Impressões do Velho Continente

 

Um cruzeiro pelas ilhas gregas e Athenas

 

Zózimo Drumond

 

 

Depois de cumprirmos toda a programação elaborada para a Turquia, a próxima etapa foi um cruzeiro marítimo pelas ilhas gregas, que foi complementado com uma ida também a Athenas.

Após o café da manhã, saímos do Hotel em Kusadasi e pegamos um ônibus em direção ao Porto, para embarcarmos no navio que faria todo o percurso. Em mim existia uma curiosidade muito grande, pois já havia visto alguns navios, porém à distância, sem nunca haver entrado em um. Tudo bem. Chegamos ao Porto. Para iniciar, fizemos o "check-in" que se assemelha muito com o do avião, com pequena diferença quanto ao despacho das malas. Em seguida fomos em direção ao navio, até a porta de embarque. E quando menos espero, estava diante dele, aquele monstro com seus dez andares e um comprimento de 162 metros.

Nunca vi uma coisa móvel tão grande assim na minha frente, a uns cinco metros de mim. Quando tentei tirar sua primeira fotografia, recuei uns cinqüenta metros mas a abertura do ângulo de minha máquina não alcançava nem a metade de seu comprimento. Se eu recuasse mais, edificações próximas se interporiam a mim e a ele, acabando, assim, com o campo de visão. Então usei do recurso de fotografá-lo num ângulo em diagonal, conseguindo aproximar da realidade. Uma pessoa desavisada, que conseguisse vê-lo num recuo de, por exemplo, cem metros, pensaria tratar-se de um prédio de 10 andares com comprimento de um quarteirão, se não fosse o seu "nariz" afunilado, que caracteriza muito bem este tipo de embarcação.

Bem, aguardamos a hora de nele entrar. A rampa móvel de entrada estava no nível do seu terceiro andar. Entramos. Carpetes coloridos e muito bem limpos em todo aquele salão que de um lado estavam os quatro elevadores e do outro as escadarias com pisos também acarpetados e corrimãos e grades dourados. Subimos para conhecer nosso camarote e nele esperarmos as malas que seriam trazidas até as suas portas. Chegamos ao camarote e o abrimos. Não perdia em qualidade e conforto para nenhum apartamento de Hotel quatro ou cinco estrelas. Lá estavam, na entrada, à direita o armário (guarda-roupas), à esquerda o "toillet" completo, à frente a cama "king size", uma poltrona, um sofá e uma mesa de centro, o frigobar, a TV plasma, o ar condicionado, o cofre, etc., etc.

Porto de Kusadasi

Nesse momento correu a notícia de que as malas seriam entregues só dentro de 30 minutos. Não hesitei. Pegamos o elevador e logo estávamos no seu terraço. Dali tivemos a visão de vários navios ancorados próximo ao nosso, todos exageradamente grandes. A esta altura eu já tinha em mãos o quê que ele disponibilizava aos seus possíveis 1.200 passageiros: 480 camarotes de luxo, três restaurantes sendo um "à la carte" e outro "self service" no nono deck (nono andar) e outro "à la carte" no oitavo andar, este com mais luxo, uma piscina no terraço, biblioteca, sauna, sala de musculação, cassino, cinema, boate, salão de convenção para 500 pessoas, também usado para bailes, festas, "shows". Voltamos para o camarote. As horas estavam passando e já se aproximava do meio-dia, horário convencionado para, quem quisesse iniciar o almoço.

A essa altura, quase todas minhas curiosidade já estavam esclarecidas, restando uma que seria ver o "bicho" zarpar, para eu sentir como era seu balanço e o quanto eu iria me enjoar, coisa que sempre ouvi dizerem sobre viagem em navio. Deu 12:00 hs e ele zarpou. Nada de balanço. Pensei: vou dar um prazo maior até que ele pegue velocidade. Uma hora depois, nada de balanço. Resumindo, você só vê que ele está andando se chegar na janela pois vê o movimento da água que ele desloca. Em seu interior é como se ele estivesse parado. Avião balança mais do quê um navio. Acredito que embarcações menores sejam menos estáveis. Iniciamos, então, a visita às Ilhas Gregas.

Patmos

Patmos - Essa foi a primeira ilha a ser visitada. Ali viveu exilado São João Evangelista, por 18 meses. Visitamos a caverna onde ele se refugiava para orar e de onde ditou ao seu discípulo Próchoros, no ano 95, o Apocalipse (revelação). Lá se vê a pedra onde foram escritas as revelações e onde o santo tinha o hábito de apoiar a cabeça. Existe uma rocha com uma fenda onde São João ouvia a voz de Deus. Esta fenda é visível até hoje, é dividida em três, representando a S.S. Trindade.

Rhodes

Rhodes - Ilha cheia de belezas naturais bem como possuidora de uma arquitetura inigualável. A cidade antiga se encontra dentro das muralhas e onze portões dão acesso a ela. É considerada como uma das mais belas cidades fortificadas e é Patrimônio da Humanidade. O Colosso de Rhodes, uma das sete maravilhas do mundo antigo, era a estátua do Deus-sol, que ficava na entrada do Porto de Mandraki. Sucumbiu num terremoto.

