

            Conta o secretário do clube, funcionário da Fabril, Paulo Gonçalves Andrade, que a equipe nos primeiros anos de fundação limitava-se a promover a integração pelo esporte e á realização de amistosos, mesmo porque não existiam entidades que promovessem os torneios.

            Mais à frente – diz Paulo – o clube conseguiu feitos memoráveis, como o tetra-campeonato promovido pela Liga de Piracicaba. Lembra também de um jogo duríssimo do time contra o Renascença, onde foi vencido por 1 a 0 no finalzinho, time que, poucos dias antes, ganhara a Taça Belo Horizonte em cima do Atlético. Para se ter uma idéia da força do Renascença, uma semana depois a equipe foi ao Rio e goleou o irresistível Flamengo.

            Paulo Andrade lembrou também grandes nomes que atuaram na equipe, como Nestor, Diogo, Quinzinho, Waldir, Zé Lúcio, Zé Padeiro (tio do Morais que jogou no Cruzeiro) e tantos outros que pintaram de vitórias e glórias a história do clube que, hoje, bem estruturado, sobrevive graças aos repasses de verba da Associação de Funcionários da Fabril e contribuições de associados, possuindo uma excelente sede social à Praça São Sebastião, construída pelo esforço do próprio clube e reformada pela Fabril Mascarenhas, uma praça de esportes e o estádio Paulo Mascarenhas, tendo ainda um quadro de cerca de 300 associados, 50% destes funcionários da indústria têxtil.

            As grandes datas comemoradas pelo clube são 1 de janeiro, 1 de maio (fundação), 7 de outubro(Festa da Padroeira) e o carnaval.

           

A atual diretoria do clube é esta (1985) :

Presidente : Athos França Simões;

Vice- Presidente, Aluízio Antônio A. Rodrigues; Secretário: Paulo Gonçalves Andrade.

Diretor de futebol : José da Conceição Carvalho (ex-atleta);

Tesoureiro : Laércio Cota

Diretor Social : Cosme Damião Chaves

 

Time campeão de 1985.

Estádio Paulo Mascarenhas.

Em pé : Melão, Sabará, Laércio, Didi, Maroca, Jorginho, Nequinha, Cosme e Tó (Massagista).

Agachados : Adairim, Luiz, André, Carlinhos, Piniquinho, Marquinhos, Tina e Bené.

Foto do acervo pessoal do Cosme.

 

Estes são os craques campeões do Industrial de Alvinópolis.

 

Piniquim – Apontado pela crônica esportiva como o grande craque do torneio, Geraldo Euclides Martins, de 27 anos, casado, armador, além de ser artilheiro do regional da LMD com 12 gols, orgulha-se também de ser bicampeão, já que atuou ano passado pelo Santacruzense. Ele é funcionário da Fabril, nas funções de Encarregado de Produção. É natural de Alvinópolis.

 

Luiz – Luiz Henrique Carvalho, de 27 anos, casado, natural de Alvinópolis, zagueiro. Atuou em todas as partidas e se tornou Bicampeão, pois em 84 ganhou o título do regional pela Santacruzense. É comerciante.

 

Jorginho – Antônio Jorge Chaves tem 26 anos, é natural de Alvinópolis e solteiro. Zagueiro e capitão da equipe, ele é formado em Ciências Contábeis pela FACCO, de Ponte Nova, e trabalha no Bradesco.

 

Maroca – Mauro da Silva, armador de 28 anos, casado, também é natural de Alvinópolis. Ele é técnico em eletricidade e trabalha na Belgo Mineira, na cidade de João Monlevade.

 

Cosme – Vice artilheiro da equipe, com 10 gols, Cosme Damião Chaves, professor de Educação Física de 28 anos, sagrou também Bicampeão. Ano passado ele foi o autor do gol que deu o título ao Santacruzense. Cosme é natural de Alvinópolis e formou-se pela UFV, em Viçosa.

 

Didi – O armador Sebastião Cotta Alvernaz, de 23 anos, natural de Alvinópolis, é quartanista de medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais em BH.

 

Dito – Rafael Cotta Andrade, o Dito, tem 25 anos, é solteiro, atacante e natural de Alvinópolis, onde é comerciante.

 

Wantuil – 33 anos, casado, armador, Wantuil Antonio dos Santos, que é professor de Educação Física é um dos poucos do elenco que não é natural de Alvinópolis. Ele nasceu em BH.

