Impressões do Velho Continente

 

De volta à Itália

 

Zózimo Drumond

 

 

Finalmente chegamos à Itália, a etapa final da viagem.

Mais uma vez descemos em Roma. Apesar de já conhecidos, não há como não rever pontos turísticos como a Capela Sistina, o Museu do Vaticano, a Basílica de São Pedro, o Coliseu, a Praça de Navona, e outros, pois a cada nova vez que você estiver nesses locais, sempre terá oportunidade de receber novas informações.

 

Assim é que vi desta vez, na Basílica de São Pedro a estátua de Verônica, em mármore, com um véu superposto ao ombro e braço esquerdo, véu este de uma textura tão leve, deixando-nos a pergunta de como se conseguir aquela perfeição trabalhando com um material da dureza do mármore. A Verônica acudiu ao Cristo, secando e limpando seu rosto com uma toalha, quando de sua flagelação. Acima do nicho que está colocada essa estátua, existe um outro menor no qual se encontra a toalha - relíquia original.

 

Pietá - Basílica de São Pedro

 

Ali estão próximas entre si, as quatro principais relíquias da Basílica de São Pedro: a toalha já citada, o crânio de Santo André, fragmentos da Cruz de Cristo (original) e a lança que São Longuinho usou para ferir a Jesus, resultando em sangramento cujas algumas gotas caíram-lhe nos olhos, dando fim à sua cegueira.

 

Fontana de Trevi

 

Também não se pode deixar de ir à Fontana di Trevi, a mais bonita das muitas fontes que existem em Roma, não só para apreciar suas belezas, ouvir novas informações sobre ela e sua história e, principalmente, para, de costas para ela, com a mão direita, acima do ombro esquerdo, lançar uma moeda e ficar na expectativa de ser favorecido com os dois pedidos que você deve mentalizar, sendo um deles o de ali voltar algum dia. É uma simpatia mas, mas está dando certo até agora ... Mas quem vai a Roma, com certeza sempre verá coisa nova. Assim é que descobrimos que na Igreja de San Pietro in Vincoli está uma das maiores obras de Michelangelo Buonarotti: a estátua de Moisés.

 

 

Basílica de São Pedro

 

Até que enfim pude estar frente a ela. Foi uma encomenda feita pelo Papa Júlio II, que queria construir um mausoléu de dimensões nunca vistas até então. Encomendou 40 estátuas, sendo que três ficariam sob a responsabilidade de Michelangelo. Mas quando o escultor estava prestes a acabar a primeira - O Moisés - o papa faleceu, acabando, assim, o projeto. Depois de concluído o trabalho, artistas plásticos contemporâneos fizeram críticas sobre a estátua, alegando que ela estava estática, dando idéia de ausência de movimento. O escultor, que tinha confiança em suas qualidades (e podia ter mesmo) retrabalhou a sua obra, dando uma virada na cabeça, para a esquerda (onde antes estava a orelha passou a ser o lugar do nariz) e o Moisés, esculpido assentado, teve a coxa esquerda rebaixada em relação à direita e, de fato, a estátua passou, nessa nova condição a dar idéia de vida, de movimentação. O Michelangelo, extasiado com a beleza e perfeição da própria obra, em momento de alucinação, bateu com força o martelo em sua base, e exclamou: "Parla!" ( fala).

 

A escada Santa - Roma

 

A ESCADA SANTA

 

Antes da crucificação, Jesus teve que subir até o palácio de Pôncios Pilatus, para se submeter a interrogatório que culminaria com a sua condenação. Em seguida voltou do palácio para seguir para o calvário, ocasião em que foi apresentado à turba ululante com a expressão: "ECCE HOMO" - este é o homem . Para ir e voltar, Jesus usou uma escada de 28 degraus.

E que escada é esta?

Esta era a escada na qual colocamos nossos joelhos, como fazem todos os fieis que ali vão. Sim. Tínhamos diante de nós, sob nossos joelhos, a escada que Jesus usou pela última vez em sua vida. Ela foi trazida, degrau por degrau, para Roma, por Santa Helena - Helena de Constantinopla - mãe do Imperador Constantino I e re-instalada em um prédio em frente à Basílica de São João de Latrão. Todos seus degraus são de mármore branco e em três pontos distintos há manchas escuras, provenientes da reação, ao longo dos tempos, de gotas do Sangue Divino que Jesus vertia de seu corpo flagelado. Para não haver desgaste na integridade física do mármore, há um revestimento de madeira, já que a movimentação diária ali é muito intensa. É difícil ali não se comover, imaginando Jesus descendo e subindo por aqueles degraus, última ação de sua vida.

 

Coliseu - Roma

 

AS CATACUMBAS DE ROMA

 

Na região central de Roma ficam as Catacumbas de São Sebastião, Santa Priscila, São Calisto e outras, que eram perfuradas terra abaixo, para fazerem vez de cemitérios onde eram sepultados os cristãos.

Visitamos a de São Calisto, que atingia profundidade monumental e ao longo da horizontalidade atingia até, pasmem, 20 km de corredores, onde estão depositados, aproximadamente 20.000 corpos de cristãos perseguidos então. Elas foram construídas ao longo da estrada romana Via Ápia. Em regiões próximas é proibido o trânsito de veículos pesados como ônibus e caminhões, visando evitar abalos e desmoronamentos. Um turista que arriscar-se a entrar sozinho, por exemplo, na de São Calisto que visitamos, corre risco sério de perder-se no emaranhado de seu labirinto e não voltar à superfície sozinho. Se isto acontecer em horário próximo ao do fechamento, terá o dissabor de passar uma noite sozinho em local escuro, frio, sem nenhum recurso.

 

Igreja de São Francisco de Assis

 

 

Nesta ida à Itália tivemos oportunidade de conhecer duas novas cidades: Cássia e Assis. Na primeira além, de um "tour" completo, tivemos oportunidade de ver, a menos de dois metros, o corpo de Santa Rita de Cássia, - a Santa das causas impossíveis - que ali se encontra em perfeito estado de conservação. Quando morreu, devido às grandes e intermináveis romarias para prestarem a última homenagem, passaram-se muitos dias e então ela não foi enterrada e está lá, perfeita como se houvesse morrido ontem. A segunda cidade, Assis, cidade medieval muito bonita onde nasceu, viveu e morreu São Francisco de Assis. Um pequeno comentário sobre sua vida: filho de família riquíssima tinha à sua disposição todas as coisas boas que o dinheiro propiciava então: belos cavalos, armaduras completas e variadas, (elmos) uniformes, armas, jóias, etc.. Ainda na juventude resolveu despojar-se de tudo isto para dedicar-se à vida cristã. Teve o apoio de sua mãe mas o repúdio total de seu pai que, para tentar demovê-lo dessa idéia - ou para castigá-lo? - encarcerou-o num cubículo de um metro quadrado, de onde apenas recebia sua ração diária de alimento. Visitamos sua Basílica, que se localiza muito próximo à Basílica de Santa Clara, que na juventude gostava muito de Francisco de Assis (discute-se se "esse gostar" chegava aos liames da afetividade), quando ficou sabendo de sua atitude, também abriu mão de sua riqueza para aderir à vida religiosa.

 

Zózimo Drumond é alvinopolense e reside em Belo Horizonte.

Contato : zozimodrumond@yahoo.com.br

 

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