Creta

Creta - é a maior ilha da Grécia. Em Creta fizemos um "tour" por Heraklion, capital da ilha e seguimos em direção às ruínas do Palácio de Knossos (1900 a.C.), conhecido na mitologia grega como o Palácio do Legendário Rei Minos, supostamente construído pelo arquiteto Dédalos. Este palácio era também conhecido como a Casa do Minotauro, figura legendária que, literalmente comia as pessoas que se perdiam no labirinto existente nos porões do palácio.

Resumo da Lenda: - Minos pede ao deus dos mares, Poseidon, para ser rei. Poseidon concorda desde que Minos sacrificasse um touro muito bonito que sairia do mar. Minos, impressionado com a beleza do touro, sacrifica outro touro qualquer, pensando que Poseidon não perceberia. Poseidon ficou irado e castigou o rei, fazendo com que sua esposa, Pasifae, se apaixonasse pelo touro bonito. Ela ficou grávida, nascendo o Minotauro com corpo de homem e cabeça e cauda de touro.

Com muito medo, Minos mandou o arquiteto Dédalo fazer um gigante labirinto no subsolo do palácio, para prender o animal. Após vencer guerra contra atenienses - que mataram Androceu, filho de Minos - o rei ordenou que todo ano fossem enviados de Athenas sete moças e sete rapazes que seriam devorados pelo Minotauro, dentro do labirinto. O herói grego Teseu apresentou-se voluntariamente para matar o animal.

Ariadne, filha de Mimos, apaixona-se pelo herói, lhe dá um novelo de lã para ele amarrar na entrada do labirinto e ir desenrolando a medida que andasse. Teseu, usando uma espada que ganhou de Ariadne, matou o Minotauro e conseguiu sair, seguindo o fio do novelo de lã.

Santorini

Santorini - A ilha mais linda da Grécia. É uma ilha vulcânica colonizada 3.000 a.C., entrou em erupção em 1.450 a.C., bipartiu-se, tomando a forma de uma lua crescente. Tinha o nome de Thira no século VIII a.C. e o nome de Santorini veio depois em homenagem à Santa Irene (Iríni, em grego). Santorini continua deslumbrante com suas vilas brancas penduradas nos penhascos vulcânicos. Quando a visitamos estava no entardecer e o efeito do resto da claridade natural do dia, misturado com a claridade das luzes artificiais nos postes e nas lojas, mais o efeito oriundo da pintura de suas casas em branco com tetos azuis, foi algo cinematográfico.

Como não há porto, para nela chegarmos tivemos que fazer conexão do navio com uma embarcação de pequeno porte até chegarmos ao pé da montanha. Daí para frente teríamos que subir, a pé, uma escada de 580 degraus, ou embarcarmos em lombos de mulas - que também subiam pela escada - ou por um teleférico. Optamos por este. Foi uma lástima que o tempo de visita a ela foi muito pequeno em relação ao que ela tem de bonito a ser visto. Diante de tanto envolvimento, de tanta distração, quando menos esperávamos o navio deu o primeiro apito advertindo sobre o tempo que se aproximava para o embarque. E quando ele dá o último apito, quem não chegou, chegasse.

Universidade de Athenas

Athenas - O navio nos deixou no Porto de Piraeus. Lá pegamos um ônibus que levou-nos à antiga cidade de Corinto na qual tivemos a oportunidade de visitar um museu arqueológico com um sem-número de relíquias gregas e romanas. Vimos o famoso Canal de Corinto, obra artificial iniciada por Nero no século I, ligando o mar Egeu ao Jônico, visando encurtar uns 400 km de distância entre os mares. A obra não foi para frente. No século XVII foi reiniciada, saindo do papel. O comprimento do canal passa de 6 km.

Acrópole Athenas

Após almoçarmos, no mesmo ônibus regressamos a Athenas, onde fizemos um "tour" pela cidade que é plana, muito expandida, tem, como em toda a Grécia a pintura das edificações, predominantemente em branco. Em censo recente registrou-se o número de 4 milhões de habitantes. Lá visitamos o Estádio Olímpico onde é acesa a tocha olímpica, por ocasião das olimpíadas. Em seguida fomos à Acrópole, na qual, no século V a.C, por iniciativa de Péricles, iniciaram-se várias construções dos Templos dos Deuses, destacando-se a mais famosa que é o Parthenon, o templo da Deusa Atena, protetora da cidade.

No dia seguinte estivemos também no Museu da Acrópole. No centro histórico, para se construir edificação nova, a autorização limita a sua altura, para não impedir a visão que se tem da Acrópole e do Parthenon.

 

Zózimo Drumond é alvinopolense e reside em Belo Horizonte.

Contato : zozimodrumond@yahoo.com.br

 

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