 

Nequinha – Manoel Tenório Filho tem 25 anos, é natural de Itabira e residente em Alvinópolis. Goleiro, atuou em todas as partidas do campeonato. Foi também campeão ano passado pelo Santacruzense. Ele é funcionário da Fabril, nas funções de contra mestre de tecelagem.

 

Melão – Leonel Cotta, de 24 anos, é goleiro, solteiro e natural de Alvinópolis. Fazendeiro, é também funcionário da Fabril, sendo contra mestre de tecelagem. É técnico em contabilidade.

 

Laércio – O lateral direito Laércio Cotta tem 27 anos é casado e natural de Alvinópolis. Fazendeiro, é também funcionário da Fabril, ocupando as funções de Almoxarife.

 

Sabará – Geraldo Gonçalves dos Santos tem 34 anos, é solteiro e atual nas duas laterais. É natural de Alvinópolis e trabalha na Fabril como Auxiliar do depósito de fibras.

 

André – André José de Andrade tem apenas 20 anos, é solteiro, natural de Alvinópolis e joga no meio campo. Trabalha na Fabril como Auxiliar de manutenção mecânica.

 

Tina – Vicente Santana de Lima tem 22 anos, atua na ponta direita e é natural de Alvinópolis. É funcionário da Fabril onde trabalha como Auxiliar de manutenção.

 

Reginaldo – Reginaldo Raimundo Pena  tem 18 anos  e é um dos mais novos da equipe. È zagueiro natural de Santa Bárbara e trabalha na Fabril. Foi aprovado recentemente em vestibular na Escola Técnica do SENAI no Rio de Janeiro, para onde seguirá nos próximos dias.

 

Ênio – Enio José Fialho, tem 24 anos, é natural de Alvinópolis, solteiro e atua na zaga. Técnico em contabilidade, é funcionário da Fabril, atuando como contra mestre.

 

Zé Resende – José Rezende de Faria tem 32 anos, é casado, natural de Alvinópolis e atua de lateral esquerdo. É técnico em contabilidade e funcionário da Fabril, onde atua como Caixa. Este foi seu último torneio como atleta.

 

Juca – José Carlos Bento tem 38 anos, é casado e o mais velho do time. O armador, que é funcionário da Fabril como encarregado de produção, encerrou a carreira com este título.

 

A rural Campeã passeou pelas ruas da cidade com o troféu.

Foto : Acervo pessoal do Cosme.

 

Marquinhos – Marcos Valério Chaves tem 22 anos, é solteiro, irmão do atacante Cosme e do zagueiro Jorginho, o atacante é natural de Alvinópolis, onde trabalha na Fabril.

Também vai para o Rio, estudar na escola técnica do SENAI.

 

Waltinho – Walter Luiz Pereira tem 21 anos, é solteiro e natural de Alvinópolis. O lateral também trabalha na Fabril, onde é contra mestre de tecelagem. É técnico em contabilidade.

 

Branco – José da Conceição Carvalho tem 35 anos, é casado e atuou na primeiras partidas na zaga do Industrial. Em meio a campeonato deixou os gramados e assumiu o posto de Diretor Esportivo. Trabalha na Fabril na Estamparia. Esse Alvinopolense era capitão do time antes do Jorginho.

 

Nô – Jésus Martins da Silva tem 22 anos e nasceu em Alvinópolis. È irmão do armador Piniquim. Trabalha na Fabril como auxiliar de manutenção.

 

Ronaldo –  Ronaldo José dos Santos, alvinopolense de 22 anos é armador. È técnico em contabilidade e trabalha na Fabril como auxiliar de escritório.

 

Carlinhos – Carlos Alberto Alves tem 19 anos, é solteiro e nasceu em Alvinópolis. Ponteiro direito, é estreante em competições, pois somente jogava o futebol de várzea. Pela primeira vez calçou chuteiras e foi campeão. É uma das grandes revelações do futebol do Industrial. Também trabalha na Fabril.

 

Técnico – Adair Carvalho de Figueiredo – Veja matéria a parte.

 

Massagistas – Antônio Miranda Mendes e José Ianarelli de Carvalho.

 

Símbolo da torcida – A Sra. Odete Crepaldi Chaves, mãe dos atletas Jorginho, Cosme e Marquinhos, ganhou o troféu de torcedora número um, ofertado pelo presidente da Carpe, Aloísio Vasconcelos.

