Impressões do Velho Continente

 

Zózimo Drumond

 

 

 

 

Amigos, em viagem recente  à Europa - (Turquia, Grécia, Itália) - trouxe anotações, folhetos, fotos (e memória) para agora eu tentar escrever alguns textos a respeito, como de vezes anteriores. Infelizmente é ínfimo o número de anotações em relação ao turbilhão de informações que nos são passadas.

Na melhor das intenções, tentei fazer o melhor que pude, relevem eventuais falhas.

Para não cansar muito vocês, dividi o conjunto em cinco textos aos quais dei os seguintes títulos:

- VIAGEM À TURQUIA

- CIDADE SUBTERRÂNEA NA CAPADÓCIA

- UMA COLINA SAGRADA

-GRÉCIA

-VOLTA À ITÁLIA


Neste mês, o primeiro texto sobre a Turquia. Na sequência os outros capítulos.

 

 

Viagem à Turquia

 

 

Igreja de Santa Sofia

 

"Signore e Signori:

Benvenuti all` Italia. Fra poche minuti scenderemo all` aeroporto di Roma. Allacciate le cinture di sicureza e lasciate le poltrone in posizione verticale.La temperatura esterna é di otto gradi. Fate attenzione de non dimenticare le borse a mano. L` Alitalia ringrazia la sua scelta"

 

 

Depois de um período de três anos sem ouvir este pronunciamento, estou em um avião que está prestes a aterrissar. Parecia um sonho, mas nos próximos minutos iria novamente pisar o solo da Europa.

A viagem foi tranqüila, sem atrasos, apesar de muito cansativa já que tivemos, em apenas uma jornada, que pegar três vôos - um de Confins a Guarulhos, outro de Guarulhos a Roma e outro de Roma a Istambul-Turquia, tudo isto sem considerarmos os chás de aeroporto. Despertamo-nos no sábado às 05:00 hs e eu (que definitivamente não durmo em avião), só fui "pregar" os olhos no domingo às 22:00 hs. Mas, já dizia alguém: "os fins justificam os meios". E como justificou!

 

Palácio Topkapi

 

 

Descemos em Roma e fizemos a conexão com outro vôo que nos levaria a Istambul. Assim, no dia 31-10 estávamos lá, iniciando com a visita ao Palácio Topkapi. Este palácio foi a principal residência dos sultões por 400 anos, formado por vários pavilhões em torno de quatro grandes pátios. Em 1924, tornou-se museu. Os objetos mais notáveis são os tronos incrustados de pedras preciosas, jóias, pratarias, armas, trajes imperiais e relíquias sagradas do Islã (mantos, espadas). Infelizmente não permitem fotografar essas riquezas, limitando a autorização para tal apenas nas áreas externas. Para se ter idéia da dimensão desse Palácio, consta que a sua cozinha tinha capacidade de atender até 30.000 comensais por dia. Naturalmente que esse número colossal seria o de atendimento de dias especiais como festas.

 

À tarde fizemos o passeio pelo estreito de Bósforo - de 25 km de comprimento - que divide Istambul em duas partes, uma européia e outra asiática, e une o mar Negro ao mar de Mármara. Nesse passeio pudemos ver os bairros antigos, a beleza dos novos, os palácios dos califas e as duas pontes com 64 metros de altura.

 

Estreito de Bósforo

 

 

No dia 01-11 visitamos Santa Sofia, construída no ano 530 pelo Imperador Justiniano, que queria erguer a maior catedral católica ortodoxa da época. Foi mesquita no século XV e a partir de 1935 tornou-se museu. Dentre os esplêndidos mosaicos bizantinos destaca-se um que mostra o Cristo entre o Imperador Constantino e sua mulher.

 

Fomos também à Mesquita Azul (a maior de Istambul), do Sultão Ahmet (1609). Possui seis minaretes (que é aquela torre próxima à mesquita). No seu interior predomina a cor azul. Em frente à mesquita está o obelisco do século XV a.C, vindo do templo de Amon em Karnak (Luxor - Egito) Neste mesmo dia fomos ao Gran Bazar, um mercado com mais de 400 lojas, um labirinto que tem de tudo. À noite fomos jantar na Torre de Gálata que outrora servia de vigia e controlava a passagem dos navios pelo Bósforo, agora transformada em restaurante de muita procura devido aos excelentes serviços de culinária, bem como, por estar privilegiadamente colocado naquela altura, oferece ao usuário uma vista panorâmica de 360 graus, de Istambul.

 

Mesquita Azul

 

 

Do dia 02-11 a 04-11 nosso roteiro constou Antioquia, Adana Tarso e Capadócia. Partimos a seguir para Hierápolis/Pamukkali. Foi um dia inteiro de viagem, com paradas periódicas para vermos atrações diversas. No fim do dia, ao instalarmo-nos no Hotel, tivemos a excelente notícia de que o mesmo era dotado de uma piscina térmica, na qual caíam duas duchas de água quente. Usamos e abusamos desse direito relaxante. No dia seguinte, após o café da manhã, fomos conhecer as termas de Pamukkali ou "Castelo de Algodão" assim chamado pois, já à distância é essa a impressão que se forma.Uma das mais belas paisagens da Turquia e, porque não dizer, do mundo.

 

Pamukkali

 

 

Vista por fotografias ou outros recursos similares, ou mesmo com a primeira presença da pessoa, tem-se a impressão que aquela montanha branca é nuvem, ou algodão ou neve, subtendendo tratar-se de ambiente macio, fofo e gelado. Mas não é. É muito sólido e quente. Aquele branco volumoso é formado por solidificação do calcite como acontece em nossas grutas de calcáreo, formando estalactites e estalagmites. A diferença é que ali o volume é muito maior e está ao ar livre. As águas termais com índice muito alto de cálcio emergem em temperaturas acima de 35 graus e formam cascatas naturais, refletindo um azul ou verde com efeitos muito bonitos.

 

É possível tomar um banho nas cascatas borbulhantes. Devido às qualidades terapêuticas dessas fontes, desde a antiguidade esse local era indicado como área de lazer e tratamento medicinal. Os romanos já viam em Hierápolis um local de cura e rejuvenescimento. Lá também se encontra a piscina onde a Cleópatra se banhava. Não existe no nosso planeta, em nenhum outro lugar, coisa igual.

 

Hierápolis

 

 

Concluímos nesta pequena passagem por lá que a Turquia está desenvolvida tecnológica, industrial e economicamente em níveis muito acima do que se divulga e, conseqüentemente do que temos notícia. Seu povo é simpático, comunicativo, alegre, bom de convívio, sente-se satisfeito em ser procurado para dar informações e procura fazê-lo da maneira mais eficiente e satisfatória possível. Alimentação farta, saborosa e sadia.

 

O idioma turco realmente foi para mim um obstáculo. Em viagens anteriores, em cujo país o idioma é oriundo do radical latino, apenas eu pedia o interlocutor para falar mais devagar e entendia tudo, ou quase tudo. No italiano: "Signore, per favore, parle più meno veloce"; no espanhol: " Por favor señor, habla despacio". Aí então fui obrigado a desenterrar meu velho inglês que, apesar de meio combalido, nunca me deixou na mão nessas horas.

 

Pois é meus amigos e amigas: isto é o que consegui compilar sobre a Turquia, aqui tentando fazer uma explanação geral.

 

Zózimo Drumond é alvinopolense e reside em Belo Horizonte.

Contato : zozimodrumond@yahoo.com.br

 

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