O P E S A D E L O

 

Zózimo Drumond

 



Levantei-me num pulo.

O pijama encharcado de suor.

Acabara de acordar de um pesadelo: eu estava assustado, no meio de muita confusão.

Seria a III Guerra Mundial ? Estávamos no interior de uma grande cratera e, pela sua enormidade, deveria ser a do Vesúvio. Tudo parecia que havia uma grande resistência a uma situação que ameaçava o modelo econômico do planeta. Havia a ala dos que defendiam os euros, dólares, ouros, e outra que defendia a humildade, a sabedoria, a prudência, o respeito, a honestidade....

Dava-se perfeitamente para ver que os objetivos eram antagônicos.

As duas forças que se digladiavam eram muito fortes, cada uma, 'a sua maneira, mostrando uma força descomunal. Muito barulho, muita correria, estrondos, pisoteamentos...

"Meus Deus, eu tinha tanto receio de uma guerra..."


Na minha mente, iam e vinham várias imagens e uma se repetia, que era um grande 11 num grande placar. Estremeci. Lembrei-me de uma data 11 que fez tremer, não só duas grandes torres, mas toda uma geração. A fúria com que as partes opostas defendiam suas bandeiras era estarrecedora. A ala que defendia o modelo existente era sadia, bonita, bem nutrida, arrogante, segura de si.

Por outro lado, a outra, que defendia a mudança, era franzina, carente fisicamente, subnutrida, humilde e demonstrava um "quê" de tristeza no semblante mas, não obstante, mostrava o mesmo vigor de suas opositoras.
Houve uma pequena trégua. Os opositores pararam, dando a impressão de que não houve vencedor nem vencido mas, após pequeno intervalo o embate se reinicia.

Agora ambas as partes desgastadas, ainda assim, não se entregavam.
De repente, a parte que defendia a manutenção do modelo existente, dispara um torpedo, acertando a outra bem no ângulo de seus sentimentos e que, mesmo assim, continua aguerrida em seus princípios.
Corre o tempo e um "Juiz da ONU" declara que a prorrogação acabou e dá como vencedores os defensores do ouro.
Agora as coisas estão mais claras.

 

Aquele espaço que eu julgava ser uma cratera do Vesúvio, nada mais era do que um Estádio que apelidaram de Ninho dos Pássaros. O barulho ensurdecedor que havia, era a manifestação de toda uma platéia apoiando 11 pequenas figuras, vestidas de verde e amarelo, que provavam para todo o Planeta que se o ouro é, economicamente mais valorizado do que a prata, naquele momento, em seu valor simbólico perdia essa sua condição, numa troca de "status" inversamente proporcional, já que as 11 medalhas de prata ali entregues, iriam se postar em peitos orgulhosos, que nunca ostentaram colares de ouro, enquanto que, quem sabe, as outras onze "rodelas" de ouro, teriam o destino de alguma forjaria que iria transformá-las em barras de muito valor econômico.