 

 

A era do Rádio - Rádio Visão de Ponte Nova


No Campeonato da Zona da Mata de 85, um fato que realmente marcou a todos eram as transmissões dos jogos do Industrial pela Rádio Visão de Ponte Nova.
Os jornalistas Marcos Dias e Luiz Quirino realizaram um trabalho muito bacana, que deixava a cidade ligada, principalmente nos jogos das fases finais.
Foi um marco para o esporte alvinopolense ouvir os atletas do Industrial dando entrevistas, tal como os times profissionais.
Na semana seguinte aos jogos, era aquela repercussão na cidade, comentando os resultados, comentários e entrevistas sobre o Industrial.

 

 

Jornal de Ponte Nova – 11 a 17 de janeiro de 1986

Manchete Esportiva :

Alvinópolis festeja na chuva : Industrial é Campeão com goleada.

 

 

 

O forte temporal que caiu sobre a cidade, quando faltavam cinco minutos para o fim do jogo Industrial 4 x 0 Alumina, foi mais um motivo para que os milhares de torcedores continuassem os gritos de “Campeão” até o fim da partida, quando o campo foi invadido e os atletas campeões foram carregados em meio a uma euforia indescritível. Depois de uma maratona de mais de meio semestre, o Campeonato Regional de Futebol,  promovido pela Liga Municipal de Desportos de Ponte Nova, chegou ao fim em 5 de dezembro com o presidente Décio de Abreu e Silva convidando os deputados Domingos Lanna e José Santana a entregarem a taça de mais de meio metro ao capitão Jorginho do Industrial.

O jogo foi cercado de expectativas, porque bastava um empate para a realização de uma outra partida, agora entre Industrial e Juventus, para decidir o título. Se o Aluminas vencesse, o Juventus seria o campeão. Mas, jogando em casa, o Industrial só perdeu o meio de campo nos primeiros vinte minutos da partida. Aos 28 minutos, o bandeirinha Narciso Carlos Siqueira acusou impedimento de Cosme e o juiz Estáquio baião anulou o que seria o primeiro gol do jogo. O time da casa cresceu, mas o Aluminas ainda conseguiu marcar, através de Wilson, já aos 38 minutos, só que o juiz marcou impedimento do ataque de Ouro Preto. Um minuto depois, um bom ataque do Industrial : Piniquim chutou na trave e no rebote, Maroca marcou, sem chances de defesa para o goleiro Camilo.

            No segundo tempo, o Aluminas ensaiou nova pressão, mas já aos 11 minutos, Piniquim fez um golaço, recebendo um passe preciso de Cosme; 2 x 0. Aos 26 minutos, Carlinhos arrancou da intermediária, tocou para Piniquim, que deixou Cosme apenas com a tarefa de deslocar o goleiro para marcar o terceiro gol do Industrial. Mais seis minutos, num bate e rebate dentro da  área do Aluminas,  um defensor tocou a mão na bola : pênalty, bem cobrado por Piniquim, que fez seu 12° tento, sagrando-se artilheiro do campeonato. Com 4 a 0 no placar, o time da casa passou a tocar a bola aos gritos de “olé” da torcida.  Vários torcedores gritavam desesperados, para que o time não fizesse mais gols, relembrando o histórico placar de 4 a 0 frente ao Alvinopolense, rival da cidade. Aos 40 minutos o massagista Tó não resistiu e entrou em campo, sendo retirado pela polícia. Em seguida veio a chuva e o Industrial só ficou aguardando o apito final do árbitro Baião para iniciar a comemoração que varou a madrugada adentro.

 

 

Ficha técnica

Industrial : Técnico : Dairinho. Foi a campo com Nequinha, Jorginho, Luiz Henrique, Laércio e Sabará; André, Piniquim e Maroca; Carlinhos(Rafael), Cosme e Didi(Tina). Aluminas do técnico Elói. Foi a campo com Camilo (Gilmar), Márcio, Ronaldo, Paulo(Walmir) e Wilson; Petrônio, Fabinho e Ronaldo; Juventino, Adair e Joaquim. Juiz : José Eustáquio Baião, auxiliado por Narciso Carlos Siqueira e Pedro José Norberto.

Renda : CR$ 7.147.000.

 

Este título foi uma das maiores realizações do esporte alvinopolense.

 

No mês que vem continuaremos a relatar a brilhante história do Industrial.

Um grande abraço a todos os alvinopolenses.

 

José Silvério de Carvalho e Gjunior.

Contato : josesilverio.carvalho@gmail.com ou alvinews14@gmail.com